Eliminatórias da Copa

O encontro de Endrick com Messi evoca um inevitável olhar de continuidade e passagem de bastão

O futuro atacante do Real Madrid e o ex-astro do Barcelona atraem as atenções dos amantes do futebol para Brasil x Argentina

Depois da conquista da Copa do Mundo no ano passado com a Argentina, Lionel Messi chegou a um lugar onde poucos jogadores se colocaram em um nível global: ver atletas jovens sendo especulados como futuras versões suas: o “novo Pelé”, o “novo Maradona”, o “novo Ronaldo” e, agora, o “novo Messi”.

Pela posição e pela nacionalidade, Endrick tem uma comparação com o camisa 9 pentacampeão em 2002 mais palpável do que com o capitão do tricampeonato argentino do Qatar. Mas como Messi, dentre os maiores astros do planeta, ainda é aquele em nível mais alto e maior proximidade continental, é fácil para os amantes do futebol verem uma simbólica passagem de bastão no confronto da terça-feira (21).

A pouca idade do brasileiro, inversamente proporcional ao seu talento, fazem do embate de Messi com Endrick um jogo cercado de expectativa, em especial nos três países mais envolvidos na questão: o Brasil, a Argentina e, por motivos de rivalidade intra-nacional, a Espanha.

Afinal, Messi é tão querido na Catalunha do seu Barcelona quanto na Argentina. E é justamente a Madri do arquirrival Real, o próximo destino do talentoso atacante do Palmeiras.

É previsível que o camisa 9 alviverde tenha minutos no Brasil x Argentina do Maracanã. Fernando Diniz, ao contrário do antecessor Tite, não é um treinador de enorme apego a hierarquias, como se diz no mundo boleiro, na hora de colocar atletas para jogar. De modo que, assim como em Cali na última rodada, Endrick deve ter minutos no gramado no Rio – para coroar uma vitória ou tentar reverter uma derrota.

Fazer o que gosta

O maior clássico da América do Sul está entre os maiores desafios da curta carreira de Endrick e sem dúvida representa uma escalada de patamar. A ponto de emocionar aqueles que o cercam.

“Se ele tiver a oportunidade de entrar contra a Argentina, que ele faça o que mais gosta de fazer, que é jogar com alegria, com sabedoria, brincar com a bola, mas com responsabilidade. E que se ele tiver oportunidade de fazer a alegria do povo brasileiro com um gol, que seja feita a vontade do senhor, e que possa sair com os três pontos”, disse Douglas Ramos, o pai do atleta à ESPN, diretamente da concentração da seleção em Teresópolis, no Rio.

“Passa um filme, porque eu sempre tive dificuldade (na vida). Trabalhava no Palmeiras na limpeza. Vendi café da manhã em São Paulo e não me arrependo nenhum momento de tudo que eu fiz, porque eu sei que que tudo o que eu fiz hoje está sendo glorificado vendo meu filho com a camisa da seleção. Difícil, difícil de falar. Eu sempre falo que nunca vou chorar, mas não tem como porque passa um filme, sabe? E vendo meu filho. Ver meu filho vestindo a camisa da seleção. É surreal. É coisa de Deus? É. Difícil de dizer”, resumiu o pai de Endrick.

Se tudo acontecer como se espera, em uns 20 anos, é bem possível que o mundo do futebol esteja pensando também em quem será o “novo Endrick”.

Foto de Diego Iwata Lima

Diego Iwata Lima

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, Diego cursou também psicologia, além de extensões em cinema, economia e marketing. Iniciou sua carreira na Gazeta Mercantil, em 2000, depois passou a comandar parte do departamento de comunicação da Warner Bros, no Brasil, em 2003. Passou por Diário de S. Paulo, Folha de S. Paulo, ESPN, UOL e agências de comunicação. Cobriu as Copas de 2010, 2014 e 2018, além do Super Bowl 50. Está na Trivela desde 2023.
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