Copa do Mundo

Como o Brasil pode lidar com o corte de Wesley e perda de laterais direitos para a Copa do Mundo

Lateral sentiu a coxa, foi cortado e Ancelotti não terá mais laterais com a mesma característica para a Copa do Mundo

Durante a vitória por 2 a 1 diante do Egito no sábado (6), no último amistoso antes da Copa do Mundo, a seleção brasileira teve mais uma notícia amarga: o corte do lateral-direito Wesley, que saiu lesionado ainda no primeiro tempo.

O defensor sentiu dores e a ressonância magnética constatou lesão muscular no músculo adutor da coxa esquerda. A CBF emitiu uma nota explicando a lesão e revelando que convocou o meio-campista Éderson, da Atalanta, para o lugar de Wesley:

A Confederação Brasileira de Futebol informa que o atleta Wesley foi reavaliado neste domingo pela comissão médica da Seleção Brasileira e submetido a exame de imagem. A ressonância magnética constatou lesão muscular no músculo adutor da coxa esquerda.

A CBF lamenta a lesão. Wesley é um atleta querido pelo grupo e será sempre considerado parte desta equipe que busca o hexacampeonato mundial. Diante do diagnóstico, a CBF anuncia a convocação do atleta Éderson, que se integrará à delegação já nesta segunda-feira, nos Estados Unidos.

Sem novos laterais, então, como Carlo Ancelotti pode lidar com o corte de um jogador que seria crucial para uma ideia de jogo específica do Brasil?

Sem Wesley, Brasil deve se manter no 4-3-3 ‘clássico’

Wesley deixou o campo ainda no primeiro tempo
Wesley deixou o campo ainda no primeiro tempo (Foto: Imago / Sports Press Photo)

O corte de Wesley vem em um momento curioso: quando o Brasil voltava a testar um estilo que priorizava progressão pelo meio com aproximações de meias. Contra o Egito, Ancelotti começou o jogo dessa forma e era Wesley quem dava a amplitude pela direita, liberando Paquetá, ponta-direita, para cair pelo corredor central.

Com sua substituição, Danilo, um defensor mais conservador, não conseguia suprir essa função, o que criava um buraco naquela região. Isso facilitava a defesa egípcia a concentrar seus jogadores no meio. E sem Wesley, não há nenhum lateral com as características ofensivas de buscar a linha de fundo na seleção brasileira.

O teste final antes da Copa, então, foi por água abaixo. Primeiro, Ancelotti perdeu Rodrygo, depois Estêvão e agora Wesley, todos nomes cruciais para a ideia de dominar o jogo com a bola com um centro de jogo denso pelo meio. E isso fez com que o time voltasse ao 4-3-3 que vinha sendo desenhado para a Copa do Mundo.

Com a convocação, Ancelotti já dava indícios de que priorizaria o 4-3-3 mais tradicional, com pontas “clássicos” e com forte jogo individual pelos lados. Chamou dois de cada — Rayan e Luiz Henrique na direita, Vini e Gabriel Martinelli na esquerda. Foi assim no segundo tempo contra o Egito: dois laterais mais baixos e a entrada de Luiz Henrique pela direita.

Essa foi a ideia que o italiano usou contra a Croácia, na Data Fifa de março, depois de ser dominado pela França em seu último jogo com o 4-2-4. Funcionou em construção e na fase defensiva, com menos momentos de pressão tão alta. E a ideia se manteve contra o Panamá.

Com o corte de Wesley e a convocação de mais um meio-campista, Ancelotti reforça que não deve abrir mão dos laterais baixos para construir, já que não terá mais uma opção de lateral ofensivo. E isso indica ainda mais que a força pelo lado será dos pontas.

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Os problemas da lateral com Ancelotti na seleção brasileira

Ao longo de um ano com a Seleção, Ancelotti perdeu praticamente todos os laterais que consideraria titulares pelo lado direito:

  • Vanderson era uma opção equilibrada para apoiar pelo lado, inverter perto dos volantes e se manter mais baixo, e se lesionou;
  • Éder Militão se recuperou, foi crucial no melhor jogo da era Ancelotti, na vitória contra Senegal, e seria a opção segura como um excelente defensor que ajeitou o sistema de pressão, mas também foi cortado por lesão;
  • Agora, Wesley era a opção do lateral ofensivo que abriria outra opção para um meia a mais atuar e pesar o corredor central para criar, mas seu corte praticamente fecha essa porta.
Eder Militão em jogo da seleção brasileira em 2025
Eder Militão em jogo da seleção brasileira em 2025. Foto: IMAGO / Buzzi

O Brasil ainda testou Paulo Henrique e Vitinho no início da era Ancelotti, mas nenhum dos dois convenceu tanto em nenhuma das funções. Roger Ibañez entrou bem como um substituto e Militão para ser esse zagueiro móvel e de bom passe e condução para ser o lateral. No fim, ganhou a vaga com o corte de Militão e, sem Wesley, deve ser o titular.

Nesse cenário, com Ibañez como titular, Danilo pode precisar ser acionado como reserva. Em último caso, Marquinhos também já fez a lateral antes na carreira e pode ser um quebra-galho.

E a convocação de Éderson também indica a ideia do 4-3-3. Seria, como Danilo Santos, uma opção de segundo volante mais ofensivo, com boa condução e chegada à área para finalizar, mas destro. Isso abre opções com meias de diferentes pés dominantes e características em cada lado do triângulo ofensivo.

Sem Wesley e com Éderson, o Brasil fecha portas no campo das ideias, mas abre outras. E em um ciclo já conturbado antes da Copa, talvez a segurança defensiva seja a prioridade de Ancelotti.

Foto de Guilherme Ramos

Guilherme RamosRedator

Jornalista pela UNESP. Vencedor do prêmio ACEESP de melhor matéria escrita de 2025. Escreveu um livro sobre tática no futebol e, na Trivela, escreve sobre futebol nacional, internacional e de seleções.

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