Brasil

Decisivo (de novo) em título, Rafael começa a fazer o impossível: afastar a sombra de Ceni

Rafael pega dois pênaltis e é protagonista do título do São Paulo na Supercopa do Brasil

Rafael viveu longos 15 anos como um frequentador assíduo do Mineirão. Muitas vezes, é verdade, na condição de mero espectador como reserva de Fábio por uma década no Cruzeiro. E foi justamente neste estádio que ele aprendeu a chamar de casa, diante da família e de uma multidão de são-paulinos as suas costas na arquibancadas, que o goleiro viveu o seu momento de maior protagonismo no São Paulo. Um momento em que ele, de tão decisivo, fez o que parecia ser impossível até então: sair da sombra de Rogério Ceni.

Rafael conseguiu ser um goleiro protagonista de título guardando as mesmas traves defendidas pelo maior ídolo da história do clube. O mineiro foi o herói da conquista inédita da Supercopa do Brasil ao pegar duas cobranças na vitória nos pênaltis sobre o Palmeiras, no último domingo (4), no Mineirão.

Ele, aliás, foi decisivo de novo em um título do Tricolor. No ano passado, Rafael já havia brilhado no duelo com o Sport nas oitavas de final da Copa do Brasil. Após vencer a ida no Recife por 2 a 0, o São Paulo perdeu por 3 a 1 no jogo da volta em pleno MorumBis. Coube ao goleiro salvar a equipe na disputa de pênaltis.

– O Rafael é um grande líder, grande goleiro. Goleiro que cresce nas horas difíceis. Assim como do outro lado há um grande goleiro. Foi um grande duelo, duelo de times grandes, mas o São Paulo pôs o coração também. Estamos felizes. Agora vamos comemorar – disse o presidente Julio Casares ao deixar o gramado do Mineirão.

Esse goleiro líder que cresce nos momentos decisivos já havia fechado o gol durante os 90 minutos para manter o São Paulo vivo na Supercopa. Por isso, ele não esconde o quão emblemático foi o título para o Tricolor – e para ele próprio. Especialmente pelo palco da partida, o Mineirão, onde tantas vezes viu de camarote Fábio ser o protagonista.

– Esse time merece demais, a gente trabalha muito. Estou muito feliz de poder conquistar mais um título com essa camisa. Só tenho que agradecer a Deus por tudo que estou vivendo. Nem nos meus melhores sonhos eu podia imaginar estar vivendo isso, conquistando títulos com a camisa do São Paulo, estando em campo, jogando. Queria agradecer à minha família, que está sempre me ajudando nessa batalha diária. Fico muito feliz por ter ajudado – afirmou o goleiro.

Rafael é goleiro com melhores números desde Ceni

Rafael foi o segundo reforço anunciado pelo São Paulo no ano passado. À época, ele chegou para brigar por posição com Felipe Alves e Jandrei. Mas nunca houve uma disputa. O goleiro assumiu a titularidade logo no primeiro jogo, ainda sob o comando de Rogério Ceni, e não saiu mais da posição. Ele emendou 37 partidas seguidas em campo até descansar entre os jogos decisivos contra o Palmeiras pela Copa do Brasil.

Não é à toa que logo na “maior aventura da carreira” – em suas próprias palavras ditas na apresentação -, o camisa 23 virou o goleiro com melhores números pelo São Paulo desde a aposentadoria do maior ídolo da história do clube, ao final de 2015.

 

Conforme levantamento da Trivela, Rafael sofreu 57 gols em 70 jogos pelo Tricolor. A média de 0,81 gol/jogo é a mais baixa de um goleiro com mais de 20 partidas pelo clube neste século. Jean, que atuou entre 2018 e 2019, até tem uma média inferior, de 0,78 gol por jogo, mas ele tem apenas 19 aparições pelo Tricolor.

Goleiros do São Paulo desde a aposentadoria de Ceni

  1. Jean (2018 e 2019) – 15 gols em 19 jogos – 0,78 gol/jogo
  2. Rafael (2023) – 57 gols em 70 jogos – 0,81 gol/jogo
  3. Felipe Alves (2022) – 20 gols em 21 jogos – 0,95 gol/jogo
  4. Lucas Perri (2019 a 2021) – 9 gols em 9 jogos – 1 gol/jogo
  5. Tiago Volpí (2019 a 2022) – 195 gols em 193 jogos – 1,01 gol/jogo
  6. Sidão (2017 e 2018) – 72 gols em 71 jogos – 1,01 gol/jogo
  7. Dênis (2016 e 2017) – 77 gols em 65 jogos – 1,02 gol/jogo
  8. Jandrei (2022) – 44 gols em 43 jogos – 1,02 gol/jogo
  9. Thiago Couto – 8 gols em 7 jogos – 1,14 gol/jogo
  10. Renan Ribeiro (2016 e 2017) – 39 gols em 33 jogos – 1,18 gol/jogo
    Léo Vieira atuou por 13 minutos em 2016 e não sofreu gol

Uma outra estatística comprova o protagonismo do camisa 23. Rafael entrou em uma seleta lista de goleiros com mais clean sheets pelo São Paulo em uma mesma temporada. Aos 34 anos, ele chegou ao top-5 cno ranking de jogos sem gols sofridos pelo clube ao longo de um ano. O recordista máximo é Waldir Peres, que ficou sem ser vazado em 41 das 67 partidas que disputou pelo Tricolor em 1975.

Em 2023, Rafael manteve alcançou 32 clean sheets em um total de 66 jogos. Ou seja: com o camisa 23 em campo, o São Paulo saiu sem sofrer gols em 48% das partidas desta temporada. Não é à toa que ele encerrou o revezamento que foi recorrente na posição pelo Tricolor ao longo de 2022 e dos últimos anos.

– Bacana, o Rafa dispensa comentários, merecidíssimo, não só enaltecer o tamanho da importância dele, mas também o Jandrei e os meninos que ajudam no dia a dia, isso eleva o nivel dele. Um ajuda o outro a elevar o nivel. Mérito é dele, do Rafinha, do Arboleda, é do São Paulo, mas só enfatizando que essa competitivdade intera ajuda. Ele se sente em casa aqui, viveu muito aqui, assim como Alisson, que conhecem o Mineirão. Tem um sabor especial ser campeão aqui – elogia o técnico Thiago Carpini.

São Paulo fatura premiação milionária com título

Em meio à festa do título no gramado do Mineirão, o São Paulo recebeu dois cheques pesados em premiação por ter sido campeão da Supercopa do Brasil. A entidade pagou R$ 5,5 milhões ao campeão. Além disso, a Conmebol ofereceu US$ 1 milhão (R$ 4,9 milhões) como prêmio. Ao todo, o clube embolsará R$ 10,4 milhões pela conquista. O valor é R$ 400 mil a mais do que foi pago pela CBF ao vencedor da competição em 2023.

 

 

Foto de Eduardo Deconto

Eduardo Deconto

Eduardo Deconto nasceu em Porto Alegre (RS) e se formou em Jornalismo na PUCRS. Antes de escrever para a Trivela, passou por ge.globo e RBS TV.
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