Volta do SBT a uma Copa do Mundo após 28 anos passa no teste e lembra Globo das antigas
Com equipe repleta de ex-globais, emissora paulista faz bom retorno na abertura do Mundial
A transmissão da primeira partida de uma Copa do Mundo em 28 anos no SBT foi um teste muito bem–sucedido. O canal mostrou a vitória do México sobre a África do Sul por 2 a 0. A emissora fundada por Silvio Santos (1930-2024) não exibia o maior torneio de futebol do planeta desde 1998, quando o Brasil perdeu a final para a França. Quase três décadas depois, o clima foi bem diferente e até lembrou uma Globo que ainda vive na memória de muita gente.
O time é repleto de ex-globais. Além do narrador Tiago Leifert, que fez carreira como apresentador e editor na Globo, ainda havia Raphael Rezende nos comentários e Nadine Basttos nas análises de arbitragem. A cerimônia de abertura teve narração de Galvão Bueno, que dispensa apresentações.
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A transmissão do SBT foi feita dos estúdios em São Paulo, enquanto a Globo transmitiu o mesmo jogo in loco com Gustavo Villiani e Roger Flores fazendo entradas do Estádio Azteca desde horas antes do pontapé inicial. Apenas o repórter do SBT, João Venturi, estava no local. Apesar desse ponto de desvantagem, o restante foi muito bom.
Análise da arbitragem é diferencial
O SBT hoje tem uma vantagem frente à Globo na questão de análises de arbitragens. Enquanto a Globo acabou com a função e mantém hoje em dia apenas o ex-árbitro Paulo César de Oliveira como consultor e sem participação no microfone durante as transmissões, o time do SBT tem em Nadine uma peça importante para que os lances polêmicos sejam interpretados e analisados na hora.
A entrada do VAR em ação aos 36 minutos do segundo tempo, por exemplo, foi notada de imediato como uma análise de cartão vermelho por Nadine no SBT, enquanto Villani e Roger demoraram um pouco mais a entender o que estava acontecendo na Globo.
Foi uma decisão errada da TV Globo abolir esse papel, mesmo com a antiga Central do Apito sendo muito ruim. Bastaria ter voltado ao formato tradicional eternizado por Arnaldo Cézar Coelho dentro da própria emissora.
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Os mais atentos aos detalhes também podem ter observado que foram tocadas versões do hino do México nos gols da seleção da casa. Mais um clássico do futebol da Globo, agora no SBT.
A famigerada batalha do delay, com as anteninhas sendo anunciadas pelos dois canais abertos nas últimas semanas, se confirmou com SBT e Globo bem à frente da CazéTV no YouTube. No nosso teste, foram 12 segundos de diferença.
Entre SBT e Globo no sinal aberto da antena, a situação depende de onde a pessoa mora. Em São Paulo, nosso teste mostrou o SBT entre 1 e 2 segundos na frente da TV Globo, o que pode ser explicado pela geração da transmissão ser feita na sede da emissora em SP, enquanto a Globo gera o sinal no Rio de Janeiro. Espaço aberto para nossos leitores de diversas partes do Brasil fazerem seus relatos também.
A narração de Tiago Leifert foi exatamente no ritmo mais cadenciado que nos acostumamos a ver na Champions League. Os mais haters do ‘gol dos caras’ não precisam se preocupar, pois na Copa do Mundo não haverá o uso dessa expressão, já que não há jogos de clubes brasileiros e as partidas do Brasil serão narradas por Galvão Bueno.
Como narração e estilo são questões de gosto, foquemos na qualidade do produto entregue no ar como um todo. O SBT tem uma boa equipe na Copa em parceria com a N Sports. As entradas no pré-jogo foram boas, informaram, cumpriram sua missão. A seleção brasileira foi tema no intervalo. Tudo dentro do que sempre vimos na Globo também.
No primeiro teste, o SBT passou. Além da parceria com um canal esportivo, a N Sports, e da presença de ex-globais, faz toda a diferença ser uma emissora que não caiu de paraquedas, e sim transmite futebol com consistência há seis anos. O maior período de futebol em peso na grade e sem interrupção na história do SBT.