Seleção francesa mais ofensiva da era Deschamps dá as caras na Copa, mas história mostra que pode mudar
Título de 2018 e vice de 2022 vieram com opções do treinador para tornar o time equilibrado e dar liberdade para estrelas
O técnico da seleção francesa, Didier Deschamps, é conhecido por seu conservadorismo no estilo de jogo, mesmo com tanto talento à disposição. Não é uma fama equivocada, afinal, foi a forma que ele tornou o time tão competitivo a ponto de bater duas finais de Copa do Mundo, conquistando uma. Para 2026, porém, ele tem optado por um caminho mais ousado.
Ao fim da Eurocopa 2024 e no ciclo das Eliminatórias, o comandante dos Bleus abandonou a ideia de um terceiro meio-campista, ainda mais com a aposentadoria de Antoine Griezmann, e amadureceu uma formação com praticamente quatro atacantes em algo próximo de um 4-2-4.
Kylian Mbappé fica como o camisa 9 de ataque ao espaço e liberdade para flutuar a outros setores; Désiré Doué, aberto pela esquerda — seria Hugo Ekitiké, movendo-se com Mbappé, se não fosse uma grave lesão –; e Ousmane Dembélé e Michael Olise se alternando entre a função de camisa 10 e ponta direita.
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A questão é que um nome desses do quarteto não está bem e há questionamentos sobre sua condição no time. Ao mesmo tempo, ao olhar para as duas Copas do Mundo anteriores, a França provou que sempre buscou uma compensação defensiva para ter o melhor de seus jogadores. Seria um indicativo para a caminhada neste Mundial?
Dembélé tem sua posição contestada na França
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Em termos físicos e técnicos, o atual Bola de Ouro não está bem. Dembélé, novamente um pilar no título da Champions League do PSG, chegou à seleção francesa desgastado, ilustrado em uma atuação discreta como camisa 10 no último amistoso antes do Mundial, contra a Irlanda do Norte, com apenas 37 ações com bola em mais de uma hora em campo.
“Esse foi praticamente um jogo para ele recuperar o ritmo”, assumiu Deschamps após a partida. Na estreia do Mundial frente a Senegal, na última terça-feira (16), o camisa 7 começou novamente como meia atrás de Mbappé, função bem diferente da de falso nove que faz por seu clube, e foi pouco acionado, sentindo o peso de estar em um setor tão marcado, e nada decisivo para colocar seu centroavante na partida.
Após o intervalo, o técnico trocou as funções de Olise e Dembélé. O craque do Bayern de Munique colocou Mbappé três vezes na cara do gol; na terceira, ele abriu o placar.
Aos 35 minutos, Dembélé, com nenhuma finalização rumo ao gol, só 26 passes certos e nenhuma chance criada, foi substituído por Bradley Barcola, que marcou de cavadinha o segundo gol do jogo em belo passe de Adrien Rabiot. A pressão pela saída do atacante tem ficado cada vez maior na mídia francesa.
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Em 2018 e 2022, seleção francesa se equilibrou com mais um meia
Uma possível saída do craque do PSG levanta a questão de quem poderia entrar em seu lugar. Apesar da vitória por 3 a 2, a França cedeu muitos espaços para o Senegal, que merecia ter aberto o placar no primeiro tempo, marcado por cinco finalizações, duas grandes chances e 0.43 gol esperado (xG em inglês) dos africanos — o lado francês somou apenas um chute e 0.03 xG.
A transição defensiva foi um fator importante e, quem sabe, ter um outro meia por dentro junto de Rabiot e Aurélien Tchouaméni possa ajudar. Se acontecer, não será raro para Deschamps, que teve nas duas últimas Copas essa alternativa para compensar as individualidades do time.
Em 2018, encontrou a estrutura que seria campeã mundial no segundo jogo da competição. Precisou colocar Blaise Matuidi como meia pela esquerda, flutuando para dentro para formar um trio com N’Golo Kanté e Paul Pogba, o que dava a sustentação necessária para o brilho de Mbappé, ainda ponta direita, e dos atacantes centrais Griezmann, se movimentando para ser um camisa 10, e Oliver Giroud.
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Já no Mundial passado, a equipe já chegou com uma ideia mais consolidada. Griezmann, em vez de um segundo atacante com liberdade, firmou-se como um meio-campista à direita, alinhado a Rabiot, à esquerda, com Tchouaméni como o primeiro volante.
Com isso, Mbappé saía da ponta esquerda para dentro com maior liberdade e poderia descansar sem bola em um 4-4-2. Dembélé era o ponta direita e o centroavante teve vários diferentes escalados, estrutura que levou o time ao vice.
Deschamps não tem receio de tirar um atacante se isso for necessário para que sua equipe seja mais equilibrada. A ver se em 2026 algo parecido irá acontecer. A segunda rodada ocorre nesta segunda (22), com o Iraque, em jogo que já pode garantir a classificação à fase de 16 avos.