O que a Escócia, adversária do Brasil, trouxe de surpresa em sua convocação para a Copa
Técnico Steve Clarke mistura experiência, riscos físicos e renovação em busca de uma campanha inédita para os escoceses no Mundial
A convocação da Escócia para a Copa do Mundo de 2026 trouxe algumas escolhas que rapidamente viraram tema de debate no país. Adversária do Brasil no Grupo C, a seleção comandada por Steve Clarke manteve a espinha dorsal que garantiu a classificação direta nas Eliminatórias Europeias, mas também abriu espaço para decisões cercadas de expectativa, especialmente pela condição física de alguns jogadores e pelas apostas ofensivas feitas para o torneio.
A Escócia chega ao Mundial embalada por uma campanha sólida num grupo que tinha Dinamarca, Grécia e Belarus. A equipe terminou na liderança com quatro vitórias, um empate e uma derrota, confirmando a evolução construída nos últimos anos sob o comando de Clarke.
Agora, a tentativa é transformar essa consistência em uma campanha histórica, já que os escoceses nunca conseguiram ultrapassar a fase de grupos em suas oito participações anteriores em Copas do Mundo.
Ainda assim, a lista final divulgada nesta terça-feira (19) mostrou que o treinador preferiu correr alguns riscos. A presença do goleiro veterano Craig Gordon, mesmo sem atuar desde fevereiro, chamou atenção imediatamente. No ataque, o retorno de Ross Stewart após anos marcados por lesões também virou um dos assuntos da convocação.
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Confiança em veterano gera debate no gol da Escócia
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A principal surpresa talvez tenha vindo justamente da insistência de Steve Clarke em apostar na experiência de Craig Gordon. Aos 43 anos, o goleiro do Hearts será o jogador mais velho do elenco escocês e retorna ao radar da seleção mesmo sem atuar desde fevereiro, quando sofreu uma lesão no ombro. Na atual temporada, Gordon entrou em campo por apenas 225 minutos, distribuídos em três partidas disputadas em janeiro.
A escolha do treinador ganhou ainda mais repercussão porque o veterano sequer esteve na Eurocopa de 2024. Mesmo assim, Clarke decidiu mantê-lo entre os convocados após utilizá-lo nos dois últimos jogos das Eliminatórias para a Copa, em novembro. A avaliação interna é de que a experiência acumulada pelo goleiro pode compensar a falta de ritmo de jogo.
Gordon, Angus Gunn e Liam Kelly serão as opções de Clarke para a posição de arqueiro. Os três somam somente sete partidas por seus clubes nesta temporada. Em entrevista coletiva, o técnico reconheceu que a situação exige cautela, mas demonstrou confiança.
— É sempre difícil quando você tem goleiros que não estão jogando regularmente. Desde que estejam se esforçando ao máximo nos treinos, você acredita que eles podem entrar em campo e jogar várias partidas — disse o comandante durante coletiva.
Clarke também revelou ter recebido avaliações positivas do Hearts sobre a condição física de Gordon antes da definição da lista final. Além disso, o histórico do veterano pesou na decisão. O goleiro estreou pela seleção escocesa ainda em 2004 e soma mais de 80 convocações.
Para o treinador, a capacidade de reação do veterano após sucessivas lesões ajuda a justificar sua presença entre os 26 nomes: “Ele demonstrou uma resiliência tremenda. Ele merece estar lá. Se ele tiver dificuldades, temos a opção de trocá-lo”, concluiu.
Ataque mistura retomadas e juventude
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Se o gol apresentou dúvidas físicas, o ataque escocês também trouxe novidades relevantes. O principal caso é o de Ross Stewart. O atacante do Southampton voltou a ser convocado após quatro anos afastado da seleção principal, período em que conviveu com uma longa sequência de problemas físicos.
A reta final de temporada, porém, recolocou Stewart no radar de Clarke. O atacante soma 11 gols em 33 partidas pelo Southampton e teve participação importante na campanha do clube, incluindo um gol diante do Middlesbrough na semifinal dos playoffs da Championship.
— É uma boa história. Ross, obviamente, esteve no meu elenco há alguns anos, mostrando que podia chegar a este nível, e teve um bom desempenho na equipe. Ele teve uma sequência terrível de lesões — afirmou Clarke.
O técnico acredita que Stewart pode ser uma peça útil justamente em partidas equilibradas e de maior exigência física, cenário que a Escócia espera encontrar durante a Copa do Mundo.
— A partir de janeiro, ele tem apresentado uma excelente fase, demonstrando que consegue marcar gols importantes em jogos decisivos. No jogo contra o Arsenal, pela Copa da Inglaterra, ele mostrou que pode ter impacto em partidas desse nível. A Copa do Mundo também será de altíssimo nível. Ele já mostrou que consegue marcar gols saindo do banco de reservas.
Outro nome que apareceu como aposta foi o ponta Findlay Curtis, de 19 anos. Ligado ao Rangers, o atacante terminou a temporada em alta no Kilmarnock, onde marcou cinco gols e chamou atenção pela capacidade de acelerar o jogo pelos lados do campo. Clarke valorizou justamente o perfil diferente apresentado pelo jovem atacante.
— Fiquei impressionado com ele quando o trouxe para a seleção em março. Ele se adaptou muito bem e tem algo um pouco diferente do que nós temos. Ele também mostrou que consegue marcar um ou dois gols em um time do Kilmarnock que estava lutando contra o rebaixamento do Campeonato Escocês. A equipe terminou bem, Findlay terminou a temporada em ótima posição e é bom ter um jogador jovem no elenco.
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Se Curtis ganhou espaço, Lennon Miller acabou ficando pelo caminho. O meio-campista da Udinese vinha participando regularmente das convocações e disputou 25 partidas na temporada europeia, mas perdeu lugar por uma questão de composição de elenco.
— Lennon é muito jovem. Ele já tinha participado de algumas convocações. Eu simplesmente achei que, com o equilíbrio que tenho no meio-campo, seria melhor levar outro atacante do que mais um meio-campista. — concluiu.
Confira a lista de convocados da Escócia para a Copa
- Goleiros: Craig Gordon (Heart of Midlothian), Angus Gunn (Nottingham Forest) e Liam Kelly (Rangers);
- Defensores: Grant Hanley (Hibernian), Jack Hendry (Al-Ettifaq), Aaron Hickey (Brentford), Dom Hyam (Wrexham), Soctt McKenna (Dínamo Zagreb), Nathan Patterson (Everton), Anthony Ralston (Celtic), Andy Robertson (Liverpool), John Souttar (Rangers) e Kieran Tierney (Celtic);
- Meio-campistas: Ryan Christie (Bournemouth), Findlay Curtis (Kilmarnock), Lewis Fergunson (Bologna), Ben Gannon-Doak (Bournemouth), Billy Gilmour (Napoli), John McGinn (Aston Villa), Kenny McLean (Norwich City) e Scott McTominay (Napoli);
- Atacantes: Che Adams (Torino), Lyndon Dykes (Charlton), George Hirst (Ipswich Town), Lawrence Shankland (Heart of Midlothian) e Ross Steward (Southampton).