Ancelotti crava nomes e dá pistas de escalação da Seleção na estreia da Copa do Mundo
Técnico italiano confirma dupla de zaga, mantém mistério sobre esquema tático e ganha preocupação de última hora na lateral direita
A vitória por 2 a 1 sobre o Egito, neste sábado, em Cleveland, não serviu somente como último teste da seleção brasileira antes da Copa do Mundo. Após a partida, Carlo Ancelotti aproveitou a entrevista coletiva para revelar algumas de suas ideias para a estreia contra Marrocos, marcada para o próximo sábado (13), e deu indícios importantes sobre a formação que pretende utilizar no Mundial.
Embora tenha evitado divulgar a escalação completa, o treinador deixou claro que já tem boa parte do time definida. Algumas posições parecem consolidadas há meses, fruto do trabalho desenvolvido desde sua chegada, enquanto outras seguem abertas, seja por opção tática, seja por questões físicas. O caso mais recente envolve Wesley, que deixou o amistoso ainda no primeiro tempo após sentir dores musculares e virou motivo de preocupação para a comissão técnica.
A situação do lateral-direito pode alterar os planos do treinador justamente na reta final de preparação para a estreia. Ainda assim, as declarações de Ancelotti ajudaram a esclarecer quais jogadores ele considera fundamentais dentro da estrutura da equipe e quais dúvidas ainda precisam ser solucionadas nos próximos dias.
— Eu tenho a escalação inicial para jogar contra o Marrocos. Tenho uma ideia clara — afirmou o técnico italiano.
Ancelotti crava dupla de zaga titular da Seleção
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Se existe um setor sem qualquer mistério para a estreia da Copa do Mundo, é a defesa central. Questionado sobre a composição da zaga, Ancelotti foi direto ao afirmar que Marquinhos e Gabriel Magalhães serão os titulares diante de Marrocos.
— Marquinhos e Gabriel Magalhães serão titulares. São indiscutíveis.
A resposta apenas confirmou aquilo que já era esperado internamente. Os dois zagueiros são considerados pilares do projeto de Ancelotti e chegam ao Mundial em excelente momento. Não por acaso, ambos estiveram envolvidos na final da Champions League disputada na semana passada. Marquinhos conquistou o título pelo PSG, enquanto Gabriel Magalhães terminou a competição como vice-campeão pelo Arsenal.
A confiança do treinador na dupla ficou evidente também ao comentar a falha de Marquinhos no gol marcado pelo Egito. O zagueiro errou um recuo para Alisson e acabou participando diretamente do lance que originou o empate adversário. Mesmo assim, Ancelotti tratou o episódio como algo circunstancial e evitou qualquer crítica mais dura ao capitão da equipe.
Gabriel Magalhães, por sua vez, sequer entrou em campo neste sábado. O defensor foi preservado por conta do desgaste físico acumulado nas últimas semanas e vem sendo preparado especificamente para chegar em plenas condições à estreia da Copa. Antes disso, ele também não esteve disponível no amistoso contra o Panamá, assim como Marquinhos, já que ambos serviam seus respectivos clubes na decisão da Champions.
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Qual deve ser a escalação do Brasil na estreia da Copa?
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A maior incógnita para o primeiro jogo da Copa parece estar relacionada ao desenho tático da equipe. Desde que assumiu a Seleção, Ancelotti alternou sistemas, mas durante boa parte do ciclo o 4-2-4 foi carro-chefe, com Casemiro e Bruno Guimarães formando a dupla de meio-campo e quatro jogadores de perfil ofensivo mais avançados.
Contra o Egito, porém, Ancelotti apresentou uma estrutura diferente daquela utilizada nos amistosos anteriores. Embora a formação base fosse uma espécie de 4-3-3, o Brasil passou boa parte do primeiro tempo funcionando em um sistema híbrido, alternando momentos de 4-2-3-1. Lucas Paquetá ocupou o corredor direito, enquanto Raphinha atuou por dentro, como meia-atacante.
Sem a bola, no entanto, o camisa 11 recompunha majoritariamente pelo lado esquerdo da segunda linha, ajudando a formar um 4-4-2 em organização defensiva. A movimentação trouxe mais gente ao setor central e deixou aberta a dúvida sobre qual desenho Ancelotti considera ideal para a estreia do Mundial.
A questão passa por entender qual será a prioridade de Ancelotti para a partida. Manter quatro atacantes significaria apostar em maior poder de fogo e ocupação do campo rival. Por outro lado, reforçar o meio-campo pode oferecer mais controle das ações e ajudar a corrigir problemas defensivos.
Apesar das pistas deixadas na coletiva, Ancelotti preferiu manter a escalação sob sigilo. O treinador afirmou que já sabe qual equipe utilizará na estreia, mas não revelou nomes além da dupla de zaga. Ainda assim, observando suas escolhas ao longo do ciclo e o peso de determinadas lideranças dentro do elenco, é difícil imaginar mudanças em algumas posições-chave.
Alisson deve ser o goleiro titular; Marquinhos e Gabriel Magalhães formarão o miolo de zaga; Casemiro e Bruno Guimarães parecem garantidos no meio-campo; e Vinícius Junior e Raphinha seguem como referências ofensivas. O que resta descobrir é quem completará esse quebra-cabeça e qual sistema Ancelotti considera mais adequado para iniciar a caminhada brasileira na Copa.
E se Wesley for cortado?
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Como se a dúvida tática não bastasse, surgiu também uma preocupação de última hora envolvendo Wesley. Titular na lateral-direita, o jogador deixou o gramado ainda na etapa inicial, visivelmente abatido. No banco de reservas, chegou a chorar enquanto recebia atendimento médico. Exames serão realizados neste domingo (7) para determinar a gravidade do problema, mas um eventual corte da Copa do Mundo já não está descartado.
Caso Wesley não reúna condições de atuar, Danilo aparece como candidato natural à vaga. O veterano entrou durante o amistoso contra o Egito e teve atuação segura. A experiência em grandes competições e a relação de confiança construída com Ancelotti contam a seu favor. Existe, porém, uma particularidade: embora seja lateral-direito de origem, Danilo tem atuado predominantemente como zagueiro nas últimas temporadas, por preferência própria.
Outra possibilidade é Ibañez. Escalado ao lado de Marquinhos neste sábado, o defensor já havia sido testado improvisado pela direita durante o segundo tempo da goleada sobre o Panamá e pode surgir como alternativa dependendo das características desejadas pelo treinador.
Há ainda um cenário mais extremo. Se Wesley acabar cortado, a comissão técnica poderá recorrer a um substituto da pré-lista enviada à Fifa. Entre os laterais-direitos presentes nessa relação estão Paulo Henrique, do Vasco, e Vitinho, do Botafogo, ambos monitorados pela comissão técnica ao longo dos últimos meses.