Copa Ouro

México nocauteia a Jamaica e pega o ascendente Panamá na final da Copa Ouro

O México teve ótima atuação contra uma Jamaica que se prometia melhor do que foi e encara o Panamá, que volta à decisão após dez anos, graças à classificação nos pênaltis contra os EUA

A crise recente do México não foi empecilho para que a equipe alcançasse mais uma decisão da Copa Ouro. A Jamaica se prometia uma adversária dura na semifinal do torneio continental, com um elenco cheio de bons jogadores da Premier League. No entanto, El Tri fez os Reggae Boyz desmontarem rapidamente. Um gol relâmpago de Henry Martin abriu o caminho aos dois minutos e facilitou os 3 a 0 aplicados pelos mexicanos. O adversário na final será o Panamá, surpresa positiva do torneio. A Maré Vermelha eliminou os Estados Unidos, representados pelo time B. Após o empate por 1 a 1, os panamenhos fizeram 5 a 4 nos pênaltis.

O Panamá busca o título inédito da Copa Ouro. No máximo, a Maré Vermelha conseguiu um vice-campeonato em 2013, com a volta à decisão após dez anos. Enquanto isso, o México tentará ratificar sua hegemonia. São oito troféus de El Tri, o último deles em 2019. No entanto, os mexicanos sofreram nos últimos anos com a sequência americana nos torneios da Concacaf – o US Team levou não apenas a Copa Ouro de 2021, como também as duas primeiras edições da Liga das Nações

México nocauteou a Jamaica cedo

O México vem de um momento claramente turbulento, com dois técnicos demitidos em poucos meses. El Tri caiu cedo na Copa do Mundo e deu vexame nas semifinais da Liga das Nações, o que aumentou a pressão para a Copa Ouro, sob as ordens do interino Jaime Lozano. Diferentemente de seus principais concorrentes na região, Estados Unidos e Canadá, os mexicanos resolveram até levar o time principal para o torneio continental. E colhem os frutos, com a vaga na final. A Jamaica, no papel, começa a despontar como candidata a voltar à Copa do Mundo. Entretanto, falta equilíbrio e conjunto. Os problemas ficaram claros nos 3 a 0 dos mexicanos.

O grande mérito do México na partida foi abrir o placar logo aos dois minutos, num contra-ataque. Após o cruzamento da esquerda, a bola ricocheteou e sobrou limpa com Henry Martín. O atacante bateu no canto e facilitou o trabalho. Os mexicanos continuaram com o controle, contra uma Jamaica que mal ameaçava a meta de Guillermo Ochoa. O goleiro André Blake era mais exigido do outro lado, mas não teve o que fazer aos 30 minutos. Luis Chávez cobrou uma falta perfeita, na gaveta, e assinou uma pintura.

A Jamaica saiu para o ataque durante o segundo tempo, mas não que tenha exercido uma pressão tão contínua. O México administrava bem o resultado e evitava grandes sustos. Ochoa trabalhou pouco, testado apenas por duas tentativas de Michail Antonio no meio da segunda etapa. E sem que os Reggae Boyz sequer descontassem, El Tri fechou a contagem durante os acréscimos, quando os oponentes estavam desesperados para achar um gol. Jesús Gallardo fez uma jogadaça pela esquerda e cruzou para Roberto Alvarado só cutucar.

Panamá mostra seu valor contra os EUA

O Panamá disputa a Copa Ouro com uma geração renovada em relação ao time que jogou a Copa do Mundo de 2018. E a Maré Vermelha se mostra bastante competitiva. Depois da goleada por 4 a 0 sobre o Catar nas quartas de final, os panamenhos passaram pelos Estados Unidos, que vinham embalados no torneio mesmo com seu time B. Prevaleceu o empate por 1 a 1, mas o Panamá mereceu mais a vitória com bola rolando. Já nos pênaltis, os centro-americanos foram mais competentes nos 5 a 4.

Os Estados Unidos carimbaram a trave logo cedo com Cade Cowell, mas o Panamá teve um gol anulado pouco depois, no meio do primeiro tempo. Já no início do segundo tempo, o goleiro Matt Turner fez um milagre em cabeçada de Ismael Díaz. Por mais que o US Team rondasse a meta adversária, a Maré Vermelha era mais contundente e teve outro gol anulado nos acréscimos. O jogo seguiu para a prorrogação. E o primeiro gol foi panamenho: Iván Anderson foi lançado por Adalberto Carrasquilla e aproveitou a saída destrambelhada de Matt Turner para anotar aos nove do primeiro tempo extra. O empate dos EUA saiu antes da troca de lados, num belo chute de Jesús Ferreira. Foi o que forçou os pênaltis.

O goleiro Orlando Mosquera brilhou logo na primeira cobrança dos EUA, ao defender o chute de Jesús Ferreira. Os batedores acertaram o pé na sequência, até Cristian Martínez parar em Matt Turner no terceiro tiro panamenho. As duas equipes fecharam a série normal em 4 a 4. Já nas alternadas, Mosquera defendeu a cobrança de Cristian Roldán e Adalberto Carrasquilla mandou na gaveta para classificar o Panamá.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.
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