Copa Ouro

México e EUA decidirão outra vez a Copa Ouro, mas só depois de sobreviverem a emocionantes semifinais

EUA derrotou o Catar aos 41 do segundo tempo, enquanto México só superou o Canadá aos 54 da etapa final

O grande clássico da Concacaf se repetirá mais uma vez na decisão da Copa Ouro. Estados Unidos e México se enfrentarão na final de 2021, no sétimo duelo valendo taça entre os rivais desde a adoção do atual formato da competição em 1991. O US Team cumpriu sua missão primeiro, contra o Catar, contando com um gol na reta final para celebrar o triunfo por 1 a 0. El Tri também sofreu contra o Canadá e só assegurou a vitória por 2 a 1 no 99° minuto. A definição da taça acontecerá no próximo domingo, em Las Vegas.

Os Estados Unidos não jogam a Copa Ouro com seu time principal. Os destaques da seleção foram poupados após a conquista da Liga das Nações em junho. Ainda assim, contra o convidado Catar, os americanos tinham a pressão pelo resultado em Austin. Os catarianos começaram melhor a semifinal e pressionaram durante boa parte do primeiro tempo. O goleiro Matt Turner faria a diferença, com ótimas defesas. O camisa 1 chegou a operar um milagre aos 21 minutos, com uma intervenção incrível para desviar a batida de Abdelaziz Hatim na pequena área.

Durante o segundo tempo, os EUA responderam. Mershaal Barsham também brilhou na meta do Catar e salvou a equipe no mano a mano com Daryl Dike, aos sete minutos. Todavia, os catarianos jogaram fora uma chance de ouro aos 16, quando tiveram um pênalti marcado a seu favor. Hassan Al Haydos tentou bater com categoria e mandou por cima do travessão. O US Team tinha o controle da bola, mas pecava na criação. O gol da vitória, por fim, veio aos 41 – e graças a dois substitutos. Numa bola roubada no campo de ataque, Nicholas Gioacchini puxou a jogada de maneira brilhante e passou para Gyasi Zardes definir no meio da área. Seria suficiente ao triunfo.

Já o México carregava o favoritismo contra o Canadá, não apenas por ter muito mais tradição, como também pelas ausências dos melhores jogadores canadenses – Alphonso Davies e Jonathan David não disputaram esta Copa Ouro. O jogo contou com a presença de Jonathan dos Santos, que foi a campo mesmo depois de perder seu pai (o ex-jogador Zizinho, brasileiro radicado no México) nesta quinta. E os mexicanos tomaram sustos nos primeiros minutos, com a velocidade do Canadá gerando lances perigosos diante de uma defesa desatenta. Mais dominante, El Tri só conseguiu superar a defesa adversária para abrir a contagem nos acréscimos da primeira etapa. O time ganhou um pênalti e Orbelín Pineda cobrou com enorme segurança para balançar as redes.

O Canadá empatou aos 12 minutos do segundo tempo, num contra-ataque. Mark-Anthony Kaye descolou um excelente lançamento e Tajon Buchanan acelerou na esquerda, fintando a marcação e batendo no cantinho. O México poderia ter retomado a vantagem logo aos 22, com um novo pênalti, mas Carlos Salcedo cobrou mal e o goleiro Maxime Crepeau defendeu. El Tri seguiu com as melhores chances, mas o gol da vitória saiu apenas no nono minuto dos acréscimos. Rodolfo Pizarro cruzou rasteiro e Héctor Herrera chutou no contrapé do arqueiro para fazer o estádio explodir em Houston. Até houve uma confusão no fim, em duelo bastante quente e pegado, mas nada que atrapalhasse os mexicanos em seu objetivo.

A Copa Ouro providenciará a chance de revanche ao México, considerando a vitória dos Estados Unidos na primeira edição da Liga das Nações da Concacaf. Há menos de dois meses, com o elenco principal, o US Team garantiu o título de maneira emocionante na prorrogação do clássico. Vale lembrar, porém, que os americanos são fregueses dos mexicanos na Copa Ouro. Nas seis decisões anteriores entre os dois países, El Tri ganhou cinco vezes, com o único triunfo dos EUA em 2007. O México possui 11 títulos da Copa Ouro e os Estados Unidos somam seis, embora três taças dos mexicanos tenham vindo no antigo formato do torneio, antes de 1991.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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