Eliminatórias da Copa

Brasil x Argentina ainda rende: Di María cuspiu em torcedores que o hostilizaram no Maracanã

Enquanto a seleção argentina ia para o vestiário do Maracanã, Ángel Di María foi acertado por uma bebida e respondeu com uma cusparada

O Brasil e Argentina realizado na terça-feira (21) pela sexta rodada das Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2026 ainda está dando o que falar. Não tanto pelo que aconteceu dentro de campo na derrota brasileira por 1 a 0 para a Albiceleste, mas sim pelas muitas confusões envolvendo torcedores que compareceram ao Maracanã. A polêmica da vez é um vídeo em que o jogador Ángel Di María aparece cuspindo na direção das arquibancadas.

O registro foi feito por um torcedor no momento em que a seleção argentina retornava ao vestiário em meio à briga do setor sul do Maracanã que atrasou o início do clássico em aproximadamente 30 minutos. No vídeo, jogadores argentinos batem-boca com torcedores até serem atingidos por uma bebida. É aí que Di María se aproxima e cospe na direção de torcedores brasileiros.

A cena passou despercebida no dia da partida. Passada a confusão generalizada e algumas invasões ao gramado, a seleção argentina retornou ao gramado e o jogo aconteceu normalmente. Di María, inclusive, substituiu Lionel Messi e recebeu do camisa 10 a braçadeira de capitão 33 minutos do segundo tempo. O camisa 11 pouco fez, tendo perdido a bola quatro vezes e acertado somente dois dos cinco passes que tentou segundo o Sofascore.

É mais do que compreensível que Di María e os outros jogadores argentinos tenham se irritado com a confusão ente a Polícia Militar e torcedores argentinos no setor sul do Maracanã. Também é completamente entendível que o jogador do Benfica tenha se exaltado ainda mais ao ter sido acertado por uma bebida naquele momento por um torcedor do maior rival. Mas responder com uma cusparada ultrapassou qualquer limite. A atitude triste e nojenta não é novidade no futebol, mas é sempre repugnante e ainda foi contra o discurso do próprio nas redes sociais depois da partida.

— Infelizmente não podemos deixar passar os acontecimentos que surgiram no estádio. Ninguém merece esse mau-tratamento ou os golpes. As famílias e as crianças assustadas no meio de um estádio onde a única coisa que deveria ter acontecido é ver e curtir uma partida dentro do que é o folclore do futebol. Espero que esse tipo de coisa não aconteça novamente. Nós, como jogadores, sempre defenderemos nosso povo, sem dúvida — escreveu Di María, que não se pronunciou sobre a cusparada, no Instagram.

Último jogo de Eliminatórias

A cuspida na direção de torcedores brasileiros marca negativamente a última partida de Ángel Di María pelas Eliminatórias Sul-Americanas. Na mesma publicação em que condenou a violência policial contra os argentinos no Maracanã,  o jogador voltou a confirmar que se aposentará da seleção argentina após a Copa América de 2024.

— Bom, chegou minha última partida das Eliminatórias. Não consigo expressar em palavras o quanto os aplausos do povo enchem minha alma nesta última vez. Aproveito cada segundo desse carinho e dos meus companheiros, meus amigos. Sem eles, esta história não teria o mesmo significado. O amor de cada um deles me fez ser quem sou hoje — publicou pouco tempo depois do fim do clássico.

— A Copa América será a última vez que vestirei a camisa argentina. Com toda dor na alma e sentindo um nó na garganta, me despeço da coisa mais linda que aconteceu comigo na minha carreira, vestindo-a, suando e sentido com todo orgulho. Obrigado torcedor, obrigado família, obrigado amigos e companheiros, continuamos fazendo história e isso permanecerá por toda a eternidade — concluiu.

Além de ter sido sua despedida nas Eliminatórias, o duelo contra o Brasil no Maracanã também fez com que Di María igualasse Javier Zanetti como o segundo jogador com mais jogos pela Argentina no torneio classificatório. Agora, ambos disputaram 51 partidas pela competição.

Di María ainda é o quarto com mais jogos somando todas as competições, com 136 participações, e o sétimo maior artilheiro da seleção argentina, com 29 gols. Autor do gol do título da Copa América de 2021 no Maracanã em cima do Brasil e tendo marcado também nas finais da Finalíssima e da Copa do Mundo de 2022, o meia-atacante indiscutivelmente é um dos maiores que já vestiram a camisa Albiceleste. Uma pena que um dos atos finais de uma história tão linda tenha sido tão lamentável como foi a cusparada.

Foto de Felipe Novis

Felipe Novis

Felipe Novis nasceu em São Paulo (SP) e cursa jornalismo na Faculdade Cásper Líbero. Antes de escrever para a Trivela, passou pela Gazeta Esportiva.
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