Copa do Mundo

Vitória contra o Egito traz boa confirmação para Ancelotti, mas escancara deficiência da Seleção

Último amistoso antes da estreia no Mundial deixa boas respostas na construção ofensiva, mas amplia preocupações sem a bola

A vitória por 2 a 1 sobre o Egito, neste sábado (6), em Cleveland, deixou sensações distintas para a seleção brasileira às vésperas da Copa do Mundo. Se por um lado o resultado reforçou sinais positivos vistos nos últimos compromissos da equipe de Carlo Ancelotti, por outro expôs um problema que segue sem solução e pode custar caro quando a bola rolar para valer.

A uma semana da estreia contra Marrocos, o Brasil mostrou evolução ofensiva, mas voltou a gerar dúvidas na fase defensiva.

Os avanços no ataque são evidentes, e a Seleção tem apresentado mecanismos ofensivos mais claros e consistentes. A pressão na saída de bola adversária, por exemplo, já parece assimilada pelos jogadores e foi justamente dela que nasceu o primeiro gol da partida, marcado por Bruno Guimarães. O time recuperou a posse em zona alta e transformou rapidamente a vantagem territorial em oportunidade de gol.

Além disso, houve boa movimentação dos homens de meio-campo, aproximações frequentes entre os setores e trocas de posição que dificultaram a marcação egípcia. As triangulações aconteceram com fluidez, os pontas apareceram em ultrapassagens e não faltaram infiltrações atacando os espaços deixados pela defesa rival. Ainda há margem para crescimento, mas o Brasil chega ao Mundial apresentando uma identidade ofensiva mais definida do que exibia há alguns meses.

No que a Seleção tem deixado a desejar?

Se a construção ofensiva evolui, a organização defensiva segue preocupando. Contra o Egito, a Seleção voltou a sofrer sempre que perdeu a bola e precisou lidar com transições rápidas. O cenário não foi novidade. Na goleada por 6 a 2 sobre o Panamá, na semana passada, os adversários também encontraram espaços para contra-atacar. Desta vez, especialmente no primeiro tempo, os egípcios exploraram a mesma fragilidade.

O Brasil tem demonstrado dificuldades para recompor com equilíbrio quando é atacado em velocidade. Em alguns lances, faltou coordenação na pressão pós-perda; em outros, sobraram espaços entre os setores.

O resultado é uma equipe que consegue controlar boa parte do jogo com a bola, mas que transmite insegurança quando precisa defender corridas em campo aberto. Diante de seleções mais qualificadas, esse tipo de cenário tende a ser explorado com ainda mais eficiência.

Nem mesmo Marquinhos, um dos pilares do sistema montado por Ancelotti, escapou de uma atuação abaixo do esperado. O zagueiro falhou de maneira incomum ao recuar curto para Alisson no lance que originou o gol egípcio. Foi um erro individual, mas que simboliza um problema coletivo maior.

A vitória traz confiança pelo crescimento ofensivo da equipe, porém também serve de alerta. Na Copa do Mundo, o Brasil encontrará justamente adversários que defendem em bloco baixo e apostam na velocidade das transições. E, até aqui, a Seleção ainda não mostrou solidez suficiente para enfrentar esse tipo de desafio sem sustos.

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Os gols de Brasil 2 x 1 Egito

Intenso e propositivo desde o pontapé inicial, o Brasil não demorou a abrir o placar em Cleveland. E fez isso subindo a marcação e pressionando no campo de ataque. Aos seis minutos, Bruno Guimarães desarmou Lashin, conduziu até a entrada da área e finalizou no cantinho esquerdo de Shobeir.

Menos de quatro minutos depois, o Egito empatou — e graças a um vacilo feio de Marquinhos. O camisa 4 recebeu na direita e tentou recuar para Alisson, mas pegou fraco na bola e entregou nos pés de Zico, que finalizou na saída do goleiro brasileiro.

Com as muitas mexidas de Ancelotti no intervalo, a Canarinho ganhou novo fôlego e voltou a encantar ofensivamente. Logo no começo do segundo tempo, Matheus Cunha e Douglas Santos pressionaram bem, conseguiram a recuperação no campo de ataque, e a bola sobrou com Raphinha. O camisa 11 fez boa jogada pela esquerda e cruzou rasteiro para Endrick finalizar de primeira e recolocar o Brasil na frente.

E agora, Brasil?

O jogo diante do Egito foi o último compromisso da seleção brasileira antes da estreia na Copa do Mundo. Agora é para valer: a Canarinho vira de vez a chave e foca as atenções no duelo contra Marrocos, válido pela primeira rodada do Grupo C. A bola rola no próximo sábado (13), a partir das 19h (de Brasília), no MetLife Stadium.

Brasil x Marrocos — Copa do Mundo — sábado, 13 de junho, às 19h

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme CalvanoRedator

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.

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