Libertadores

Herói nas fases anteriores, Enner Valencia vira vilão em eliminação do Internacional

Um dos principais responsáveis pelas classificações sobre River Plate e Bolívar, Enner Valencia perdeu oportunidades que custaram caro na eliminação do Internacional para o Fluminense

Principal reforço do Internacional na temporada, Enner Valencia foi um dos grandes responsáveis por conduzir o Internacional de volta a uma semifinal de Libertadores depois de oito anos. Porém, da mesma forma, sai como um dos principais culpados pela eliminação do Colorado na semifinal, para o Fluminense.

O equatoriano teve ao menos duas chances claras de ampliar o marcador quando o Inter vencia por 1 a 0 o jogo da volta, na noite de quarta-feira, no Beira-Rio. Não foi efetivo, diferentemente de John Kennedy e Cano, que viraram para o Tricolor Carioca.

— Tivemos muitas situações para matar o jogo, e não conseguimos matar. Sofremos dois chutes ao gol, e eles converteram os dois. Acho que, neste jogo em si, tivemos falta de sorte — lamentou o técnico Eduardo Coudet, que não quis entrar no mérito das individualidades.

O treinador revelou que a estratégia para o segundo tempo do jogo, quando em vantagem no marcador, era voltada justamente para o equatoriano.

— Baixamos um pouco mais as linhas para aproveitar os espaços, e sobretudo a velocidade do Enner — explicou.

Não dá para dizer que o plano, em si, não deu certo. Mas a execução…

Sequência de oportunidades

Ainda antes das finalizações que não resultaram em gol, Valencia arrancou com liberdade, aos 22 minutos do segundo tempo. Porém, no momento derradeiro, foi travado por Nino que, cirúrgico, salvou o Fluminense.

Dois minutos depois, em jogada pelo lado direito, o equatoriano cavou falta e cartão amarelo para Martinelli. Na cobrança, de Alan Patrick, Valencia cabeceou sozinho, praticamente da pequena área, mas por cima do gol.

Aos 32, em contra-ataque, o atacante foi lançado por De Pena. Avançou sozinho em direção ao gol, mas, cara a cara com Fábio, finalizou torto, pela linha de fundo.

Fluminense não perdoa

O mais cruel é que a série de oportunidades desperdiçadas, que aconteceu em período de 10 minutos, foi seguida pelos gols do Fluminense pouco tempo depois. A máxima do futebol, ‘quem não faz, leva', se provou de maneira extremamente indigesta para Inter.

John Kennedy empatou aos 36. O atacante, que havia ingressado no intervalo, recebeu passe de Cano e deu cavadinha na saída de Rochet. Renê ainda tentou evitar o gol, praticamente em cima da linha, mas não conseguiu.

Seis minutos depois, veio a virada. Após troca de passes pelo lado direito, Cano recebeu dentro da área, de frente para Rochet, e finalizou rasteiro, no canto, para marcar seu 12º gol na Libertadores.

Derrota no duelo individual com Cano e investimento posto à prova

No duelo dos centroavantes, Valencia foi claramente superado por Cano nas duas partidas da semifinal. Na ida, o argentino já tinha marcado duas vezes. Na soma dos confrontos, teve menos oportunidades do que o equatoriano, mas foi mais efetivo.

Cano comemora gol da virada do Fluminense. Foto: Maxi Franzoi/Icon Sport

O investimento alto feito pelo Inter na contratação de Valencia, após o centroavante ter sido um dos maiores artilheiros da última temporada do futebol europeu, se justificou nas oitavas e nas quartas de final. Ele marcou um gol na ida contra o River Plate, e um gol na ida e dois na volta diante do Bolívar. Mas, na semi, ficou devendo.

Como o futebol é dinâmico, o centroavante terá chance de dar a volta por cima já no domingo (8), e num clássico Gre-Nal. Valencia persegue seu primeiro gol no Campeonato Brasileiro. Todos marcados até aqui pelo Inter foram na Libertadores.

Foto de Nícolas Wagner

Nícolas Wagner

Gaúcho. Formado em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Antes de escrever pela Trivela, esteve na Rádio Grenal e na RDC TV. Também é coordenador de conteúdo da Rádio Índio Capilé.
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