Agora com Messi, Argentina x Inglaterra ganha outro capítulo histórico em uma Copa do Mundo
O palco é outro, os protagonistas mudaram, mas a carga simbólica permanece (pelo menos para os argentinos)
Quarenta anos se passaram desde 22 de junho de 1986. Naquela tarde no Estádio Azteca, Diego Armando Maradona eternizou seu nome na história das Copas do Mundo ao conduzir a Argentina à semifinal com dois dos gols mais lembrados do futebol: a polêmica “La Mano de Dios” e o antológico “Gol do Século”. Mais do que uma classificação, aquela vitória por 2 a 1 sobre a Inglaterra carregava o peso de um contexto político ainda recente, apenas quatro anos após a Guerra das Malvinas.
Quatro décadas depois, Argentina e Inglaterra voltam a se encontrar em uma Copa do Mundo em um duelo que resgata muitas das lembranças de 1986. O palco é outro, os protagonistas mudaram, mas a carga simbólica permanece. Se antes era Maradona quem carregava a responsabilidade de liderar os argentinos, agora esse papel pertence a Lionel Messi.
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É verdade que as seleções voltaram a se enfrentar em Copas após 1986, como nas oitavas de final de 1998, vencidas pelos argentinos nos pênaltis, e na fase de grupos de 2002. Ainda assim, o encontro de 2026 ganha um significado especial. Além de marcar o primeiro duelo de Messi contra a Inglaterra em Mundiais, a partida acontece naquela que deve ser sua última Copa do Mundo, adicionando um componente histórico a um confronto que, pelo menos para os argentinos, nunca foi apenas futebol.
Quarenta anos depois, a rivalidade volta a cruzar os caminhos das duas seleções. Se em 1986 Maradona escreveu um dos capítulos mais icônicos da história das Copas, em 2026 caberá a Messi tentar deixar sua própria marca em um duelo que, mais uma vez, promete extrapolar as quatro linhas.
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Argentina e Inglaterra buscam uma vaga na final da Copa do Mundo
Após vencer a Noruega por 2 a 1, os ingleses garantiram a vaga para a semifinal do torneio. Horas mais tarde, era a vez de a Argentina eliminar a Suíça por 3 a 1 e garantir a vaga na próxima fase do torneio.
O duelo marcará um reencontro entre as rivais históricas após 24 anos. Embora o técnico Lionel Scaloni tenha tentado minimizar o contexto político, referindo-se ao duelo apenas como “uma partida de futebol”, dentre os torcedores a percepção é completamente diferente.
Embora o contexto geopolítico seja diferente daquele vivido em 1986, a rivalidade entre argentinos e ingleses continua carregando um significado que vai além do futebol. A questão das Ilhas Malvinas permanece sensível para a sociedade argentina e costuma voltar ao debate sempre que as duas seleções se enfrentam. Dentro de campo, a partida ganha contornos de decisão; fora dele, desperta memórias, símbolos e um sentimento que atravessa gerações.
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O lado mais dolorido é o argentino. Torcedores da Albiceleste não perdoam o ocorrido há mais de 40 anos. A Guerra das Malvinas deixou marcas profundas na sociedade argentina que permanecem vivas até hoje e costumam voltar à tona sempre que a Inglaterra entra em cena. Isso fica evidente nas discussões entre torcedores e até mesmo nos cânticos entoados nos estádios durante os jogos da seleção.
Inclusive, a música que está embalando a seleção argentina neste Mundial tem uma provocação clara aos ingleses. Em uma das partes da música, a letra diz: “Por Malvinas, por Diego, pela última de Leo (Messi), Argentina, quero te ver bicampeão”, em tradução livre.
A reportagem da Trivela esteve presente em Buenos Aires durante a classificação para a semifinal e presenciou, durante todo o momento, provocações diretas ao rival desta quarta-feira, com a clássica “quem não pula é inglês”.
Agora, as equipes se enfrentam buscando uma vaga na grande final. Na decisão, poderão enfrentar França ou Espanha, que fazem a outra semifinal da competição.
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Argentina x Inglaterra tem peso diferente para Lionel Messi
Para Lionel Messi, o confronto também representa um capítulo inédito. Apesar de ter disputado seis Copas do Mundo e enfrentado praticamente todas as grandes seleções do planeta, o camisa 10 nunca havia cruzado o caminho da Inglaterra. Agora, justamente na edição que deve marcar sua despedida da competição, terá pela frente um dos adversários mais emblemáticos da história argentina.
Se em 1986 Diego Maradona foi o nome daquela classificação histórica, agora cabe a outro ídolo nacional carregar a responsabilidade de tentar avançar para mais uma final da competição.
A Argentina, por sua vez, tenta manter vivo o sonho do bicampeonato consecutivo sob o comando de Lionel Scaloni, novamente com Messi como principal referência técnica e emocional da equipe.
Quarenta anos depois da atuação imortal de Maradona no Estádio Azteca, a história oferece um novo capítulo para uma das maiores rivalidades das Copas do Mundo. Não haverá um novo Maradona em campo, assim como dificilmente haverá outro “Gol do Século”.
Mas haverá Messi, em sua última Copa do Mundo, diante do único grande rival que ainda faltava em sua trajetória pelo torneio. E isso, por si só, já é suficiente para transformar Argentina e Inglaterra em muito mais do que uma simples semifinal.