Copa do Mundo 2026

Com últimos da geração de ouro, Bélgica se reinventa na Copa, mas futuro ainda desafia

Sem craques de antes, seleção belga terá problemas para repetir resultados de geração histórica

A expectativa da Bélgica para a Copa do Mundo era baixíssima e vinha se provando até o fim do segundo tempo contra Senegal, pelos 16 avos, quando perdia por 2 a 0 após uma fase de grupos também muito ruim. A equipe de Rudi Garcia, porém, foi se transformando na competição até a eliminação de cabeça erguida para a Espanha, nas quartas de final, nesta sexta-feira (10).

A seleção belga saiu atrás do placar e buscou o empate contra uma das favoritas ao título. Resistiu, defendeu-se bem, incomodou no ataque e até arriscou virar em dois ataques na etapa final. Porém, na reta final, sem Thibaut Courtois no gol, pagou pela falha de Senne Lammens.

Uma eliminação que dói aos belgas, principalmente porque pareceu possível, mas que até deixa um gosto positivo pelos últimos jogos. A questão para a Real Associação Belga de Futebol fica para os próximos passos, que serão muito diferentes do que era esperado pela geração de ouro dos Red Devils.

Jogadores da Bélgica lamentam eliminação na Copa do Mundo
Jogadores da Bélgica lamentam eliminação na Copa do Mundo (Foto: Abaca / Icon Sport)

Seleção belga vai além do esperado na Copa do Mundo graças a seu técnico

Os meses antes da Copa do Mundo para a Bélgica, sob o comando de Rudi Garcia, contratado no começo do ano passado, não foram necessariamente ruins. Foi absoluta em grupo fácil nas Eliminatórias (Liechtenstein, Cazaquistão, País de Gales e Macedônia do Norte), foi bem nos amistosos e ficou invicta de março de 2025 até o revés para a Espanha.

A questão é que, antes, o ciclo foi muito ruim com o técnico Domenico Tedesco, que acumulou problemas de relacionamento, teve que jogar playoff para não ser rebaixado na Nations League e caiu para a França nas oitavas de final da Eurocopa após avançar como segundo colocado atrás da Romênia nos grupos.

A tarefa para se recuperar da última Copa, que caiu na fase de grupos, era muito grande e ficou maior porque seus maiores jogadores, Kevin de Bruyne, aos 35 anos, Romelu Lukaku, 33, e Wilson Witsel, 37, estão muito longe do auge e sem substitutos à altura dos outros talentos que se aposentaram há alguns anos — como Eden Hazard, Toby Alderweireld e Jan Vertonghen.

Pelo menos caíram em grupo, em teoria, acessível no Mundial: Egito, Irã e Nova Zelândia. Era esperado que a Bélgica avançasse sem problemas. Na prática, não foi o que aconteceu.

Com desempenho burocrático e uma posse de bola estéril, empatou os dois primeiros jogos, perigando até perder para os Faraós e para os iranianos. Frente à Nova Zelândia, adversário mais fraco do grupo, goleou para garantir a liderança da chave.

O desempenho visto contra Egito e Irã voltou a se repetir contra Senegal: um time sem gana e pouco inventivo. A derrota parcial por dois gols era justa, mas entrou em ação o dedo de Rudi Garcia, tirando Jérémy Doku, o melhor jogador belga da atualidade, e De Bruyne, referência técnica e líder.

A Bélgica ganhou intensidade e batalha no meio-campo e empatou em três minutos na reta final do segundo tempo. Na prorrogação, gol de pênalti no último minuto para sacramentar a virada histórica. O desempenho manteve o ritmo contra os Estados Unidos, anfitriões: 4 a 1, sem De Bruyne e Doku e com Lukaku só entrando no fim da etapa final.

A partida com a Espanha teve o retorno de De Bruyne para uma última exibição de elite. O meia, mesmo longe da forma ideal, deu dois passes mágicos para conectar os pontas, como fazia nos bons tempos no Manchester City. Um deles culminou no gol de empate.

Pode ter sido o último momento do meia por sua seleção, assim como de Lukaku, que saiu do banco e não conseguiu mudar o cenário de domínio espanhol. Duas caras de uma geração histórica, por vezes tratada como piada por não terem sido campeões, mas que farão muita falta porque não há reposição na mesma qualidade.

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Bélgica terá dificuldades para ter uma geração tão brilhante

É inacreditável para a Bélgica, país com menos de 12 milhões de habitantes e uma extensão territorial menor que o estado do Espírito Santo, ter conseguido revelar quase que ao mesmo tempo Thibaut Courtois, Vincent Kompany, Hazard, De Bruyne, Lukaku, Alderweireld, Dries Mertens e Vertonghen, todos jogadores que chegaram ao mais alto nível no futebol de clubes e dividiram os palcos na seleção.

Isso sem contar vários bons jogadores, como Witsel, Yannick Carrasco e Radja Nainggolan.

Time da Bélgica que enfrentou a seleção brasileira nas quartas de final da Copa do Mundo de 2018
Time da Bélgica que enfrentou a seleção brasileira nas quartas de final da Copa do Mundo de 2018 (Foto: ZUMA Press/Icon Sport)

Substituir isso era impossível e tem se provado desde o fim da Copa do Mundo de 2018, o grande momento dessa geração com o terceiro lugar na competição e tendo eliminado a seleção brasileira.

O atual elenco belga se limita a jogadores de bom nível e outros medianos. Courtois, aos 34 e até o momento sem queda técnica, e Youri Tielemans, 29, que era o “novato” do elenco em 2018, ficam como pilares técnicos e de liderança para ajudar os mais jovens, casos de Amadou Onana, Doku, Lammens, Nathan Ngoy, Zeno Debast, Diego Moreira e Charles De Ketelaere.

Esse grupo mostrou que sabe competir, afinal, a classificação até as quartas teve momentos pontuais de brilho de Lukaku ou De Bruyne. Ngoy, como um zagueiro muito rápido, Onana, pilar no meio-campo, e De Ketelaere, cada vez mais consolidado como camisa 9, mostram que não há terra arrasada.

A questão é que, comparada ao que foi essa seleção do meio dos anos 2010 até o começo dos anos 2020, é uma mudança significativa e que deve ficar abaixo em expectiv, desempenho e, principalmente, resultado.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

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