Copa do Mundo

Cucurella, ‘nunca o contrataria’: Cabelo como marca e consolidação surpresa na Espanha

Lateral-esquerdo tem carreira marcada por resiliência e chega a Copa do Mundo de 2026 como peça importante da favorita ao título

Para celebrar a primeira Copa do Mundo com 48 times e colocar o nosso leitor mais no ritmo de Copa, a Trivela iniciou uma série diária com um perfil para que você conheça um pouco mais sobre um jogador de cada uma das 48 seleções.

Veja os outros perfis já postados aqui.

Marc Cucurella foge do tipo padrão atlético de jogador de futebol. Ostentando uma cabeleira pouco comum, o lateral-esquerdo não se destaca por sua força física ou velocidade. Ele chama atenção por sua dedicação e leitura para o melhor posicionamento. A fama de “chato” não tira sua qualidade, e o jogador será um titular absoluto da Espanha na Copa do Mundo de 2026.

O espanhol do Chelsea sofre muito ódio nas redes sociais, muito por sua postura mais ríspida em campo. Durante o Mundial de Clubes, foi alvo de brasileiros ao ter disputas quentes com Estêvão, à época no Palmeiras.

Eu sou chato e intenso, mas normalmente não entro para machucar“, explicou-se ao “As” no ano passado.

O título mundial pelos Blues foi sua maior conquista no futebol de clubes. Sua trajetória até chegar ao gigante inglês teve rejeição, luta para se consolidar e volta por cima. Tudo isso contribuiu para que chegasse à seleção espanhola, a maior favorita para conquistar a Copa, como um pilar.

Cucurella teve que se provar em clubes menores até o salto

Marc Cucurella em jogo do Barcelona, em 2018
Marc Cucurella em jogo do Barcelona, em 2018 (Foto: IMAGO / AFLOSPORT)

Desde os primeiros passos de Cucurella no futebol, nas bases de Espanyol e Barcelona, ele tinha um longo cabelo. No início, era uma forma de se diferenciar em um campo tão grande como o do futebol. Hoje, virou sua marca registrada e parte da sua identidade.

— Minha família e a minha mãe gostavam que eu tivesse o cabelo assim. Quando cresci, todo mundo me reconhecia e dizia: ‘Olha o cabelo dele’. E agora acho que faz parte de quem eu sou. É a minha marca, minha forma de me destacar da multidão — disse ao site da Uefa em 2025.

O garoto já cabeludo chegou ao Barça aos 14 anos, mas sofreu uma inusitada “exclusão” de seus novos companheiros. Nas primeiras semanas, o defensor foi ignorado porque, um mês antes, havia vencido um título e comemorado de forma exagerada na frente de seus futuros colegas.

— Ele tirou a camisa, enlouqueceu, e o mais louco é que, um mês depois, já tinha assinado com o Barcelona. Quando ele chegou ao Barça para a pré-temporada, lembro que nós nem conseguíamos olhar para ele. Ele também não queria olhar para nós, estava meio constrangido — contou o ex-colega do defensor Carles Aleñá ao “The Sun”.

Cucu nunca foi tratado como uma enorme joia na midiática base de La Masia. Até por isso, estreou no time principal do Barça em 2017, pela Copa do Rei, e nunca mais jogou por eles. Precisou chegar ao modesto Eibar para, finalmente, mostrar suas credenciais.

Em uma temporada, destacou-se e o técnico do time na época, José Luis Mendilibar, o primeiro que lhe deu oportunidades de verdade, fez uma análise sincera: se fosse pelas estatísticas, jamais o traria para o time. “Ele não é rápido nem forte“, assumiu.

— Em todos esses testes que fazemos, com tantas máquinas, ele não se destaca em nenhum [ranking de estatísticas]. Ou seja: você nunca contrataria esse cara. Mas ele é jogador de futebol. É inteligente. Toma boas decisões. E, no fim, você sempre o coloca para jogar.

Mendilibar fez o diagnóstico perfeito. Cucurella trocou o Eibar pelo Getafe. Em duas temporadas, titular absoluto. Mudança ao Brighton, uma temporada na Premier League, dono da lateral esquerda e transferência de mais de 65 milhões de euros ao Chelsea no meio de 2022, em meio a interesse do Manchester City. Aí, veio outro drama na vida de um cara resiliente.

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Início no Chelsea foi marcado por drama pessoal

Cucurella chegou à grande oportunidade da sua carreira com o peso de ser uma contratação milionária, mas não se firmou de cara. Conviveu com críticas na primeira temporada por seu desempenho e sentiu a pressão de um time que tem a obrigação de vencer sempre, bem diferente de Getafe, Eibar e Brighton.

Ao mesmo tempo em que sofria em campo no Chelsea, ele ainda lidava com problemas pessoais. Sua casa foi invadida por ladrões, o que assustou sua esposa. Ao mesmo tempo, o filho mais velho do casal, Mateo, uma criança autista, encontrava dificuldades para se adaptar.

— Na escola, ele ficava triste, não estava feliz. Não se adaptou, estava sempre chorando. Tínhamos de ir buscá-lo. E isso também nos afeta muito, porque vemos que o nosso filho não está bem e não sabemos como ajudar — disse em entrevista ao “La Media Inglesa”.

Os pais do garoto encontraram uma escola que o cuidava da forma necessária em Londres. Cucurella, com o apoio de uma psicóloga, também conseguiu se adaptar, em especial a partir da temporada 2024/25, com o título da Conference League e do Mundial. A retomada definitiva veio, justamente, após a seleção espanhola entrar na sua vida em definitivo.

Lateral supera concorrência absurda na seleção espanhola

Com presença nas seleções de base da Espanha, Cucurella foi chamado ao grupo principal em 2020 e estreou no ano seguinte, mas ele não esteve na Copa do Catar e só foi realmente se consolidar em 2024.

O técnico Luis de la Fuente, assumindo para o ciclo do Mundial de 2026, precisava de uma solução para sua lateral esquerda. Testou Jordi Alba, Juan Bernat, Fran García, José Gayà, Alejandro Balde, Afonso Pedraza e Alex Grimaldo em um ano. Ninguém se firmou.

O lateral-esquerdo do Chelsea, na primeira chance, teve bom jogo contra o Brasil. Nos dois amistosos antes da Eurocopa 2024, destacou-se. A disputa era pesada. Grimaldo chegava como um dos melhores do mundo pela temporada quase perfeita do Bayer Leverkusen.

De la Fuente, que trabalhou com Cucu na Espanha sub-19 e 21, não teve receio de colocá-lo como titular, o que surpreendeu na época. A aposta se mostrou certeira, com o defensor titular por toda a campanha com ótimo nível e terminando com assistência para o gol de Mikel Oyarzabal que deu o título aos espanhóis.

Cucurella, ao falar da taça da Euro para a Uefa, mostrou-se com vontade de mais. “Quando se ganha um troféu, se quer mais e abre-se o apetite para vencer mais”. A Copa do Mundo de 2026 pode ser essa adição ao lateral que virou o dono surpresa da posição em uma carreira de altos, baixos, superação e muita dedicação.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

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