Melhor ou pior? Comparamos o elenco atual do Brasil com as últimas Copas do Mundo
Comparamos o time de Ancelotti às últimas seleções do Brasil desde o penta
Carlo Ancelotti anunciou nesta segunda-feira (18) a lista oficial dos 26 jogadores que irão à Copa do Mundo de 2026. Com Neymar em uma última oportunidade, como a seleção brasileira que tentará o hexacampeonato se compara com os times dos últimos Mundiais?
Desde a conquista do penta, em 2002, o Brasil teve times estrelados, momentos de entressafra e gerações coesas que estiveram muito perto do título. É justo dizer que a equipe que Ancelotti levará aos Estados Unidos, Canadá e México tem potencial, mas não é a melhor das últimas edições.
Brasil pós-Copa do Mundo de 2002 foi estrelado antes de queda abrupta
A geração de 1994-2002 da Seleção teve uma sequência histórica na Copa do Mundo. Três finais consecutivas e, curiosamente, na mais talentosa, um vice. Mas o pós-penta ainda contou com uma equipe gigantesca.
O time comandado por Carlos Alberto Parreira em 2006 entra no patamar dos grandes elencos da história das Copas, ao menos no papel. O famoso quarteto mágico de Ronaldinho, Kaká e Adriano, no auge, com Ronaldo Fenômeno não chegou perto de ser reproduzido nos anos posteriores.
Praticamente todo o elenco de 2006 era superior. Dida, Rogério Ceni e Júlio César era um trio de goleiros bem melhor do que Alisson, Ederson e Weverton são, atualmente — apesar do goleiro do Liverpool ser um dos grandes da posição na história do país.
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Cafu e Roberto Carlos já eram os maiores laterais da história, mesmo já passados do auge, são nomes infinitamente maiores aos atuais. Lúcio e Juan eram dois dos grandes zagueiros da Bundesliga, que talvez briguem em pé de igualdade com Marquinhos e Gabriel Magalhães. Cicinho, Luisão, Cris e Gilberto também era um elenco de apoio melhor na defesa do que temos hoje.
O meio-campo de 20 anos atrás quase não precisa ser comparado. Ronaldinho Gaúcho era Bola de Ouro, Kaká seria no ano seguinte, enquanto Zé Roberto e Gilberto Silva eram astros do mais alto nível europeu. Juninho Pernambucano, heptacampeão consecutivo na França, ainda era reserva. Mineiro e Ricardinho eram os ‘patinhos feios’ daquele time.
Raphinha e Vinicius Júnior viveram temporadas históricas nos últimos anos e é justo colocá-los em pé de igualdade com os grandes nomes daquela geração. O saudosismo pode cegar, bem como o desempenho superior dos nomes de 2006 na Seleção em comparação com a dupla atual, mas como jogadores em seus clubes, é uma briga justa.
Ronaldo estava longe de seu melhor momento, mas aos 29 anos, ainda era um jogador superior a qualquer centroavante de 2026. Adriano vivia seu auge, Fred era astro na França e Robinho começava a explodir no Real Madrid, apesar de nunca chegar ao seu nível. O time de 2006 era de fato muito superior.
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Entressafra e a era Neymar na seleção brasileira
A Copa de 2010 foi um marco da uma entressafra. Sem Ronaldinho e Ronaldo, com Kaká lesionado e Adriano sem se manter em grande nível, os maiores nomes do Brasil deixaram a Seleção.
Júlio César era um dos melhores goleiros do mundo, mas Gomes e Doni não estavam perto do seu nível. Maicon e Daniel Alves eram provavelmente os melhores laterais-direitos do mundo, Lúcio foi crucial na Inter campeã da tríplice coroa e Juan seguia em alto nível, apesar de não mais no auge. A lateral-esquerda, no entanto, era o calcanhar de Aquiles.
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A defesa atual briga com a de 2010 como não brigava com a de 2006, mas ainda é inferior no conjunto da obra. Luisão era grande nome do Benfica e foi importante no ciclo, enquanto Thiago Silva já era grande nome no Milan que seria campeão em 2011.
O meio-campo atual, no entanto, é melhor. Felipe Melo foi injustiçado, mas era um grande nome na Juventus, embora nunca tenha chegado no nível de Casemiro. Gilberto Silva, no Panathinaikos, já estava longe do seu auge, enquanto Elano teve um bom início de Copa, mas não era naquele momento um jogador no nível atual de Bruno Guimarães, por exemplo.
Kaká estava lesionado e se arrastando para ser a salvação do Brasil, e até conseguiu entregar um bom torneio, mas nunca mais foi o mesmo depois de tantos problemas físicos. Josué, Ramires, Júlio Baptista e Kléberson também não eram nomes que poderiam mudar jogos.
No ataque, Luís Fabiano vivia grande momento e Robinho havia voltado ao Brasil depois de passagens frustrantes na Europa, apesar de ter sido destaque na Copa. O ataque atual é superior: Vinícius Júnior, Matheus Cunha e Raphinha, por exemplo, são superiores no momento atual. Nilmar e Grafite, apesar de também viverem bons momentos em clubes, não davam a profundidade com qualidade que Luiz Henrique, Martinelli e Neymar, por exemplo, dão atualmente.
O 7 a 1 em 2014 era inferior ao que o Brasil tem hoje
Em 2013, já com Neymar craque do time, o Brasil foi campeão da Copa das Confederações e “iludiu” uma geração. O time de 2014 veio em um ciclo também quebrado, com mudança de treinadores e perfis de trabalho. Saiu de um Mano Menezes que testou um 4-4-2 com dois falsos noves para um Felipão claramente mais conservador.
Peça por peça, era um bom time. Os goleiros de hoje são superiores a Jefferson e Victor, apesar de destaques na época, e um Júlio César em declínio. Daniel Alves ainda era um dos melhores laterais do mundo, assim como Marcelo vivia boa ascensão, mas Maicon estava em clara queda e Maxwell não estava no mesmo nível do titular. Ainda assim, as opções atuais não inspiram a confiança que os titulares de 2014 passavam.
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Thiago Silva e David Luiz, apesar de qualquer avaliação posterior, era uma excelente dupla de dois dos grandes zagueiros do mundo na época. É justo dizer que Marquinhos e Magalhães se equiparam, talvez com leve vantagem, mas é uma boa briga. O meio-campo atual, no entanto, é melhor.
Fernandinho ainda não havia se estabelecido tanto quanto em 2018, Paulinho não vinha rendendo no Tottenham e Oscar era um bom braço direito de Neymar, mas nunca chegou no nível que Raphinha atingiu, por exemplo. Casemiro e Bruno Guimarães também são melhores do que a dupla de volantes de 12 anos atrás.
Apesar da Bola de Ouro, Vinícius nunca chegou perto do nível de Neymar na seleção brasileira. Mesmo com 22 anos, Neymar carregou o Brasil naquela Copa e vinha em grande crescimento no Barcelona — no ano seguinte, seria campeão e artilheiro da Champions League, além de terceiro melhor do mundo. Hulk era inconstante, apesar do destaque no Porto e Zenit, e era um nome superior ao que Luiz Henrique é atualmente.
O banco do 7 a 1, no entanto, não inspirava tanto. Dante e Henrique não brilhavam os olhos, enquanto Ramires parecia em declínio no futebol europeu. Hernanes viveu bons anos na Itália e Luiz Gustavo iria para o Bayern de Munique após grande ano no Wolfsburg. Willian era um ótimo ponta reserva, enquanto Bernard e Jô surfaram o bom ano com o título da Libertadores o Atlético Mineiro em 2013.
Atualmente, o banco é superior. Rayan e Endrick são joias superiores aos jovens de 2014, enquanto Igor Thiago é vice-artilheiro da Premier League, Danilo é um dos grandes jogadores do Brasileirão e Paquetá vem de ciclos como um nome muito importante na Seleção. No fim, é uma disputa parelha, com vantagem para o time atual.
A era Tite e dois times com grandes chances de vencer a Copa do Mundo
As melhores chances de título da seleção brasileira desde 1998 foram na era Tite, possivelmente em 2022. Era o time mais completo, coeso e com melhores resultados e preparação. Fatalidades contra Bélgica e Croácia impediram um sucesso maior.
Tite na Seleção Brasileira:
⚔️ 66 jogos
✅ 49 vitórias
❌ 5 derrotas
📊 80.3% aproveitamento
⚽️ 138 gols pró (2.09 / j!)
🚫 24 gols sofridos (0.36 / j!)
👟 5.3 chutes p/ marcar gol
⚠️ 14.2 chutes p/ sofrer gol
📈 60% posse
🏆 1 título— Sofascore Brasil (@SofascoreBR) October 28, 2021
Alisson e Ederson eram dois dos melhores goleiros do mundo na época, e Cássio vinha de um título brasileiro em 2017 com o Corinthians. Em 2022, Weverton era pilar de um Palmeiras histórico. Os dois trios da era Tite eram superiores.
Na defesa, Marquinhos vivia fase melhor, Miranda era crucial em 2018 e Thiago Silva já estava consolidado como um dos grandes zagueiros de todos os tempos. Militão, que foi em 22, seria titular atualmente. Talvez o 2026 de Bremer seja superior ao da Copa passada, mas é o único nome que briga com seu rival direto (ele mesmo).
Em 2018, Danilo e Fagner era uma dupla superior a Wesley e Ibañez (e o Danilo atual, que mal deve jogar). Em 2022, Daniel Alves foi uma grande polêmica, mas ainda era um jogador que ainda entregava desempenho, mesmo que não como antes. A direita era superior antes.
A esquerda, com Filipe Luís e Marcelo, em 2018, nem se compara. Quatro anos depois, Alex Sandro e Alex Telles era um downgrade, mas superior ao Alex Sandro atual e Douglas Santos. A defesa era bastante superior.
No papel, o time de 2018 pode ser considerado melhor. Eram jogadores de mais nome, que jogava um futebol mais vistoso. Mas o de 2022 era quase perfeito, mal perdia e quase nunca sofria gols. Casemiro, Fernandinho e Paulinho era um trio de volantes excelente na primeira Copa de Tite. Casemiro, Fabinho e Fred também era ótimo, por mais que inferior. Mas ambos são superiores ao meio atual, com o volante do United já longe daquele nível, apesar de Guimarães ter evoluído.
Paquetá foi crucial em 2022 e vivia melhor momento do que o que vive hoje. Éverton Ribeiro era possivelmente o melhor jogador do Brasil e era um completo coadjuvante. Em 18, Pilippe Coutinho e Renato Augusto eram pilares fundamentais para o time e foram destaques no ciclo. Nenhum meia brasileiro teve constância como eles no ciclo para a Copa de 2026.
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Em 2018, Douglas Costa e Willian eram excelentes pontas, em times gigantes e vivendo grande fase, enquanto Taison era o “patinho feio”. Em 22, Antony, Rodrygo e Martinelli ainda começavam a desabrochar, e Raphinha chegava ao Barcelona com desconfiança. Vini chegava perto do nível de Bola de Ouro, mas ainda era coadjuvante no Brasil.
O Vinicius e o Raphinha de hoje são melhores do que os de 2022. Martinelli também, e Luiz Henrique e Rayan chegam em alta, mas é difícil dizer que os pontas de 2026 superam os de 2018, que ainda tinham Neymar no auge, apesar de chegar após uma lesão no metatarso.
Os atacantes de 2018 eram superiores. Gabriel Jesus foi crucial no fim do ciclo e vestiu a 9 sem peso desde 2016, apesar das críticas por não ter marcado na Copa. Roberto Firmino, seu reserva, era fundamental em um Liverpool com um dos grandes ataques da história da Premier League. Em 2022, Pedro era o “patinho feio” e reserva de Richarlison que, mesmo inconstante em clubes, entregava na Seleção até aquele momento.
Há o argumento de que os atacantes de 2026 são superiores aos de 2022. Igor Thiago vive grande momento e Endrick chega com ar de iluminado, além de um versátil Matheus Cunha. Mas não é um trio superior à dupla de 2018.
O veredito: o Brasil 2026 está à frente de quem?
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Não são apenas 26 nomes. São 26 corações que sonharam com esse momento.
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— brasil (@CBF_Futebol) May 18, 2026
O time de Ancelotti é superior na média ao de 2010 e leva vantagem no gol e do meio para frente na comparação com 2014, com a ressalva de Neymar. Mas sofre se comparado a outras equipes recentes.
No papel, não há comparação com 2006. Tanto por nomes quanto por momento atual na época de cada convocação. Nem com 2018: era um time melhor, que vinha em excelente fase e um grupo coeso, mesmo com Tite pegando metade do ciclo.
O time de 2022, no papel, pode gerar o debate em diferentes setores, mas também era um time melhor. E, mais do que isso, desempenhava bem o suficiente para ser campeão. A equipe de Tite estava pronta mentalmente para ser campeã. A de Ancelotti ainda não parece ter chegado perto disso.