Eliminatórias da Copa

Endrick vê mãe como exemplo para superar críticas e fazer história na Seleção Brasileira

Quarto mais jovem a estrear pela Seleção Brasileira, atacante do Palmeiras exalta Diniz e Pelé, e vê CR7 acima de Messi

Uma das grandes figuras da Seleção Brasileira nesta data Fifa é Endrick, de 17 anos. E o atacante do Palmeiras que se tornou o quarto jogador mais jovem a atuar pela Amarelinha, mesmo tão novo, já tem muita história para contar.

Em 2023, sua vida foi uma verdadeira montanha russa. Se começou com poucas chances como profissional, em pouco tempo tomou conta do time de Abel Ferreira e chegou à Seleção pelas mãos de Fernando Diniz.

Endrick chega motivado para enfrentar a Argentina pelas Eliminatórias da Copa do Mundo - Foto: Joilson Marconne/CBF
Endrick chega motivado para enfrentar a Argentina pelas Eliminatórias da Copa do Mundo – Foto: Joilson Marconne/CBF

Antes, entretanto, sentiu muito as críticas.

— Para mim, foi um começo de ano muito difícil, tinha 16 era um garoto que gostava de ver as coisas, ver as pessoas falando de mim. Só via as pessoas me criticando, eu só queria rebatê-las, provar o meu valor. Isso me deixou mal. Mas depois que eu fiz de 17 anos eu mudei a minha cabeça. Simplesmente estou feliz, estou feliz com a minha cabeça, não ligo para críticas, não ligo para nada. O que mais importa é a minha felicidade e a da minha família, e a das verdadeiras pessoas que estão ligando pra mim — afirmou, com personalidade.

E a força que chama a atenção no menino não é só física, mas também mental. Sua vida não foi fácil, mas Endrick soube tirar o melhor dela forjado pela mãe, Dona Cintia, seu principal exemplo.

— Excelente pergunta porque ninguém fala da minha mãe. E eu não saí de um ovo — disse, para prosseguir.

— Ela é muito guerreira. Quando fui para o Palmeiras, quem largou tudo para ir lá foi a minha mãe. A única pessoa que veio, que passou fome em São Paulo. Quando eu vi a minha família lá embaixo, jogava para deixar eles bem. Minha mãe foi a peça essencial de todo o trabalho, de toda a minha luta. Devo tudo à ela. Ela pega muito no meu pé. Quase não tenho amigos, não saio. Óbvio que eu queria sair, me divertir. Ela me ensinou que eu preciso me dedicar ao meu trabalho. Nas férias eu descanso. Quando eu estiver de boa, também tenho vida, tenho que me divertir. Mas quando estiver no meu trabalho é dedicação total — contou.

Endrick exalta apoio de Fernando Diniz na Seleção

Além de ter sido o responsável por sua convocação, o técnico Fernando Diniz também deu atenção especial ao jovem do Palmeiras. Na Granja Comary, tem tido conversas especiais e tratado de passar confiança ao menino.

— Não estava esperando a convocação, mas Deus faz as coisas no meu caminho. Sou um menino muito precoce. Achava que ia acontecer um pouco mais para frente. O Diniz é um excelente treinador, tenho essa felicidade de treinar com ele. Ele falou para eu ir para frente, atacar, se perder a bola não tinha problema. Depois que ele falou aquilo, fiquei mais leve, mais tranquilo. Espero que ele possa dar muito orgulho para a nossa Seleção — contou.

Endrick coloca Pelé e CR7 acima de Messi antes de Brasil x Argentina

O próximo confronto da Seleção não poderia ser maior para Endrick. Um Brasil x Argentina no Maracanã, em um jogo em que a Amarelinha encarará Lionel Messi, um dos maiores jogadores de todos os tempos. Mas não o maior, ao menos para o jogador do Palmeiras.

— Para mim o Pelé é o rei, não tem ninguém que vai chegar aos pés dele, para ser comparado. Só agradeço a Deus por ele ter existido e eu ter podido ver filmes dele. Sobre o Messi, é um cara fenomenal, melhor do mundo novamente neste ano. Só quero desfrutar o momento de jogar contra ele, estar no mesmo estádio do que ele, um cara que eu só via no videogame. Eu sou mais fã do Cristiano Ronaldo, e o Guilherme brincava muito comigo, do Messi ser o melhor. Vai ser uma experiência maravilhosa ver o Messi de perto — contou.

O adversário já é conhecido de Endrick, ao menos nas divisões de base. No Torneio de Montaigu, na França, no ano passado, ele já teve o gostinho de enfrentar, vencer e levantar uma taça sobre a Argentina. Com direito a briga em campo.

— Eu vim aqui na Granja algumas vezes, treinei aqui, senti o ambiente do que era o Brasil, do que os profissionais sentiam. E quando eu cheguei aqui, no início do torneio, a minha expectativa era chegar na final, porque o Brasil não ganhava há muito tempo, e tinha um gostinho por ser contra a Argentina. Felizmente consegui marcar um gol e sofrer um pênalti, marcado pelo Luiz Guilherme. Foi um gosto muito bom vencer a Argentina, ser campeão em cima deles.

Brasil e Argentina se enfrentam na terça-feira, às 21h30 (de Brasília), no Maracanã, pela sexta rodada das Eliminatórias.

Foto de Caio Blois

Caio BloisSetorista

Jornalista pela UFRJ, pós-graduado em Comunicação pela Universidad de Navarra-ESP e mestre em Gestão do Desporto pela Universidade de Lisboa-POR. Antes da Trivela, passou por O Globo, UOL, O Estado de S. Paulo, GE, ESPN Brasil e TNT Sports.
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