Por que os Estados Unidos podem ir mais longe do que o esperado na Copa do Mundo?
Comandados de Mauricio Pochettino iniciam campanha por afirmação contra o Paraguai nesta sexta (12)
Voltando a sediar uma Copa do Mundo após 32 anos, os Estados Unidos começam sua caminhada para tentar se provar como um país que abraçou o futebol de verdade na sexta-feira (12), às 22h (horário de Brasília), quando encaram o Paraguai, em Los Angeles, no primeiro jogo em território estadunidense desta edição.
Se em 1994 um dos objetivos do Mundial era ajudar a criar uma liga mais desenvolvida no país – a MLS teve sua primeira temporada em 1996 e hoje demonstra um nível aceitável –, 2026 dá a oportunidade para que os Estados Unidos provem que essa tarefa funcionou e que a seleção finalmente tem nível para competir com seleções mais tradicionais e com mais poder de fogo.
Para isso, os EUA foram atrás de Mauricio Pochettino após a demissão de Gregg Berhalter por uma campanha ruim na Copa América de 2024, no próprio país. Até o momento, a passagem do ex-Tottenham pela seleção é marcada por algumas boas vitórias e momentos que parecem mais do mesmo – vexames na Copa Ouro e derrotas para seleções mais relevantes.
No entanto, existem razões para acreditar que os Estados Unidos possam fazer um bom papel no Mundial em casa.
Pochettino finalmente parou de experimentar
Um dos principais motivos pelos quais o trabalho de Pochettino ainda é questionado diz respeito ao número de experimentos feitos pelo técnico ao longo de seu tempo nos EUA. Diferentes formações e diferentes posições e funções para jogadores que têm mais excelência em locais mais conhecidos são alguns dos pontos negativos.
Porém, nos amistosos pré-Copa do Mundo, o técnico finalmente voltou ao que deu mais certo durante o ciclo. Nos jogos contra Senegal e Alemanha, o argentino retomou a formação com três zagueiros usada na goleada por 5 a 1 contra o Uruguai no ano passado e teve bons resultados, vencendo os africanos e mostrando um bom futebol apesar da derrota para os europeus.
A ascensão de Alex Freeman é extremamente importante para que Pochettino possa usar essa formação. Revelado como lateral no Orlando City e hoje no Villarreal, o jovem atua como zagueiro pela direita e é bastante confortável com a bola no pé, seja começando a criação, se juntando ao meio ou até se jogando mais ao ataque.
A formação também permite que os Estados Unidos usem o que têm de melhor à sua disposição nas alas. Sergiño Dest é excelente em profundidade, mas não é um bom defensor, o que fica menos exposto com os três zagueiros. Já do lado esquerdo, Antonee Robinson continua mostrando seu nível de Premier League se jogando menos ao ataque do que Dest.
/https%3A%2F%2Fmedia.trivela.com.br%2Fmain%2F2026%2F06%2Ffreeman-scaled.jpg)
- - ↓ Continua após o recado ↓ - -
Mudança pode ajudar Pulisic a ter melhor desempenho
Durante o ciclo da Copa do Mundo, Christian Pulisic foi bastante cobrado por um desempenho abaixo do esperado. E parte disso pode estar ligado ao fato de que ele teve que virar o capitão da seleção mais cedo do que o necessário.
Para o Mundial, o veterano Tim Ream usará a braçadeira. Aos 38 anos, o zagueiro deve ser o titular no lado esquerdo da defesa norte-americana.
Nos últimos amistosos antes do Mundial, agora sem a braçadeira, Pulisic pareceu muito mais próximo de suas melhores atuações pela seleção. Parecia até que um peso tinha sido tirado de suas costas.
E é importante que ele esteja bem, já que é o melhor jogador do país, mesmo não vindo de uma boa fase no Milan.
EUA têm opções melhores do que nos últimos Mundiais
Algo bastante prejudicial aos norte-americanos na última participação em Copa do Mundo, no Catar, foi a falta de opções de bom nível no banco de reservas. Alguns dos jogadores que lá estavam cresceram desde então e outros agarraram oportunidades para achar um espaço na seleção.
Na defesa, a já mencionada ascensão de Freeman ajuda em duas posições, enquanto os laterais/alas também cresceram: Joe Scally aumentou ainda mais sua presença na Bundesliga pelo Borussia Monchengladbach e Max Arfstein tem excelentes números ofensivos com o Columbus Crew.
No meio-campo, o filho do ex-técnico Gregg, Sebastian Berhalter, teve uma temporada incrível com o Vancouver Whitecaps em 2025 e virou um dos favoritos de Pochettino. Para uma opção mais ofensiva, Malik Tillman é o nome, vindo de uma primeira temporada decente na Bundesliga após ser contratado pelo Leverkusen para substituir Florian Wirtz.
Já no ataque, em que Pochettino não necessariamente tem um titular confirmado, são três boas opções: Folarin Balogun é o melhor finalizador e tem bastante velocidade, Ricardo Pepi contribui muito para a criação de oportunidades e Haji Wright pode parecer um atacante mais reservado à área, mas também se movimenta bem.
Formato da Copa pode oferecer bom caminho
Curiosamente, o melhor caminho para os EUA irem longe no torneio passa por ficar em segundo lugar no grupo, o que não seria improvável pensando no equilíbrio com Turquia e Paraguai.
O oponente na segunda fase viria de Bélgica, Egito, Irã e Nova Zelândia. Com os europeus passando em primeiro, o confronto seria mais tranquilo. Nas oitavas, a Argentina poderia ser um adversário pesado, mas dependendo das combinações, Áustria e Uruguai são boas opções para garantir vaga nas quartas.
As quartas de final poderiam apresentar um reencontro com Portugal, o que nem seria de todo ruim porque os estadunidenses não foram mal no amistoso de março, apesar da derrota. Mas dependendo das atuações dos lusos, quem pode chegar no confronto é alguém entre Canadá, Colômbia, Equador e Suíça, adversários mais em linha com o poder de Pulisic e cia.
Chegar às quartas já seria um excelente resultado para a seleção norte-americana e achar uma forma de estar nas semifinais seria o melhor caso possível.