O que a Fifa pretende com tecnologia que criará ‘avatares realistas’ dos jogadores na Copa?
A Copa do Mundo de 2026 terá mudanças em diferentes aspectos, desde a ampliação no número de seleções até o uso de novas tecnologias. Na arbitragem, a Fifa anunciou que criará avatares 3D dos jogadores, utilizando inteligência artificial para aprimorar a tecnologia semiautomática de impedimento do torneio.
A implementação significará criar uma digitalização de todos os 1.248 atletas que fazem parte das 48 equipes classificadas para a competição. Segundo a Fifa, a ferramenta também irá registrar dimensões “altamente precisas das partes do corpo para tomar decisões mais precisas sobre impedimentos”.
A entidade máxima do futebol também explicou que todos os jogadores serão escaneados antes da Copa do Mundo para a criação de um modelo 3D, e que o procedimento para desenvolver os perfis levará aproximadamente um segundo.
Ainda de acordo com a Federação Internacional, ao criar os avatares personalizados, a expectativa é que a tecnologia permita aos oficiais do torneio “rastrear os jogadores de forma confiável durante movimentos rápidos ou obstruídos”.
Os modelos 3D, como informou a Fifa, serão incorporados à transmissão oficial, permitindo que as decisões de impedimento determinadas pelo sistema de árbitro assistente de vídeo (VAR) sejam exibidas “de forma mais realista” para os torcedores nos estádios e para os telespectadores.
Segundo a Fifa, no torneio de seleções, os modelos serão então utilizados pelo VAR para calcular o impedimento por meio da tecnologia semiautomatizada de impedimento.
A tecnologia já foi testada na Copa Intercontinental da Fifa, com jogadores do Flamengo e do Pyramids, do Egito, sendo escaneados antes da partida em dezembro. O plano é que ela também esteja disponível na Copa do Mundo Feminina de 2027, que acontece no Brasil.

A entidade pontuou que pretende que os modelos sejam incorporados à transmissão televisiva para que as decisões possam ser “exibidas de forma mais realista e envolvente para os torcedores nos estádios e para os telespectadores ao redor do mundo”.
Outra novidade anunciada como parte da expansão da parceria entre a Fifa e a empresa chinesa Lenovo foi uma nova plataforma de dados – Football AI Pro – que estará disponível para todas as seleções participantes da Copa e que tem como objetivo equilibrar a competição entre as seleções com mais e menos recursos.
Segundo a Fifa, a intenção é que as seleções se beneficiar dos dados para adquirir as mesmas capacidades analíticas avançadas antes e depois das partidas, mas não durante o jogo ao vivo.
A Lenovo comunicou que o programa analisa centenas de milhões de pontos de dados de futebol organizados pela Fifa para gerar insights validados em texto, vídeo, gráficos e visualizações 3D.
A empresa informou que a interface do Football AI Pro suportará comandos em diferentes idiomas e fornecerá informações consistentes para todo o torneio, com base em milhões de pontos de dados de futebol por partida.
Já no Mundial de Clubes, a parceria tecnológica lançou uma nova versão do Referee View, onde foi utilizado um software de estabilização com inteligência artificial em que as imagens capturadas pela câmera do árbitro serão suavizadas em tempo real, reduzindo o desfoque de movimento causado por movimentos rápidos.

De acordo com a Fifa, as imagens estabilizadas proporcionarão uma perspectiva em primeira pessoa de maior qualidade, aumentando a transparência, a compreensão e o envolvimento durante toda a partida.
— Estamos fornecendo soluções completas de TI, aprimorando a realização e a experiência do torneio em todos os níveis. O Football AI Pro será um divisor de águas e estamos ansiosos para vê-lo, assim como nossas outras inovações desenvolvidas com a FIFA, em uso na Copa do Mundo da FIFA 2026 –, afirmou Gianni Infantino.
Arbitragem semiautomática gera controvérsia na Premier League
A tecnologia semiautomatizada de impedimento foi criada como uma extensão dos protocolos que automatizam elementos-chave do processo de tomada de decisão sobre impedimento para o VAR.
De acordo com o “The Guardian”, na Premier League o sistema envolve 30 câmeras que identificam a posição da bola e rastreiam até 10.000 pontos de dados sobre a localização de um jogador. Contudo, os modelos gráficos usados para chegar a uma decisão não correspondem ao tamanho real do jogador.
Na Premier League, o VAR semiautomático gerou controvérsia na partida entre Newcastle e Manchester City, ainda no início da temporada. No lance a olho nu, Bruno Guimarães parecia estar ligeiramente à frente de Ruben Dias na jogada que originou o gol de Harvey Barnes. Mas, após a aplicação da tecnologia, o gol foi validado.
Entretanto, a ação não correspondia às imagens da transmissão televisiva da partida. Porém, existe uma margem de erro adicionado à tecnologia na Premier League.
Como explicou a “BBC”, em outras competições, o impedimento é marcado em milímetro. Já na Premier League, há uma tolerância de 5 cm, que corresponde efetivamente à largura da linha verde. No caso da jogada do brasileiro, Guimarães estava um pouco à frente de Dias, mas dentro da margem de tolerância.



