Igor Thiago x Endrick: Diferenças entre eles e quem merece ser titular na seleção brasileira
Atacantes disputam posição no setor ofensivo da seleção brasileira e oferecem diferentes características a Ancelotti
A disputa pela posição de atacante central na seleção brasileira está absolutamente aberta às vésperas da estreia na Copa do Mundo. Carlo Ancelotti optou por Igor Thiago como titular no amistoso contra o Egito no último sábado (6), mas quem brilhou foi Endrick, saindo do banco de reservas e marcando o gol da vitória por 2 a 1. A tendência é que Matheus Cunha, com características também diferentes da dupla, sendo mais fluido e móvel, seja titular.
São dois atacantes de algumas similaridades, mas com muitas diferenças e que entregam coisas distintas para o técnico. Até a partida com o Marrocos, no próximo sábado (13), o italiano precisará decidir quem será o dono da posição — ainda há uma “terceira via” para essa função.
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Quais são as características dos centroavantes do Brasil
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Igor Thiago
Maior artilheiro brasileiro de uma edição da Premier League, com 22 gols na temporada recém-finalizada, Igor Thiago ganhou sua primeira convocação em março e nem precisou ser titular para convencer Ancelotti. Duas vezes saindo do banco, foi decisivo com gol de pênalti contra a Croácia — uma das suas especialidades, com oito gols dessa forma no Campeonato Inglês.
A penalidade que veio com o gol foi sofrida por Endrick, mas a jogada só iniciou graças ao atacante do Brentford em outra área que é muito forte. A partir de um lançamento, o atacante de 1,91m disputou no alto e a bola sobrou. Por sua força física, é um ótimo jogador para ser procurado em bolas longas rumo ao campo de ataque e também em cruzamentos, capacidade que também garante bons pivôs, além de poder se associar por dentro.
Mas ele foge do estereótipo desse tipo de camisa 9. De passadas largas em arrancadas, também é móvel para atacar a profundidade e jogar em transição, como aconteceu várias vezes na modesta equipe que defende na Inglaterra.
A velocidade também é vista sem bola, como quando forçou erro do goleiro do Panamá para gol de Rayan em amistoso. No mesmo jogo, marcou novamente de pênalti, dessa vez sofrendo a infração em jogadaça com caneta e toque antes do arqueiro panamenho.
É realmente um atacante com muitas facetas em seu jogo, que teve uma atuação interessante com pivôs na sua chance como titular, também “empurrando” a linha de defesa adversária para dar espaço a Raphinha, Bruno Guimarães e outros brilharem. No entanto, acabou desperdiçando as chances que o cravariam no time ideal.
Ele esteve três vezes cara a cara com o goleiro egípcio, mas falhou em todas: uma batida de canhota foi em cima, na segunda ele se enrolou com a bola e a defesa cortou, e ainda teve outra com falha no domínio. Por isso, muito torcedor que não se atentou a outras coisas boas criticou o atacante do Brentford. E piorou as coisas para Igor Thiago porque seu substituto tem muita estrela.
Endrick
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A cria do Palmeiras tem ficado marcada pela estrela na Seleção. Nunca teve status de titular pelo conservadorismo dos treinadores, mas sempre entregou gols: na estreia com a Inglaterra em 2024, na sequência contra a Espanha e, quando parecia que Ancelotti não o levaria para a Copa, mudou a partida contra a Croácia com pênalti sofrido e assistência.
Após entrar como dupla de Igor Thiago e ter atuação aquém contra o Panamá, voltou a mostrar como é especial frente aos egípcios. Em jogadaça de Raphinha, completou cruzamento na entrada da pequena área com apenas seis minutos em campo.
O oportunismo é só uma das suas características. É um atacante de muita força física e explosão, capaz de vencer embates contra defensores fortes, apesar de seus 1,74m — até por isso, não é tão forte no jogo aéreo como Thiago.
Não é um camisa 9 raiz, longe disso: tem um perfil bem mais móvel, de velocidade e drible, jogando até de ponta no Lyon. São características que se encaixam na forma que Ancelotti pensa para esse tipo de atacante central, que já chegou a ser Matheus Cunha, Vinicius Júnior e Raphinha, nenhum deles um centroavante de ofício.
Endrick, porém, tem uma dedicação defensiva que pode não ser tão intensa em algumas oportunidades. Se ele “sobrar” com Vini Jr no 4-4-2 no momento defensivo — formação que o técnico italiano garantiu que será a estrutura até o fim –, seriam dois jogadores pouco dedicados para iniciarem a pressão no campo de ataque, justamente uma das armas da seleção brasileira atualmente.
O ex-Palmeiras, aos 19 anos, precisaria ser mobilizado para se doar mais, e isso é possível pela idade e pela vontade que ele demonstra quando veste a camisa do Brasil.
É GOL DA SELEÇÃO! 🇧🇷⚽️
— brasil (@CBF_Futebol) June 6, 2026
Matheus Cunha e Douglas Santos pressionam, o Brasil recupera a posse no campo ofensivo e a bola chega em Raphinha. O atacante cruza rasteiro e Endrick aparece no lugar certo para balançar as redes!#BateNoPeito
ISSO É BRASIL! 🇧🇷 pic.twitter.com/g2jLrJMdpF
Quem deveria ser o titular da seleção brasileira?
Por sua estrela, Endrick merecia ser titular, ainda mais em um torneio eliminatório, em que um gol que ele encontre pode decidir partidas marcadas por margens mínimas.
Para alguns jogadores, ser tão jovem pode atrapalhar. O atacante mostrou, quase desde o início de sua trajetória profissional, uma grande maturidade e chutou qualquer tipo de pressão que pudesse impactá-lo. Foi protagonista de título brasileiro do Palmeiras com 17 anos, estreou com gol na Seleção com a mesma idade. É um jogador diferente.
Igor Thiago, também com características que podem ajudar a Seleção, poderia ser um jogador para brilhar no segundo tempo, seja em contextos de muitos cruzamentos na área e lançamentos para o ataque quando o time estiver em desvantagem, ou em transições rápidas caso esteja vencendo.
A outra alternativa de Ancelotti sem Endrick e Igor Thiago
O debate entre os dois camisas 9 do Brasil faz sentido e vale a pena ser abordado. Mas, no fim, pode ser que Ancelotti não utilize nenhum dos dois, como vinha sendo até o primeiro tempo com o Panamá.
No cenário atual, ele pode optar por Luiz Henrique na ponta direita, Vini na esquerda, Raphinha e Cunha se alternando por dentro. Ou com Paquetá, partindo do corredor destro para ser outro meio-campista, mas que poderia ser um problema a ocupação da ponta direita com a lesão do lateral-direito Wesley e as características defensivas de seus substitutos, Roger Ibañez e Danilo.
As respostas devem vir nos próximos dias. A seleção brasileira segue cronograma de treinos em Nova Jersey até a estreia no MetLife Stadium. Depois, o Brasil enfrenta Haiti (dia 19) e Escócia (24).