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Fluminense à parte, Enner Valencia chegou para resolver problema que era o ataque do Internacional

Contratação mais badalada da temporada do Internacional, Enner Valencia resolveu problema que era o ataque colorado no primeiro semestre de 2023

Não foi por acaso que o maior investimento do Internacional em 2023 tenha sido em um centroavante. A chegada de Enner Valencia, na metade do ano, visou suprir enorme carência deflagrada no primeiro semestre.

Após terminar 2022 em alta, com gols importantes na campanha do vice-campeonato brasileiro, Alemão começou 2023 mal. Como era o único centroavante de ofício no elenco, a opção para o então técnico Mano Menezes foi utilizar Pedro Henrique, ponta de origem, como 9. A opção até deu certo em algumas partidas do Campeonato Gaúcho, tanto é que o atacante colorado foi o artilheiro da competição. Mas a superioridade de Kannemann sobre ele no Gre-Nal, vencido pelo Grêmio por 2 a 1, alertou para a necessidade do retorno de um homem de referência.

Alemão e Luiz Adriano revezaram titularidade no Internacional

Luiz Adriano voltou ao Inter no final de fevereiro com esse intuito, ao menos até a chegada de Valencia, que já era especulada naquela época. Porém, o centroavante de 36 anos, campeão mundial pelo Inter em 2006, ratificou a decadência, principalmente física, que já se via na reta final da passagem pelo Palmeiras, antes da ida para a Turquia. O jogo de exceção foi contra o Independiente Medellín, na última rodada da fase de grupos da Libertadores, em que marcou dois gols.

Luiz Adriano e Alemão alternaram titularidade durante bom tempo, dividindo a opinião pública, que em geral sempre preferia o que estava de fora. No final das contas, em julho, Enner Valencia finalmente desembarcou em Porto Alegre e Alemão foi vendido para o Grupo Pachuca, sendo repassado para o Real Oviedo, da Espanha.

Chegada de Enner Valencia causou impacto no Internacional

Valorizado pela última temporada no Fenerbahçe, da Turquia, em que foi o terceiro maior artilheiro do futebol europeu, Valencia chegou ao Inter envolto em grande expectativa da torcida, que encheu o Gigantinho para recepcioná-lo. Nos primeiros jogos, a discussão era sobre seu posicionamento ideal, especialmente após Mano Menezes o colocá-lo como falso ponta direita em sua estreia, contra o Fluminense.

Esse foi um dos motivos para a queda de Mano. Seu substituto, Eduardo Coudet, imediatamente colocou Valencia em ‘dupla de ataque' com Alan Patrick, dando liberdade para o equatoriano cair pelos dois lados. A bola passou a chegar mais, e logo os gols começaram a sair. Os quatro primeiros, decisivos, pela Libertadores, contra Bolívar, nas oitavas de final, e River Plate, nas quartas de final.

Somado aos nove no Brasileirão, Valencia encerrou sua primeira temporada no Inter com 13 gols, além de duas assistências, em 28 jogos. Entretanto, ficou marcado pelas oportunidades desperdiçadas no jogo de volta da semifinal da Libertadores, contra o Fluminense, que custaram muito caro.

Wanderson cresceu com Coudet

Quem também cresceu sob o comando de Coudet foi Wanderson. Após primeiro semestre abaixo do esperado, o atacante passou a ter nova função com o técnico argentino, como meia pela esquerda no 4-1-3-2. Além de colaborar na marcação, conseguiu se destacar mais na frente. Terminou a temporada com oito gols e 10 assistências em 61 jogos, além de muitos dribles.

Coadjuvantes não conseguiram se firmar no Internacional

Mas Wanderson foi o único ponta de origem do elenco colorado que teve 2023 exitoso no Inter. Pedro Henrique, depois do bom início no Gauchão, sofreu demais com as lesões e caiu de rendimento. Retomou na reta final, com dois gols, como atacante centralizado, função em que Coudet prefere utilizá-lo. Jean Dias, buscado inexplicavemente no Caxias após o Gauchão, sequer foi utilizado pelo treinador argentino. O jovem Gabriel Barros recebeu duas oportunidades como titular, mas não aproveitou, principalmente contra o Botafogo, no último jogo da temporada.

Lucca foi o único atacante oriundo das categorias de base do Inter a ter aproveitamento no time profissional em 2023. Após promissor início de ano, com gol no Gauchão e assistências decisivas em jogos da fase de grupos da Libertadores, não conseguiu se firmar nas oportunidades recebidas. Seja como centroavante, segundo atacante ou ponta.

Foto de Nícolas Wagner

Nícolas Wagner

Gaúcho e formado em Jornalismo pela PUC-RS, já passou pela Rádio Grenal e pela RDC TV. É, também, coordenador de conteúdo da Rádio Índio Capilé.
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