Copa do Mundo 2026

Brasil x Japão: Ancelotti chega com escalação ideal para evitar novo trauma após 36 anos

Seleção não é eliminada no primeiro mata-mata de um Mundial desde 1990

Depois de 15 jogos à frente da seleção brasileira, Carlo Ancelotti conseguiu encontrar sua escalação titular ideal, justamente no momento mais importante de sua passagem pelo Brasil até agora. Contra o Japão nesta segunda-feira (29), a partir das 14h (de Brasília), pelos 16-avos de final, o treinador italiano deverá levar a campo o mesmo time que iniciou o confronto com a Escócia pela última rodada do Grupo C, quando saiu vitorioso por 3 a 0.

Desde sua chegada, em maio de 2025, Ancelotti promoveu diversos testes e análises à frente da Seleção. Algumas deram certo, como é o caso de Douglas Santos na lateral-esquerda; outras, como a presença de um centroavante de referência, nem tanto. No papel, o Brasil que entrará em campo no Estádio de Houston, no Texas, se assemelha a um 4-1-2-1-2, com um losango no meio-campo — fator que será decisivo com os japoneses, que buscam controlar este setor nas partidas.

  
Quem o Brasil pode enfrentar no mata-mata?
  
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Além disso, desde que as oitavas de final passaram a ser disputadas na Copa do Mundo, em 1986, o duelo com o Japão será um dos mais complicados para a seleção brasileira. Em apenas uma ocasião (1990, contra a Argentina), o Brasil foi eliminado logo no primeiro confronto mata-mata.

Carlo Ancelotti, técnico da seleção brasileira
Carlo Ancelotti, técnico da seleção brasileira (Foto: Vanessa Carvalho / Brazil Photo Press / Imago)

O Brasil esteve próximo de ser eliminado, principalmente contra Bélgica, em 2002, e Chile, em 2014, quando não conseguiu impor seu domínio durante a partida. O confronto no Japão, no entanto, coloca a seleção brasileira diante de uma escola que tem incomodado gigantes ao longo deste ciclo.

Japão chega com desfalques, mas com fórmula para incomodar o Brasil

Brasil e Japão se enfrentaram em outubro de 2025, com vitória dos japoneses em amistoso, por 3 a 2. Ambos os times mudaram muito suas escalações desde então, e a seleção asiática, comandada por Hajime Moriyasu há oito anos, se consolidou como uma força para este Mundial.

Empates com Países Baixos e Suécia, na fase de grupos, somados à vitória sobre a Tunísia por 4 a 0, selaram a classificação como segunda colocada da chave, além de manter uma sequência de dez jogos de invencibilidade, que vem desde setembro de 2025.

Desde sua chegada, o treinador soma 74% de aproveitamento pela seleção japonesa e apenas uma derrota em Copas do Mundo — contra a Costa Rica, por 1 a 0, na fase de grupos de 2022. No ciclo para o Mundial do Canadá, Estados Unidos e México, também impôs derrotas à seleção inglesa, no Estádio de Wembley, além do próprio Brasil.

Daizen Maeda, jogador do Japão, durante a partida entre Japão e Suécia pelo Grupo F da Copa do Mundo FIFA 2026, no Dallas Stadium, em Arlington, no Texas, em 25 de junho de 2026.
Daizen Maeda, do Japão, durante Japão x Suécia pela Copa do Mundo 2026, no Dallas Stadium. (Foto: Kenjiro Matsuo/IMAGO / AFLOSPORT)

É bem verdade que, às vésperas da Copa do Mundo, o Japão teve de lidar com cortes em sua convocação final: Kaoru Mitoma, Takumi Minamino e Wataru Endo. Este, meio-campo do Liverpool, chegou a ser convocado, mas deixou a concentração às vésperas da estreia. Takefusa Kubo e Ko Itakura, lesionados, também são dúvidas para o confronto dos 16-avos.

O segredo do Japão para vencer o Brasil, no entanto, passa pela própria engrenagem de sua seleção. Independentemente das peças, o time consegue manter seu estilo de jogo. Contra a seleção neerlandesa — em um dos melhores jogos da Copa do Mundo até aqui —, os japoneses controlaram a posse de bola (60%), trocaram mais passes (534 a 341) e criaram mais oportunidades de perigo do que os Países Baixos.

Esse é um cenário que o Brasil pode esperar do adversário, já que o Japão opta por ter a posse para evitar que o adversário crie oportunidades de perigo. Ainda que, pelo Real Madrid, Ancelotti tenha optado por jogar sem este controle em muitos duelos da Champions League, este cenário adversário pode criar um cenário adverso na Copa do Mundo.

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Ancelotti repete escalação do Brasil e vai com o que há de melhor para a Copa do Mundo

Com exceção de Raphinha, com lesão muscular, o Brasil chega renovado e completo para o confronto em Houston. No esquema tático adotado desde a vitória sobre o Haiti, Bruno Guimarães e Lucas Paquetá conseguem dar suporte a Rayan e Vinícius Júnior, respectivamente.

Além disso, depois de testar Roger Ibañez na lateral-direita, Danilo conseguiu preencher a peça que faltava para o sistema defensivo brasileiro, somando-se a Marquinhos, Gabriel Magalhães e Douglas Santos. Ofensivamente, o mesmo ocorre com Matheus Cunha, que atua tanto como atacante quanto como meio-campista neste 4-1-2-1-2.

Outra chave contra o Japão pode ser o surgimento de novos protagonistas. Até agora, Vini Jr. e Cunha surgem como os artilheiros da equipe, com sete gols somados. Eles, aliás, foram os únicos a marcar na Copa do Mundo até agora. Rayan, que adotou importante papel defensivo diante da Escócia, pode ser este terceiro homem no ataque capaz de resolver um confronto que, no papel, será equilibrado.

Chaveamento do Brasil até uma possível final

  • 16-avos: Japão
  • Oitavas: Noruega ou Costa do Marfim
  • Quartas: México, Equador, Inglaterra ou RD Congo
  • Semifinais: Suíça, Argélia, Colômbia, Gana, Austrália, Egito, Argentina ou Cabo Verde

Foto de Murillo César Alves

Murillo César AlvesRedator

Jornalista pela Universidade de São Paulo (USP), com passagens por Estadão, UOL, 90min e QuintoQuarto.

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