Copa Ouro

Título da Copa Ouro é alento ao México e pode definir destino do treinador

Com EUA e Canadá desfalcados, México era o grande favorito e o título reforça os pedidos para que o interino, Jaime Lozano, seja efetivado no cargo

O México conquistou o título da Copa Ouro neste domingo à noite, em uma vitória por 1 a 0 na final contra o Panamá. Como é habitual, a competição teve estádios cheios. A final foi disputada no SoFi Stadium, em Los Angeles, com 72 mil pessoas presentes. Foi o nono título do México na Copa Ouro, o maior vencedor do torneio.

A competição foi disputada com desfalques, já que a seleção americana enviou uma equipe de reservas, depois dos seus titulares terem vencido a Liga das Nações da Concacaf eliminando o próprio México. O título, porém, é muito importante para uma seleção mexicana que não está em boa fase e tenta recuperar a confiança.

  • Copa Ouro teve Canadá e Estados Unidos sem suas principais estrelas
  • Foi o nono título do México, maior campeão da Copa Ouro (EUA têm sete)
  • Jogadores fazem campanha para permanência do técnico interino Jaime Lozano
  • Santiago Giménez coroou a excelente temporada com o gol do título

Campanha quase impecável (exceto pelo Catar)

A Copa Ouro por vezes tem convidados exóticos, tal qual a sua irmã Copa América. Pela segunda vez seguida, o Catar participou do torneio. Em 2021, o time chegou até as semifinais, mas desta vez não teve o mesmo desempenho. Apesar de não ter ido tão longe desta vez, o Catar conseguiu ser o único time a vencer o México no torneio.

Favorito, o México estreou com um 4 a 0 sobre Honduras, mostrando já a sua força. Depois, venceu o Haiti por 3 a 1. Na última rodada da fase de grupos, com alguns reservas em campo, o Catar venceu a partida por 1 a 0, o que foi fundamental para o time avançar como segundo colocado, à frente de Honduras pelo saldo de gols.

Na fase de mata-mata, o México passou pela boa equipe da Costa Rica por 2 a 0, enquanto duas outras potências do continente, Estados Unidos e Canadá (ambos desfalcados dos seus principais jogadores) empataram por 2 a 2 e os americanos avançaram nos pênaltis. O Panamá, por sua vez, passou como um trator sobre o Catar, aquele que venceu o México, por 4 a 0.

Nas semifinais, os Estados Unidos tiveram o Panamá pela frente. Depois de um empate por 1 a 1 no tempo normal e na prorrogação, os panamenhos venceram nos pênaltis por 5 a 4. O México enfrentou a Jamaica, que fazia uma boa campanha no torneio. Os mexicanos passaram por cima dos Reggae Boyz: 3 a 0.

Final decidida com um gol apenas no final do jogo

A final era de um favoritismo imenso dos mexicanos. Não só pelo que são os dois times que entraram em campo, mas também pelo histórico de confrontos. Nos 26 jogos realizados entre as duas seleções, são 18 vitórias mexicanas, seis empates e só duas vitórias do Panamá. Nos últimos 13 jogos, o México tinha vencido 11 e empatou dois contra o Panamá antes de domingo. A última vitória do Panamá aconteceu na Copa Ouro de 2013, quando eliminou o México na semifinal da Copa Ouro daquele ano.

Desta vez, os panamenhos fizeram um jogo bem difícil diante dos mexicanos. O primeiro tempo não teve gols. Ou melhor: até teve, mas o tento marcado aos 32 minutos foi anulado por impedimento corretamente marcado do centroavante Henry Martin.

O jogo tinha cara de empate, mesmo com os mexicanos melhores em campo, mas aos 40 minutos, Santiago Giménez foi colocado em campo por Jaime Lozano. Dois minutos depois, foi dele o gol da vitória. Ele recebeu a bola de Orbelín Piñeda e, com um marcado apenas à frente, fez um drible sobre a marcação, avançou e tocou de leve, o suficiente para tirar do goleiro Orlando Mosquera e marcar: 1 a 0, placar final.

A temporada de Giménez foi de pura alegria. Contratado junto ao Cruz Azul em julho de 2022, ganhou o seu espaço na temporada e fez 50 jogos pelos Feyenoord, com 28 gols marcados e três assistências. Na Eredivisie, a liga holandesa, foram 32 jogos e 15 gols. Não poderia terminar melhor, portanto: com um título com a seleção mexicana.

O México abre distância como maior vencedor do torneio com nove títulos, seguido pelos Estados Unidos, com sete. Além das duas potências da Concacaf, o único país a vencer a Copa Ouro, e uma vez só, foi o Canadá, no ano 2000. Uma tarefa que a atual geração do Canadá, que devolveu o time a uma Copa do Mundo, espera repetir em um futuro próximo.

Por que a Copa Ouro era tão importante para o México

Com os Estados Unidos usando um time de reservas na Copa Ouro, o México ganhou uma responsabilidade extra de vencer o torneio. Além disso, a derrota na Liga das Nações para os Estados Unidos causou estragos. Não só pela derrota, que já seria ruim, mas a forma como aconteceu: os americanos venceram por 3 a 0 de forma categórica.

A derrota fez com que o técnico da seleção mexicana, Diego Cocca, tenha sido demitido, assim como o diretor Rodrigo Ares de Parga. O time ainda ficou com o terceiro lugar na Liga das Nações, mas o desempenho foi insuficiente. O técnico, que é argentino, durou pouco no cargo: ele assumiu em fevereiro e foi demitido em junho, com apenas sete jogos no comando da El Tri.

Desde a demissão de Cocca, quem está como técnico interino é Jaime Lozano. A sua campanha na Copa Ouro o credencia até a continuar no cargo e esse é inclusive um clamor bem popular no momento. Um pedido, aliás, que é referendado pelo goleiro e capitão do México, Guillermo Ochoa. “Jimmy entende bem os jogadores, tira o melhor de nós, e isso é refletido em campo. Entende o que é representar o México”, disse o arqueiro.

A Federação Mexicana de Futebol (FMF), porém, não está convencida. Mas com o grupo de jogadores apoiando o interino, ele ganha força para ser efetivado, já que as duas últimas experiências com argentinos, Gerardo Martino e Diego Cocca, não foram bem-sucedidas.

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.
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