Copa do Mundo

O que Brasil, Argentina e Equador têm a aprender com a Copa Africana de Nações

Pensando no Mundial, Ancelotti, Scaloni e Beccacece precisam acompanhar torneio africano

Na história da Copa do Mundo, a América do Sul tem uma liderança folgada em confrontos com adversários africanos. O placar é o seguinte: 21 vitórias, cinco empates e cinco derrotas. E um daqueles empates é especialmente doloroso para a África — o jogo entre Uruguai x Gana, em 2010, quando “Loco” Abreu definiu nos pênaltis e fez um continente chorar.

Tem três Copas com triunfos africanos: 1982, quando Argélia venceu o Chile; 1990, quando Camarões surpreendeu a Argentina e eliminou a Colômbia; e a última, em 2022, quando, mais uma vez, Camarões estava envolvido.

A vitória da sua seleção em cima dos homens do Tite foi algo histórica — a primeira vez que o Brasil perdeu para uma seleção africana. O gol chegou no acréscimo, e os jogadores de Camarões ficaram tão empolgados com a comemoração que nem buscaram um segundo gol, necessário para se manter vivos na competição.

Mais importante, então, no percurso daquela Copa, foi o triunfo de Senegal em cima do Equador, num jogo que determinou quem iria classificar para a fase mata-mata. Os sul-americanos, portanto, terminaram sua participação na última Copa contra uma seleção africana — e vão iniciar a sua campanha na próxima Copa contra outra.

Como Copa Africana de Nações pode impactar trio sul-americano no Mundial?

O primeiro confronto do Equador no Mundial de 2026 é contra a Costa de Marfim. A Argentina inicia a defesa do seu título contra a Argélia. E o adversário número um do Brasil é o Marrocos. Os senhores Carlo Ancelotti, Lionel Scaloni e Sebastián Beccacece, então, deveriam estar estudando a Copa Africana de Nações, onde todos esses times estão em ação.

Costa do Marfim foi eliminada pelo Egito nas quartas de final da Copa Africana de Nações (Foto: Imago)
Costa do Marfim foi eliminada pelo Egito nas quartas de final da Copa Africana de Nações (Foto: Imago)

Num grupo com Alemanha e Curaçao, o jogo entre Equador e Costa do Marfim parece ter um peso semelhante ao daquele confronto com Senegal no Qatar — embora com o novo formato do torneio, poderia não ser tão decisivo. Os africanos foram eliminados no sábado (10), perdendo de 3 a 2 para o Egito, mas se mostraram fortes — e, em junho, os sul-americanos terão o desfalque considerável do suspenso Moisés Caicedo para esse jogo. 

Imagino que o técnico Beccacece vai confiar na força da sua ótima defesa contra a Costa do Marfim, e vai pensar que seu time seria capaz de achar espaços entre as linhas do adversário, e também criar perigo nas bolas paradas. Trata-se de uma maneira bem competitiva para iniciar uma campanha.

E depois do que aconteceu na sua primeira partida no Catar, a Argentina não vai subestimar ninguém. Mas a Argélia seria capaz de repetir a façanha da Arabia Saudita?

Dificilmente vai fazer a ousadia daquela linha alta dos sauditas, que confundiu tanto Lionel Messi e companhia em dezembro de 2022. Bloco baixo e contra-ataque é bem mais provável. Mas o time, eliminado da competição africana no sábado (10), tem um problema bastante comum no continente (e até no futebol brasileiro): o que fazer com o ídolo?

Riyad Mahrez, craque da Argélia (Foto: Imago)
Riyad Mahrez, craque da Argélia (Foto: Imago)

O grande nome do time é Riyad Mahrez. Mas, com quase 35 anos, a capacidade física dele já foi melhor. Pedir para ele jogar na linha num 4-3-3 é um risco, especialmente se, como contra a Nigéria, ele produz pouco. Pior, ele não vai acompanhar as subidas do lateral adversário — um problema fundamental no primeiro gol que a Argélia sofreu no caminho para uma derrota incontestável por 2 a 0.

Pode ser que o Senegal esteja com o mesmo dilema com a sua grande estrela, Sadio Mané. O ponto fraco do time parece ser o lado esquerdo da defesa, justamente porque Mané nem sempre vai correr com o lateral. O rival de Senegal na semifinal é o time de Mohamed Salah, ex-companheiro de Mané no Liverpool. E o Egito claramente pensou numa maneira de evitar o mesmo problema. 

Como Mahrez ou Mané, Salah não vai comer a grama. No Egito, então, não espera que ele faça a linha toda. O sistema de 3-5-2 reduz o espaço que ele tem que cobrir, deixando ele mais fresco para fazer a diferença, e não deixando a defesa tão exposta.

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Seleção brasileira precisa analisar Marrocos x Nigéria

Um time sem nenhum problema com ídolos lutando contra o relógio é o Marrocos. Parece que não tem espaço para considerações sentimentais no cérebro do técnico Walid Regragui. O trabalho dele — muito impressionante, por sinal, na Copa do Catar — mostra uma mente aguda, fria e calculista, priorizando a funcionalidade em cima de qualquer outro aspecto do jogo.

Walid Regragui, técnico da seleção marroquina (Foto: Imago)
Walid Regragui, técnico da seleção marroquina (Foto: Imago)

O time atual, até por jogar em casa, está mais ofensivo, mas ainda assim sabe se manter sólido. No último jogo, não subiu as linhas para oferecer a Camarões a chance de lançar seus velocistas — imagino que o jogo contra o Brasil será parecido. E pressionou o rival de uma maneira eficaz, rápida e coordenada.

O Baleba, volante camaronês, estava jogando um torneio ótimo — até a partida contra o Marrocos, que nunca o deixou receber a bola em paz. Imagino que Regragui está planejando alguma coisa parecida para Casemiro no dia 13 de junho.

Com certeza o Ancelotti e a sua equipe vão assistir à semifinal de quarta-feira (14), quando o Marrocos enfrenta uma Nigéria muito forte — e como pode ser que esta Nigéria nem classificou para a Copa? 

O talento nigeriano vai superar a funcionalidade marroquina? Trata-se de dever de casa imperdível para se preparar para a Copa do Mundo.

Foto de Tim Vickery

Tim VickeryColaborador

Tim Vickery cobre futebol sul-americano para a BBC e a revista World Soccer desde 1997, além de escrever para a ESPN inglesa e aparecer semanalmente no programa Redação SporTV. Foi declarado Mestre de Jornalismo pela Comunique-se e, de vez em quando, fica olhando para o prêmio na tentativa de esquecer os últimos anos do Tottenham Hotspur

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