Ter jogadores de segunda prateleira europeia na seleção argentina é um problema? Torcedores respondem
A Trivela está em Buenos Aires e conversou com torcedores para entender como eles enxergam essa discussão, que costuma dividir opiniões no Brasil
Antes mesmo do início da Copa do Mundo 2026, a seleção brasileira já lidava com desconfiança de parte da torcida e uma das maiores críticas de torcedores e jornalistas era com a convocação de jogadores de clubes de segunda prateleira do futebol europeu. O “problema” até repercutiu fora do país, com o ex-atacante Ian Wright, ex-seleção inglesa, lamentando a situação em um podcast e citando o modesto Brentford, do artilheiro Igor Thiago, que marcou 22 gols na última Premier League. Seria esse também um problema compartilhado por nossos vizinhos na Argentina?
A Trivela está em Buenos Aires e conversou com torcedores para entender como eles enxergam essa discussão, que costuma dividir opiniões dentro e fora das arquibancadas.
— Para mim, tudo depende do jogador. Se você tem qualidade, precisa demonstrá-la onde estiver. Ou seja, você sempre quer o melhor para o seu time, independentemente de qual seja. Pode ser um clube da segunda divisão, da primeira divisão ou o melhor time do mundo, mas você sempre tem que dar o melhor de si. Para mim, é um pouco das duas coisas, mas principalmente isso — explicou Kelvin Mateus à reportagem.
Argentina tem atletas da segunda linha da Europa
Em 2022, a Argentina foi campeã do mundo, e oito atletas dos 23 convocados atuavam em equipes consideradas de segunda prateleira da Europa. O caso mais emblemático era o do meia Alexis Mac Allister, na época no Brighton. O meio-campista não era titular no início da campanha, mas ganhou a vaga após a partida contra a Polônia, na fase de grupos. Rapidamente, ganhou notoriedade e foi peça fundamental na conquista do histórico título.
Depois, durante todo o ciclo, que durou de 2023 até o início de 2026, segundo levantamento da Trivela, Lionel Scaloni utilizou 67 jogadores, sendo que 31 eram de clubes considerados de segundo escalão, enquanto 16 atuavam na primeira prateleira da Europa e outros 20 eram de clubes de fora do mercado europeu.
— Sinceramente, para mim é relativo. Não me gera nada o fato de serem jogadores de times de segunda linha da Europa. O que importa é que rendam na seleção. Se eles não rendem nos clubes em que jogam, para mim isso é totalmente relativo. Desde que rendam pela seleção argentina e deem não 100%, mas 120%, já está — afirmou Jonathan Quinteros.
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Atualmente, nesta Copa do Mundo, sete atletas atuam em equipes de segunda linha da Europa. Os jovens Valentín Barco e Nico Paz, por exemplo, defendem Strasbourg e Como, respectivamente. Além deles, o zagueiro Marcos Senesi defendia o Bournemouth, mas assinou com o Tottenham um pouco antes de ser convocado para a vaga do cortado Leonardo Balerdi.
— Não me importa em nada. O que me importa é o que eles fazem pela Argentina. Se rendem ou não nos clubes em que jogam, isso é tarefa do treinador. Para mim, não importa. O que me importa é que entrem em campo com a camisa da Argentina e arrebentem. Nada além disso — afirmou Lucas Moreira.
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Mac Allister foi exemplo a ser seguido
Muitos jogadores de times de segunda linha da Europa acabam conquistando vaga na seleção argentina e enxergam nessa oportunidade uma vitrine para saltos maiores. Alexis Mac Allister foi um desses grandes casos. Em 2022, o meio-campista defendia o Brighton, mas as boas atuações com a camisa da seleção argentina aceleraram o interesse do Liverpool no jogador, que assinou seu contrato com os Reds ao fim do torneio.
— Para mim, isso acaba influenciando de forma positiva. Embora existam casos excepcionais e, ao longo da história, tenhamos nos acostumado a ver seleções que estreavam em Copas sem ter um futebol muito forte ou jogadores consolidados em ligas capazes de desenvolver melhor sua técnica, tática, posicionamento e rendimento em campo, o que acabava limitando o nível que essas seleções podiam alcançar ou sonhar em uma Copa, hoje eu vejo exatamente o contrário. Agora temos o Nico Paz, que joga no Como, um clube não tão conhecido da Itália. Mesmo assim, toda vez que veste a camisa da Argentina, ele apresenta um nível impressionante — explicou o jornalista Ariel Bordon.
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