Concacaf

Com defesa de pênalti nos acréscimos da prorrogação, EUA vencem México e conquistam Liga das Nações

Em um duelo equilibrado, com dois pênaltis na prorrogação, americanos levaram a taça do primeiro torneio deste tipo na Concacaf

Os Estados Unidos conquistaram o título da primeira Liga das Nações da Concacaf neste domingo à noite. A final foi um clássico do continente, com Estados Unidos e México, depois de americanos vencerem Honduras e o México superar a Costa Rica nos pênaltis. A vitória por 3 a 2 no Empower Field, em Denver, Colorado, teve muita emoção. O jogo foi para a prorrogação e teve dois pênaltis, um para cada lado, mas só um deles converteu, com direito ao goleiro reserva Ethan Horvath salvando um pênalti. Do outro lado, Christian Pulisic, campeão da Champions League pelo Chelsea, marcou e deu a vitória ao time da casa.

O jogo já começou agitado. Logo no primeiro minuto de jogo, o México saiu em vantagem depois de uma falha defensiva dos rivais. Um corte errado de Mark McKenzie permitiu que Jesus Corona interceptasse a bola e, de frente para o goleiro, soltasse uma bomba para marcar 1 a 0 para os mexicanos.

O gol de empate veio aos 27 minutos. Christian Pulisic cobrou escanteio do lado direito, Weston McKennie cabeceou na trave e a bola sobrou para Gio Reyna, dentro da pequena área, empurrar para o fundo da rede: 1 a 1. O México ficou perto de marcar o segundo com o atacante Hirving Lozano, aos 43 minutos, mas o goleiro Zack Steffen defendeu.

O primeiro tempo foi dominado pelos mexicanos, um time mais experiente em campo, com idade média de 28,5 anos, enquanto os americanos levaram uma equipe com média de idade de 24,6. A rigor, o placar de 1 a 1 parecia até barato para os Estados Unidos naquele momento.

Aos 24 minutos do segundo tempo, o goleiro Zack Steffen se machucou e precisou ser substituído. Ele, que é reserva do Manchester City, pouco jogou ao longo da temporada. Seu substituto foi Ethan Hovarth, do Club Brugge, da Bélgica. Curiosamente, ele é de Highlands Ranch, um local que fica a cerca de meia hora de carro do estádio. Jogava em casa. Ele não imaginava que seria tão importante.

No começo da sua participação, porém, ele viu algo muito negativo. Aos 33 minutos do segundo tempo, Diego Lainez, que tinha entrado pouco antes no lugar de Uriel Antuna, fez uma linda jogada dentro da área. Recebeu, fintou com a perna esquerda, abriu espaço e chutou rasteiro, no canto do goleiro, forte e sem defesa. Um golaço mexicano que colocou 2 a 1 no placar.

O gol de empate não demoraria a sair. Aos 36 minutos, nova cobrança de escanteio, desta vez de Gio Reyna, e Westn McKennie foi novamente um gigante pelo alto, cabeceou e desta vez marcou direto: 2 a 2 no placar. O México ficou perto de fazer o gol da vitória já com o placar aos 45 minutos, mas Horvath fez uma boa defesa para impedir. O jogo iria para a prorrogação.

Aos 114 minutos, ou nove minutos do segundo tempo da prorrogação, pênalti para os Estados Unidos. O principal jogador do time, o meia Christian Pulisic, foi o responsável pela cobrança. E bateu de forma perfeita. Um chute colocado, no alto, sem qualquer chance de defesa. Pela primeira vez na partida, os Estados Unidos estavam em vantagem no placar, 3 a 2.

Christian Pulisic comemora o gol da vitória dos Estados Unidos (Imago / OneFootball)

Tudo poderia ter mudado nos acréscimos da prorrogação, com um toque de mão dentro da área, novamente do zagueiro McKenzie, em uma noite infeliz. Um dos mais experientes jogadores da seleção mexicana ficou responsável pela cobrança: Andrés Guardado. O meia do Betis chutou colocado, no canto direito do goleiro, e Horvath fez uma grande defesa. Guardado caiu de joelhos no chão, lamentando. Já quatro minutos dentro dos acréscimos, o lance acabou sendo decisivo para definir o placar. Não havia tempo para mais nada.

Os Estados Unidos conquistam a primeira edição da Liga das Nações, com uma nova geração de jogadores. Incluindo a sua estrela brilhando, Pulisic, mas também o herói inesperado, Horvarth. “Apenas pensando em como é difícil para goleiros entrarem no jogo, naquele estágio do jogo, e então ter um impacto que ele teve é incrível”, afirmou o técnico Gregg Berhalter. “Foi uma temporada difícil para ele vir e ter um desempenho como o que ele teve aqui na sua casa, você sabe que é uma história que vai para os livros”.

Horvath, claro, comemorou muito a atuação decisiva. “Isso se deve a fazer a nossa lição de casa”, declarou o goleiro. Jogadores como Weston McKennie, da Juventus, que teve uma atuação decisiva, tiveram um peso em uma equipe tão jovem. “Eu não sei o que foi isso, mas eles parecem ter agarrado meu pescoço”, contou o meio-campista sobre uma falta acontecida no segundo tempo. “É uma rivalidade que está aqui por gerações e é uma rivalidade que ainda continua. Nós levamos a melhor desta vez e espero que continue assim”.

A maior rivalidade da Concacaf foi coroada com um jogaço no domingo à noite, que deixou uma boa impressão para os americanos. Seu jovem time, ainda inexperiente em muita coisa, conseguiu competir com um elenco bem mais experiente do México, que tem levado a melhor com mais frequência. Para uma seleção que sequer conseguiu a classificação à Copa do Mundo na Rússia, em 2018, é um bom sinal.

Confira os gols e a defesa de Hovarth:

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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