Copa do Mundo 2026

O Marrocos tem as armas para expor os Países Baixos (e as estatísticas são preocupantes)

Países protagonizam um dos duelos mais esperados da fase 1/16 avos nesta segunda-feira (29)

A defesa dos Países Baixos chegou à fase eliminatória da Copa do Mundo 2026 sem nenhum clean sheet e com quatro gols sofridos em três partidas, o pior desempenho defensivo entre as oito seleções mais bem ranqueadas do torneio. E o Marrocos tem exatamente as armas para explorar essa fragilidade na rodada de 16 avos.

Ronald Koeman viu sua equipe terminar na liderança do Grupo F com sete pontos e dez gols marcados, se recuperando de um empate inicial com o Japão (2 a 2) para golear a Suécia por 5 a 1 e vencer a Tunísia por 3 a 1. No entanto, o que acontece na outra ponta do campo segue sendo a grande preocupação antes do confronto com os Leões do Atlas.

O ataque neerlandês engrenou, mas a defesa ainda não apresentou o nível de controle esperado de uma das nações mais sólidas da Europa. O Marrocos já demonstrou neste torneio que pode incomodar até as melhores equipes ao segurar o Brasil, e chega com a confiança de quem foi semifinalista na Copa do Mundo de 2022.

O técnico Ronaldo Koeman dificilmente contará com o mesmo espaço que teve na fase de grupos, diante de um Marrocos mais do que capaz de impor o próprio ritmo. Com uma vaga nas oitavas de final em jogo, a linha defensiva neerlandesa pode enfrentar seu maior teste na competição.

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Os Países Baixos não convenceram defensivamente

Sete pontos e a liderança do grupo sugerem que tudo correu conforme o planejado, mas os números defensivos contam outra história.

Os Países Baixos sofreram quatro gols em três partidas da fase de grupos, uma média de 1,33 por jogo, a mais alta entre as oito nações mais bem ranqueadas que chegaram ao Mondial 202.

Van Dijk marcou um dos gols dos Países Baixos contra o Japão. Foto: DeFodi Images/Icon Sport
Van Dijk marcou um dos gols dos Países Baixos contra o Japão. Foto: DeFodi Images/Icon Sport

O Japão marcou dois gols com apenas três finalizações no alvo. A Suécia gerou oito chutes no gol e criou duas grandes chances durante a derrota por 5 a 1. A Tunísia, de longe o adversário mais fraco do grupo, também furou a defesa holandesa, criando duas grandes chances e quatro finalizações certas.

Para uma equipe construída em torno de defensores experientes como Virgil van Dijk e Denzel Dumfries, com nomes como Jan Paul van Hecke e Micky van de Ven na estrutura, um balanço de 36 finalizações e 15 chutes no alvo sofridos em três partidas não é nada animador.

A equipe de Koeman tende a dominar a posse de bola por longos períodos, mas as transições causaram problemas em toda a fase de grupos. Ao menos um dos laterais frequentemente sobe muito pelo campo, deixando espaço para contra-ataques rápidos, enquanto os adversários encontraram regularmente espaço nos corredores nas costas da linha defensiva.

Esses momentos não saíram tão caros contra Tunísia ou Suécia, mas o futebol eliminatório raramente oferece uma segunda chance.

Gols sofridos pelas oito nações mais bem ranqueadas da Fifa na fase de grupos do Mundial 2026:

  1. Argentina: um gol sofrido
  2. Espanha: zero
  3. França: dois gols sofridos
  4. Inglaterra: dois gols sofridos
  5. Portugal: um gol sofrido
  6. Brasil: um gol sofrido
  7. Marrocos: três gols sofridos
  8. Países Baixos: quatro gols sofridos

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O Marrocos tem exatamente as armas ofensivas para expô-los

Se existe uma seleção capaz de explorar as transições defensivas adversárias, é o Marrocos, que o comprovou ao longo dos últimos quatro anos no futebol mundial.

O país africano terminou em segundo lugar no Grupo C, atrás do Brasil apenas na diferença de gols, após acumular sete pontos em três partidas, marcar seis gols, sofrer três e permanecer invictos durante toda a fase de grupos.

O desempenho inclui o empate com o Brasil (1 a 1), uma vitória disciplinada sobre a Escócia (1 a 0) e um triunfo convincente diante do Haiti (4 a 2).

O que torna o Marrocos especialmente perigoso é sua velocidade quando recupera a bola: Achraf Hakimi continua sendo um dos laterais-ofensivos mais rápidos do futebol internacional, enquanto Ismael Saibari, o meia nascido nos Países Baixos que emergiu como a principal ameaça ofensiva marroquina no torneio, rompe linhas defensivas com suas corridas em profundidade.

Ismael Saibari
Ismael Saibari celebra seu gol contra Escócia (Foto : IPA Sport / ABACA)

A defesa neerlandesa já demonstrou dificuldades diante de atacantes que exploram o espaço, com o Japão encontrando regularmente brechas com movimentos diretos nas costas da linha de quatro, e a Suécia também criando oportunidades apesar da pesada derrota.

O Marrocos joga em estilo similar, mas com um atletismo possivelmente superior, sendo igualmente confortável no bloco defensivo antes de sair em velocidade, justamente o tipo de futebol que já tirou o equilíbrio da equipe de Koeman em alguns momentos.

Neerlandeses precisam de mais equilíbrio para evitar uma saída precoce

Nada disso transforma os Países Baixos em azarão: a qualidade ofensiva da seleção é suficiente para incomodar praticamente qualquer defesa que ainda reste na competição, como atestam os dez gols em três jogos.

A dúvida é se é possível continuar apostando simplesmente em marcar mais que o adversário, especialmente quando o futebol eliminatório costuma ser decidido por um único erro, não por cinco lances brilhantes de ataque.

O Marrocos já demonstrou estar à vontade em jogos disputados, sofrendo apenas três gols na fase de grupos e evitando a derrota diante do Brasil, um dos favoritos ao título.

Koeman pode, por isso, precisar de uma abordagem mais cautelosa do que o futebol aberto que serviu tão bem aos Oranje contra a Suécia. Oferecer mais proteção no meio-campo, impor mais disciplina aos laterais e reduzir as perdas de bola em zonas perigosas podem ser tão determinantes quanto o que acontece dentro da área marroquina.

Os Países Baixos têm o perfil de uma equipe capaz de ir longe nesta Copa do Mundo, mas sem apertar o sistema defensivo, correm o risco de ver uma aventura promissora chegar ao fim de forma abrupta.

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