Brasil

James fora, garotos no time e 80% de aproveitamento: Zubeldía revoluciona São Paulo em um mês

Invicto, técnico completa um mês no cargo com resultados que comprovam como suas mudanças surtem efeito

Há exatamente um mês, o São Paulo anunciava a contratação de Luis Zubeldía para assumir o comando da equipe no lugar de Thiago Carpini, Há exatamente um mês, a diretoria tornava oficial uma decisão que — ao menos por ora — mudou os rumos do clube em 2024. Desde então, o Tricolor está invicto na temporada, já garantiu vaga nas oitavas de final da Libertadores e viu garotos antes escanteados ganharem minutos dentro de campo. Na contramão, James Rodríguez está fora de vez dos planos para o restante do ano.

Dizer que Zubeldía revolucionou o ambiente interno do São Paulo não soa como exagero, conforme relatos ouvidos pela Trivela de pessoas que acompanham o dia a dia de trabalhos no CT da Barra Funda. De seus tempos de LDU, o argentino desembarcou no Brasil com a fama de ser intenso até mesmo nos treinamentos. Os jogadores do Tricolor têm diariamente a prova de que isso é verdade.

A reportagem apurou que o técnico orienta as atividades como se estivesse jogando com seus comandados e como se fosse uma partida valendo três pontos. Se um jogador executa um passe durante um dos exercícios, por exemplo, o treinador corre para acompanhar a trajetória da bola até o destinatário. Quando os atletas acertam a movimentação de uma jogada ou marcam gols, o treinador vibra aos gritos.

Foi assim, com esse jeito enérgico nos treinamentos e até nos trabalhos de aquecimento antes das partidas que o treinador conquistou de imediato o grupo de jogadores. Os resultados conquistados até agora não deixam dúvidas disso.

— É um cara que está nos ajudando muito tanto ele quanto a comissão dele. É um cara bastante intenso que tem um espírito vencedor e vem transmitindo isso para a gente. Tenho certeza que essa motivação que ele tem, acaba nos motivando ainda mais — afirma o volante Alisson.

Invicto, técnico ultrapassa os 80% de aproveitamento

O São Paulo vive hoje o seu melhor momento — com folgas — na temporada, e muito se deve à chegada de Luis Zubeldía. Os números estão aí para provar. O Tricolor sustenta a sua maior invencibilidade no ano, de oito partidas. Mas a série, verdade seja dita, começou com o argentino apenas como observador nas tribunas, enquanto o interino Milton Cruz comandava a equipe na vitória por 3 a 0 sobre o Atlético-GO, no Antônio Accioly.

A maré positiva seguiu depois que Zubeldía começou a colocar suas ideias e metodologia em prática. O São Paulo seguiu invicto mesmo em meio a uma maratona de sete jogos em 21 dias — um a cada três dias. O argentino se viu obrigado a rodar bastante a equipe e conseguiu manter um padrão de atuações mesmo com tantas mudanças. Prova disso é que são sete jogos, com cinco vitórias, dois empates e um total de 80,9% de aproveitamento com o treinador.

Zubeldía no comando do São Paulo

  • 7 jogos
  • 5 vitórias
  • 2 empates
  • 13 gols feitos
  • 4 gols sofridos
  • 80,9% de aproveitamento

O aproveitamento subiu 30% na comparação com os 50% alcançados por Thiago Carpini em 18 partidas. Mas outros números ajudam a evidenciar o crescimento da equipe. Enquanto a média de gols feitos por partida aumentou de 1,44 para 1,87 com o argentino, a média de gols sofridos por partida despencou para quase metade: de 1,05 para 0,57. Zubeldía, por sua vez, foge dos superlativos para falar de sua equipe.

“São Paulo está jogando bem, tem os princípios claros e podemos seguir melhorando. Eu trato de evitar os superlativos. Como dizia Ferguson quando via um treino muito bom, ou um jogo de futebol… Ele simplesmente usava duas palavras poderosas. Bem feito. Nada de superlativos. O que eu busco é isso. Pés na terra, humildade. E que os jogadores façam um bom jogo, dentro dos princípios com e sem a bola” (Luis Zubeldía).

James fora dos planos…

Se o novo ambiente e os resultados são as provas concretas, James Rodríguez é, talvez, o grande rosto da revolução conduzida por Zubeldía. Isso, porque o treinador teve a personalidade de bancar logo de imediato que a estrela não faz parte de seus planos no São Paulo. O argentino entende que o meia não entrega a intensidade necessária para estar em campo. Por isso, ele sequer foi relacionado para os últimos quatro jogos da equipe.

— Eu tomo decisões em relação ao que vejo e para isso estou aqui, para tomar decisões. Se não está o James, é porque considero que tem que estar outros companheiros. (…) Tenho clara qual é a minha profissão, e tenho clara qual é a minha responsabilidade. Um treinador vive tomando decisões, e tratamos junto com o meu estafe que essas decisões sempre sejam em favor do grupo e que sejam, em sua maioria, positivas. Então, todos estão considerados, mas ao final do dia, ou antes, dos jogos, tenho que tomar decisões — explica Zubeldía.

James jogou apenas cinco minutos com Zubeldía (Foto: Rubens Chiri/saopaulofc.net)

Quanto ao São Paulo, resta esperar a abertura da janela de transferências do meio da temporada para negociar o quanto antes a saída de James Rodríguez. A Trivela ouviu de uma pessoa que participa do dia a dia de trabalhos no CT da Barra Funda que, hoje, não há mais esperanças de que o meia corresponda à alta expectativa sobre o seu futebol desde a chegada de Zubeldía.

O trabalho da diretoria do clube a partir de agora será reduzir o prejuízo ao mínimo possível. James tem contrato com o São Paulo até o junho de 2025 e já sinalizou que aceita abrir mão do restante do que tem a receber para concretizar sua saída. Foi assim, inclusive, em seu pedido para deixar o clube no início do ano. A grande questão é que ele tem 2 milhões de euros (R$ 11,12 milhões) a receber referentes a luvas e a uma cláusula em seu contrato. Este é o valor que o Tricolor precisará resolver para liberá-lo.

— É um jogador com contrato no São Paulo, e está cada vez mais claro que ele não está nos planos do técnico. Agora vai ter a Copa América, ele vai ser convocado, e a janela vai determinar o futuro do James. Não temos nenhuma proposta. A partida (do São Paulo para outro clube) tem que ser boa para o atleta e principalmente para a instituição — afirmou o presidente Julio Casares, em entrevista à ESPN.

…E garotos em alta na equipe

Na contramão os apenas cinco minutos que James recebeu com Zubeldía, alguns garotos passaram a ganhar mais espaço com o treinador. Uma das promessas que mais gera expectativa no clube, o meia Rodriguinho, por exemplo, só foi estrear em 2024 sob o comando do argentino. Juan, por sua vez, virou opção recorrente para a ausência de Calleri, enquanto Carpini não dava folga ao titular e mal utilizava o garoto. Mas o caso mais emblemático é o do lateral-esquerdo Patryck. Pouco usado por três treinadores anteriores, o jovem tem marcado presença em campo com o atual comandante.

— Quando vem um treinador novo, como eu, não está contaminado das críticas que podem ter recebido os jogadores. Eu começo a tomar decisões não pelo que dizem, mas pelo que vejo. Se o Patryck esteve em todas as seleções de base, sub-17, sub-20. Por que não pode jogar aqui? Teve partidas boas e não tão boas. Normal em um jogador jovem. É um jogador que tem sete anos de formação de seleção nacional. É todo um processo para que em cinco ou sete partidas dizer que não serve? Claro que vai ter jogos maus, como fez boas partidas como a de hoje. Se tem um processo de seis, sete anos que andou bem, vamos dizer que não serve porque fez alguns jogos mal? — indagou o treinador.

Patryck, em ação pelo São Paulo contra o Cobresal (Foto: Rubens Chiri/saopaulofc.net)

Os próximos três jogos do São Paulo:

  • São Paulo x Águia de Marabá — Copa do Brasil — quinta-feira, 23 de maio, às 21h30 (horário de Brasília) — Transmissão: Amazon Prime (Streaming);
  • São Paulo x Talleres — Libertadores — quarta-feira, 29 de maio, às 21h30 (horário de Brasília) — Transmissão: TV Globo (TV aberta) e Paramount + (Streaming);
  • Corinthians x São Paulo — Brasileirão — domingo, 2 de junho, às 16h (horário de Brasília) — Transmissão: TV Globo (TV aberta) e Premiere (TV por assinatura).
Foto de Eduardo Deconto

Eduardo Deconto

Jornalista pela PUCRS, é setorista de Seleção e do São Paulo na Trivela desde 2023. Antes disso, trabalhou por uma década no Grupo RBS. Foi repórter do ge.globo por seis anos e do Esporte da RBS TV, por dois. Não acredite no hype.
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