‘Ele me lembra o jogador que eu era no auge’: Ronaldo se rende à protagonista da Copa
Atacante brasileiro
Ronaldo Nazário é um dos maiores jogadores da história do futebol e sua história em Copas do Mundo colabora bastante para esse status. Porém, o “Fenômeno” não deixa de reconhecer a nova geração de jogadores. O ex-atacante concedeu uma entrevista ao jornal “L’Équipe” neste domingo (28) e tratou de diversos temas relevantes deste Mundial, incluindo Lionel Messi, Neymar e até Kylian Mbappé.
Até o início dessa Copa, Ronaldo era o segundo maior artilheiro da história dos Mundiais, com 15 gols. Porém, Messi e Mbappé trataram de bater a marca do histórico camisa 9 da seleção brasileira e até do alemão Miroslav Klose. Os craques de Argentina e França chegaram a 19 e 16 bolas nas redes, respectivamente, e tendem a aumentar ainda mais essa marca.
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Diante do recorde quebrado, Ronaldo se rendeu aos dois grandes jogadores desta Copa do Mundo e até comparou Kylian Mbappé, em questão de estilo, consigo mesmo.
— Ambos são, sem dúvida, jogadores que transcendem os números e que merecem ser os artilheiros de todos os tempos da competição. Messi é um dos maiores jogadores de toda a história do futebol e ainda é influente e decisivo hoje. Quanto a Mbappé, seu estilo de jogo me lembra de mim mesmo no meu auge. Ele é um dos maiores do futebol atual e um herdeiro natural das lendas do jogo — afirmou.
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O Fenômeno não se resumiu à Messi e Mbappé, e também foi questionado quanto a convocação e utilização de Neymar na seleção de Carlo Ancelotti. Inclusive, Ronaldo voltou a fazer uma comparação, desta vez física, com sua situação em 2002.
— Neymar é decisivo. Não vejo outro jogador no grupo atual com a mesma capacidade que ele para ganhar um jogo. Então, se pudéssemos contar com ele, não deveríamos perder a oportunidade. Ele teve permissão dos médicos, está fisicamente em forma e agora tem a chance de silenciar todos que não acreditaram nele. Eu também tive meu próprio retorno em 2002, então estou totalmente com Neymar — revelou o ex-atacante.
Ainda no tema Copa do Mundo, Ronaldo foi questionado quanto aos favoritos e apontou quatro seleções seriam as grandes ameaças ao Brasil na busca pelo hexacampeonato mundial.
— França, Espanha e Argentina jogam um futebol muito bom, são muito competitivos e a Alemanha é sempre perigosa. Eles são os maiores rivais do Brasil para o título — disse.
O contraste do perfil dos atacantes atuais
Depois de comparar Kylian Mbappé com o próprio estilo quando estava no auge de sua carreira, Ronaldo não deixou de se aprofundar no tema. Para o Fenômeno, a mudança do futebol nos últimos anos ocasiona uma mudança natural do perfil do centroavante moderno, mas cobra pela produção de mais artilheiros no Brasil.
— O futebol mudou taticamente e não se pode esperar que a nova geração reproduza exatamente o estilo que definiu as anteriores. Por exemplo, os atacantes modernos estão sendo obrigados a fazer muito mais sem a bola, e isso transforma fundamentalmente o perfil individual da “máquina de gols” que já vimos. Sem falar na pressão excessiva sobre os jogadores, que afeta diretamente sua saúde mental. Mas devo reconhecer a necessidade, para nós no Brasil, de voltar a formar atacantes clínicos — enfatizou.
Este tema recai, consequentemente, na seleção brasileira e as opções de Ancelotti são questionadas pelas características ou a falta de protagonismo como autênticos camisas 9. Para o Mundial, os escolhidos foram Matheus Cunha, que já marcou três vezes na Copa, e Igor Thiago, vice-artilheiro da última Premier League. Neste caso, Ronaldo focou em Cunha e como suas qualidades contribuem em campo para além da necessidade de balançar as redes.
— Ele não é um atacante de superfície clássico, mas sua versatilidade tática fez a diferença, mesmo que ele tenha o número 9 nas costas. Além do desempenho de ter marcado duas vezes no primeiro tempo contra o Haiti, ele participou muito na construção do jogo e criou mais espaços para que extremos como Vinicius pudessem brilhar — finalizou o Fenômeno.
Fato é que a seleção brasileira começa sua caminhada no mata-mata da Copa do Mundo na próxima segunda-feira (29), diante do Japão, no NRG Stadium, em Houston. A bola rola às 14h (horário de Brasília) e deverá ter Matheus Cunha como titular e Neymar como opção no banco mais uma vez.
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