Copa do Mundo

Inglaterra vence Nova Zelândia com freio de mão puxado em amistoso de testes ‘aleatórios’

Harry Kane salva jogo morno inglês, apesar do calor, e que foi marcado por escolhas curiosas na escalação

A Inglaterra foi a campo neste sábado (6) para enfrentar a Nova Zelândia no seu penúltimo amistoso antes da Copa do Mundo de 2026. Já nos Estados Unidos, no Raymond James Stadium, os Três Leões venceram por 1 a 0.

De forma curiosa e em caráter de teste, Thomas Tuchel escalou Harry Kane e Ollie Watkins juntos pela primeira vez — dois centroavantes historicamente tradicionais. Além disso, manteve a ideia de ter Jarell Quansah, zagueiro de origem, como lateral-direito, e Djed Spence, destro, como lateral-esquerdo.

Os testes curiosos da Inglaterra em ritmo baixo

A escalação curiosa da Inglaterra veio em um jogo em que Tuchel claramente quis testar opções. No fim, levou a campo um 4-2-3-1 com Morgan Rodgers como meia-atacante e Watkins, centroavante, como ponta-direita.

Os ingleses dominaram a posse de bola e usaram seus testes para ocupar racionalmente todos os espaços em campo, da forma tradicional do Jogo de Posição. Quansah era um lateral mais construtor, perto dos volantes, enquanto Spence alternava entre uma postura de construtor e outra de meia, mas sempre pelo meio-espaço, deixando o lado para Marcus Rashford, como um ponta tradicional.

Kane comemora gol da Inglaterra
Kane marcou único gol inglês no amistoso (Foto: IMAGO / Action Plus)

Kane tinha liberdade para descer e esses movimentos abriam espaço para principalmente Rashford e Rodgers atacarem a profundidade na tentativa de entrar na área. Contra uma defesa fechada da Nova Zelândia, muitas vezes foram bolas mais aceleradas buscando o espaço nas costas da defesa que tiveram mais sucesso para entrar no último terço.

O gol veio apenas no fim da primeira etapa, em cruzamento de Spence para Kane, com uma casquinha quase impossível, marcar um gol quase improvável. A maior parte das finalizações inglesas veio de fora da área, seja por conta do espaço na intermediária ou depois de entradas na área congestionada que resultavam em passes para trás.

A seleção de Tuchel chegou perto do gol diversas vezes e teve a oportunidade de abrir o placar antes, mas claramente jogou em um ritmo mais lento e cadenciado. Ou pelo calor, ou pelo medo de lesões indesejadas.

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Muitas mudanças e jogadores que nem vão para a Copa

Curiosamente, Tuchel levou aos Estados Unidos jogadores que não estão na convocação oficial para a Copa do Mundo. A ideia seria prepará-los para o próximo ciclo e ambientá-los ao ambiente da seleção.

Foram apenas jovens de grande potencial: Joshua King, meia do Fulham; Ethan Nwaneri, astro jovem do Arsenal; Alex Scott, volante de destaque do Bournemouth; e Rio Ngumoha, ponta de 17 anos do Liverpool.

Ngumoha, inclusive, entrou como ponta-direita no segundo tempo, quando Tuchel mudou todos os 11 jogadores. A segunda etapa teve mais jogadores considerados titulares, como Reece James, Elliott Anderson e Jude Bellingham.

As ideias de laterais construtores se mantiveram e Nico O’Reilly, lateral híbrido, entrou como volante. O jogo se manteve com domínio inglês, mas em ritmo longe do ideal.

A próxima partida da seleção inglesa ainda será amistosa, contra a Costa Rica, na próxima quarta-feira (10), às 17h no horário de Brasília. A estreia da Inglaterra na Copa do Mundo será somente na outra quarta (17), contra a Croácia, no AT&T Stadium, em Arlington, nos EUA, também às 17h.

Foto de Guilherme Ramos

Guilherme RamosRedator

Jornalista pela UNESP. Vencedor do prêmio ACEESP de melhor matéria escrita de 2025. Escreveu um livro sobre tática no futebol e, na Trivela, escreve sobre futebol nacional, internacional e de seleções.

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