Copa do Mundo

Canadá x Bósnia-Herzegovina: Duelo que abre grupo B da Copa terá choque de eras

País-sede deve ter apoio massivo de sua torcida em Toronto em busca dos seus primeiros pontos na história do torneio

Canadá e Bósnia-Herzegovina abrem o Grupo B da Copa do Mundo 2026 nesta sexta-feira (12), em Toronto, num confronto entre estilos e gerações opostos.

De um lado, a seleção dos donos da casa, comandada por Jesse Marsch, jovem, atlética e agressiva. Do outro, uma equipe bósnia veterana e compacta, conduzida por Sergej Barbarez e por seu eterno camisa nove, Edin Dzeko. Pode até não ter sido o duelo ideal para bares e emissoras canadenses, mas a estreia da seleção da casa contra a Bósnia-Herzegovina não carece de histórias interessantes.

Donos de restaurantes e emissoras canadenses poderiam ter faturado alto se a Itália tivesse se classificado no lugar da Bósnia-Herzegovina, dado o tamanho da população italiana no Canadá, especialmente em Toronto, cidade onde esta partida será disputada.

Embora muitos preferissem ver Itália x Canadá, Jesse Marsch e seus jogadores podem até preferir enfrentar a Bósnia-Herzegovina, por diversos motivos. Os canadenses devem ter o Toronto Stadium (BMO Field) lotado para apoiá-los, o que não seria o caso se a Itália fosse o adversário.

A Bósnia-Herzegovina também pode oferecer ao Canadá uma chance melhor de conquistar seus primeiros pontos na história em Copas do Mundo.

Canadá x Bósnia: Dois estilos opostos em campo

Não existe nenhuma rivalidade entre estas seleções, mas o confronto promete ser fascinante entre dois times que se enfrentam pela primeira vez.

O ex-treinador do Leeds United tem sido bastante flexível em sua abordagem tática desde que assumiu o comando da seleção canadense em 2024.

Marsch teve de lidar com a incerteza em torno do capitão Alphonso Davies, com lesão muscular na coxa, e com outros titulares importantes que ficaram fora por longos períodos da temporada, como Moise Bombito.

Alphonso Davies pelo Canadá (Foto: Imago/Agencia-MexSport)
Alphonso Davies pelo Canadá (Foto: Imago/Agencia-MexSport)

Em geral, Marsch prefere que sua equipe jogue para a frente e seja muito agressiva, buscando aproveitar ao máximo a atleticidade e a velocidade do grupo.

Essa é uma diferença enorme em relação ao que se deve ver da Bósnia-Herzegovina na estreia do Grupo B, na sexta-feira. Sergej Barbarez montou um time sólido e compacto defensivamente, que tenta pegar os adversários desatentos por meio de contra-ataques rápidos.

Apesar de o grupo contar com muitos veteranos, a fórmula tem funcionado, em boa parte graças à inteligência dos jogadores para encontrar espaços livres. Ajuda também o fato de eles disporem de talento criativo, com boa visão de jogo e muita serenidade nos espaços apertados da área.

Para que essa proposta funcione na Copa do Mundo, Esmir Bajraktarević e Kerim Alajbegović precisarão repetir o nível que apresentaram nas vitórias decisivas da repescagem, sobre País de Gales e Itália.

Os bósnios enfrentaram desafios duros nas etapas de repescagem, mas se mantiveram firmes defensivamente até alcançar a primeira Copa do Mundo desde 2014.

A velocidade do Canadá pelas pontas, com Tajon Buchanan, não facilitará a vida da Bósnia-Herzegovina, que tem inteligência tática, mas é avançada em idade.

Ali Ahmed pode ser uma carta na manga vinda do banco para o Canadá, na ausência de Marcelo Flores, que rompeu o ligamento cruzado anterior pelo Tigres na final da Liga dos Campeões da Concacaf.

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Um choque de eras em campo

Estas seleções não apresentam apenas abordagens distintas, como também têm em destaque, cada uma, um craque de uma era diferente, que se tornou figura central de seus respectivos grupos.

Pela Bósnia-Herzegovina, o veterano Edin Dzeko, que parece não envelhecer, lida com uma lesão no ombro que coloca sua presença em dúvida. Se for liberado, deverá ser o ponto de referência ofensiva da equipe, reunindo qualidades que a defesa canadense deverá vigiar de perto.

Dzeko liderou Bósnia-Herzegovina na classificação à Copa do Mundo
Dzeko liderou Bósnia-Herzegovina na classificação à Copa do Mundo (Foto: Daniele Buffa/Image nella/Imago)

Aos 40 anos, o atacante do Schalke 04 segue forte no jogo aéreo, com excelente capacidade de pivô e de tabela, além de muita inteligência tática. É particularmente esperto no terço ofensivo, letal em contra-ataque e ainda consegue encontrar espaços entre as linhas.

Pelo Canadá, o homem-chave na provável ausência de Davies será Jonathan David, que não fez uma primeira temporada brilhante na Série A italiana com a Juventus, mas continua sendo uma presença gigantesca no setor ofensivo. Aos 26 anos, ele dispõe de velocidade explosiva, perfeita para uma equipe que joga em pressão alta como o Canadá, e mostra movimentação especialmente forte em transições.

David se destaca por correr nas costas do último defensor e é capaz de marcar em todos os tipos de jogada. O atacante nascido nos Estados Unidos traz alta intensidade, finalização letal e uma pressão vertical forte, da qual a habitualmente bem postada linha defensiva bósnia precisará tomar cuidado.

Dzeko e David são os maiores artilheiros da história de suas seleções, e ambos marcaram seis vezes no campeonato nacional pelos seus clubes na última temporada. Os dois também balançaram as redes em quase 50% de suas partidas pela seleção e podem ser peças decisivas neste confronto.

Estas seleções são apontadas pela maioria como as mais prováveis para a segunda vaga do Grupo B, atrás da Suíça. Se Dzeko não estiver disponível, o Canadá deve ter vantagem, embora a Bósnia-Herzegovina tenha desafiado o favoritismo várias vezes ao longo das eliminatórias até chegar à fase final.

Uma vitória para qualquer um dos dois lados representaria um grande passo rumo a uma classificação inédita para a fase de mata-mata.

Foto de Axel Clody

Axel ClodyColaborador

Axel acompanha de perto todas as principais histórias do mundo do futebol, embora mantenha um carinho especial pelos clubes do norte da França — do Lens ao Lille, passando por Dunkerque — desde que se mudou da região

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