Brasil

‘Um crime contra a memória esportiva’: Por que o Pacaembu quase não recebe mais futebol

Mítico estádio de São Paulo perde protagonismo e recebeu apenas nove partidas profissionais após a concessão à iniciativa privada

“O seu, o meu, o nosso Pacaembu”. O paulista que ama futebol provavelmente já ouviu, das arquibancadas, da TV ou do rádio, o icônico bordão de um dos estádios mais míticos da capital. Mesmo que tenha uma forte identificação recente com o Corinthians, o Pacaembu tem espaço especial na memória de torcedores de São Paulo, Santos e Palmeiras.

A agora Arena Mercado Livre Pacaembu, porém, deixou de ser um palco importante ao futebol paulista nos últimos anos. Cedida à concessória Allegra, empresa privada, em 2019, passou por reformas a partir de 2021 com gastos de mais R$ 800 milhões e só foi reinaugurada no começo de 2025, com a disputa da final da Copinha, vencida pelo São Paulo em cima do Corinthians.

Neste domingo (25), mais uma decisão da competição de base mais importante do país será disputada lá. Isso, porém, não é o normal para um estádio que virou mais uma casa de shows do que o palco de jogos de futebol.

São Paulo celebra título da Copinha 2025
São Paulo celebra título da Copinha 2025 no Pacaembu (Foto: Imago)

Mais eventos do que futebol: a nova realidade da Arena Pacaembu

Em 2025, apesar da previsão do CEO da Allegra, Eduardo Barella, de receber 35 partidas (20 dessas”atraentes” para grande público), a Arena só hospedou seis jogos do futebol profissional masculino, todos da Portuguesa (cinco pelo Campeonato Paulista e um na Copa do Brasil), tendo apenas uma com presença considerável (17 mil torcedores contra o Corinthians).

O futebol feminino, com duas partidas do Corinthians como mandante e outra do São Paulo, fecham os duelos oficiais no local. Por outro lado, entre eventos privados, esportivos, shows e outras atrações de negócios, culturais e lazer, foram realizados 141 cerimônias no local no ano passado, segundo o jornal “Estadão”.

Como comparação, em 2019, último ano antes da reforma do estádio, foram recebidas 27 partidas de futebol masculino nas principais competições do país, tendo jogos dos quatro grandes times paulistas.

Os jogos profissionais no Pacaembu em 2025

Masculino

  • Portuguesa x São Paulo — Público: 8.399
  • Portuguesa x Botafogo-SP — Público: 2.028
  • Portuguesa x Inter de Limeira — Público: 2.279
  • Portuguesa x Corinthians — Público 17.087
  • Portuguesa x São Bernardo — Público: 1.976
  • Portuguesa x Botafogo-PB — Público: 2.036

Feminino

  • Corinthians x Ferroviária — Público: 2.902
  • Corinthians x Bahia — Público: 6.125
  • São Paulo x Corinthians — Público: 3.246
Partida entre Corinthians e Bahia pelo Brasileirão Feminino disputada no Pacaembu
Partida entre Corinthians e Bahia pelo Brasileirão Feminino disputada no Pacaembu (Foto: Imago)

A grama sintética instalada no Pacaembu para diminuir os custos e facilitar a realização de eventos afastou Santos e São Paulo, que preferiram trocar de estádios, com o Peixe mandando dois jogos no Morumbis no ano passado para se aproximar da torcida da capital e o lado são-paulino esteve quatro vezes na Vila Belmiro por conta de shows em sua casa.

O Palmeiras, com a parceria entre a presidente Leila Pereira e a Arena Barueri, não precisa se preocupar em buscar o mítico estádio paulista quando o Allianz Parque não está disponível, enquanto o Corinthians praticamente sempre está na Neo Química Arena.

A Portuguesa, que iria reformar o Canindé e tornar a Arena Mercado Livre Pacaembu sua nova casa, entrou em conflito com a Allegra pelos valores cobrados de aluguel e, apesar de resolver a pendência que o clube tratou como indevida, ainda não tem previsão para mandar jogos novamente por lá.

O estádio da Lusa segue sem previsão de quando entrará em obras. A assessoria de imprensa da SAF do clube afirmou que a Arena possui uma questão com os preços que pode ser problemática para quem busca alugar o espaço para o futebol por conta dos eventos corporativos. A Allegra afirma que o aluguel para jogos é diferente de eventos corporativos.

— Quando houver a necessidade de sair do Canindé pelo início da reforma, é claro que a gente vai procurar um segundo estádio, e o Pacaembu é um dos que a gente vai sentar para conversar. Só que o Pacaembu tem um problema — o que para eles é uma solução. Eles estão com uma agenda repleta de eventos para 2026, shows, feiras. Então isso inviabiliza talvez o aluguel para alguns times. — afirmou a comunicação da Portuguesa.

Houve conversas entre a Allegra e o Flamengo para que partidas fossem recebidas no estádio, mas não avançaram até hoje. O Santos, com uma possível demolição da Vila Belmiro e construção de um novo arena nos próximos anos (sem data confirmada), planeja voltar ao Pacaembu. Neste domingo (25), porém, o clube do litoral mandará um jogo na Neo Química Arena pelo Paulistão.

— O Santos definiu como palco dos seus jogos, durante a construção da nova Vila Belmiro, a Mercado Livre Arena Pacaembu, mas temos parcerias com outros clubes de São Paulo — disse o presidente do Peixe, Marcelo Teixeira, em agosto do ano passado.

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Mudança de posicionamento dos clubes em relação a sintético pode explicar situação atual

A grama sintética no Pacaembu, investimento de R$ 6,5 milhões e do mesmo tipo da utilizada pelo Botafogo no Nilton Santos, é de conhecimento geral desde 2023, sendo instalada no ano seguinte.

O gramado não natural é alvo de discussão há muito tempo no Brasil, primeiro com a Arena da Baixada do Athletico-PR em 2016 e depois com a instalação no Allianz Parque em 2020, por ser um suposto favoricemento ao mandante que é acostumado com o piso e citado como local com maior incidência de lesões — o que estudos não confirmam até o momento.

— Essa é uma polêmica que tem crescido cada vez mais, mas eu não vejo como possível você querer aumentar o uso do campo sem que ele seja de grama sintética. Nós optamos pela utilização do gramado sintético justamente por estar objetivando esse uso mais intensivo do campo. Essa discussão continuará existindo — justificou o CEO da Allegra, Eduardo Barella, à “CNN” em março de 2024.

Em fevereiro de 2025, um movimento inédito pelo fim do sintético partiu de vários jogadores, entre eles Neymar, Lucas Moura, Coutinho e Thiago Silva com posts em seus perifis nas sociais. O Flamengo, institucionalmente, também passou a ser uma voz contra meses depois.

Uma fonte em anonimato da Allegra acredita ser esse uma das razões para Santos, de Neymar, e São Paulo, de Lucas Moura, não optarem pelo mítico estádio e apostarem em trocar os estádios em 2025. Inclusive, a dupla San-São e o Cruzeiro assinaram um acordo para mandar jogos no Pacaembu em 2024, com previsão de até dez jogos dos paulistas e dois do lado mineiro, segundo publicou à época o “ge”. Isso não se concretizou até o momento.

O Tricolor, porém, já ponderava a questão mesmo em 2024. A equipe teve uma série de lesionados no sintético palmeirense, como Galoppo e Ferraresi, ambos com graves problemas no joelho.

— Nós temos uma carta acordo, assinada logo que conseguiram a concessão, para termos jogos aqui no Pacaembu. Eles vão ter grama sintética, é uma avaliação que nós vamos fazer porque o São Paulo prefere a grama natural. Nós temos uma garantia que se necessário usar o Pacaembu, nós poderemos usar, tem até uma quantidade de jogos. Mas nós vamos analisar. A gente acredita em grama natural — disse o então presidente do clube Julio Casares.

Historiador lamenta estado do Pacaembu após privatização

O então prefeito de São Paulo Bruno Covas no ato de Concessão no Pacaembu
O então prefeito de São Paulo Bruno Covas no ato de Concessão no Pacaembu (Foto: Imago)

É um crime contra a memória esportiva de São Paulo“. Foi assim que o historiador Plínio Labriola Negreiros, Doutor em História Social pela PUC-SP e autor de uma tese sobre o Pacaembu, definiu a perda do protagonismo do estádio após a privatização, confirmada há sete anos na gestão do ex-prefeito Bruno Covas por R$ 115 milhões em um contrato de concessão por 35 anos.

— Eu lamentei muito o processo [de privatização] e lamentei também porque houve uma reação muito pequena. Aconteceram protestos, houve mobilização, mas não foi suficiente — desafaba o historiador.

Labriola relembra que o Pacaembu era o palco dos grandes jogos em sua fundação em 1940, quando os grandes times de São Paulo tinham estádios pequenos para um esporte que cada vez mais se expandia no país.

— É um estádio que surgiu num contexto de crescimento e popularização muito forte do futebol. Ele imediatamente se tornou grande palco do futebol em São Paulo. E por 10 anos, até a construção do Maracanã, era a grande praça de esportes do Brasil — conta.

— Era um espaço também para outras atividades, inclusive políticas cívicas, e a privatização matou isso. E tirou da população uma outra coisa muito importante que é ser um espaço de memória. Quantas não foram as pessoas que foram a primeira vez para um jogo de futebol no Estádio Municipal do Pacaembu? Perdeu-se isso, era uma memória que você podia alimentar.

Segundo o historiador, o local agora está passando por um processo para virar um espaço “exótico” e de lembrança, também potencializado pela construção de novas arenas na capital paulista. “Fazendo uma analogia, o Pacaembu vai passar a ter um papel como se fosse andar de trem”, brincou.

O estádio do Pacaembu antes da reforma
O estádio do Pacaembu antes da reforma (Foto: Imago)

A maior razão para Prefeitura ter iniciado o processo de privatização, ainda com João Dória como prefeito, foi pelo Pacaembu dar prejuízo milionários aos cofres públicos. Em 2017, a gestão, a favor da concessão, afirmou que o estádio deu R$ 5,9 milhões de perdas (custo de manutenção de R$ 8,3 milhões e arrecadação de R$ 2,4 milhões) no ano, número contestado na época pela pouca transparência.

Plínio Labriola acredita ser possível tornar o espaço lucrativo, mas, caso não seja possível, seria de dever público arcar com o prejuízo pela importância histórica do estádio. “Não há nenhuma dúvida que é possível ser rentável financeiramente para Prefeitura, era antes da concessão e a continua sendo”.

— É um lugar central, aconchegante, é só se organizar. Mesmo dentro da lógica neoliberal é possível ganhar dinheiro com o Pacaembu com a manutenção na mão do poder público. E se não vai ganhar o dinheiro necessário para abater os custos mensais, tudo bem, não tem problema gastar um pouco do poder público. […] Isso é um equipamento público, de memória — finalizou.

Apesar de identificação com Corinthians, Pacaembu é especial a todos paulistas

A “Saudosa Maloca”, como o corintiano chama o Pacaembu, tem uma enorme identificação com os alvinegros da capital paulista. O Corinthians é o time que mais jogou no estádio, 1700 partidas, e por lá construiu uma das suas maiores glórias: a Libertadores de 2012.

O Timão também é o dono do segundo maior público da história — 72.523 em jogo contra a Ponte Preta, em 1977 — e fez a segunda partida na cerimônia de inauguração em 1940, vitória de 4 a 2 sobre o Atlético Mineiro.

O torcedor Cássio Brandão, dono da maior coleção de camisas do mundo e com mais de 1700 peças do Corinthians, brinca que a antiga casa corintiana é a sua segunda casa. “Eu fui mais ao Pacaembu do que a faculdade, se for juntar na vida, eu só fui mais na casa da minha mãe”.

— O primeiro jogo da minha vida e o mais importante, a maior lembrança que eu tenho do Pacaembu, é do dia 6 de dezembro de 1990, Corinthians e Bahia, 2 a 1 [semifinal do Brasileirão], chuva absurda. É ali onde eu entendo o que é ser corinthiano e falo ‘eu quero isso para o resto da minha vida’. Eu tinha sete anos, lembro do cheiro, do som e das pessoas. Aquele dia foi um dia mágico — relembra.

— Isso se soma a defesa do Cássio contra o Diego Souza [nas quartas de final da Libertadores], ao título Brasileiro de 2011 no dia da morte do Sócrates, a final da Libertadores com o show do Sheik, a isso vários momentos de alegria e também momentos de tristeza. […] Desde 1990 eu vivi o Pacaembu intensamente, sinto uma saudade absurda — completa.

Cássio Brandão gostaria de mais jogos do Corinthians por lá, porém, entende que há uma necessidade de gerar receitas com a Neo Química Arena, inagurada em 2014 e responsável por uma grande dívida ao clube.

— Se o Corinthians jogasse mais no Pacaembu seria demais, todavia, tem uma questão ainda financeira pra resolver na arena, porque o Corinthians precisa, fazer receita, pagar a conta do estádio, é uma equação complexa. Eu prefiro acreditar no Pacaembu como um novo centro e uma nova praça esportiva que pode trazer o futebol de várzea, pode trazer outros clubes, tipo o Ibrachina, sensação da Copinha, a Portuguesa, por que não o Corinthians mandar jogos festivos e o feminino lá.

Até hoje, muitos alvinegros defendem que o estádio da região central deveria ser sua casa, não a Arena por conta do passivo que trouxe junto. O colecionador corintiano, no entanto, tem uma visão diferente disso pela dificuldade de acesso do Pacaembu aos torcedores da Zona Leste, onde está a maior parte da torcida. Ele também não é contra o processo de privatização, mas critica a utilização da grama sintética.

— É indiscutível o poder esportivo que a Arena trouxe para o Corinthians. […] Eu discuto menos a Arena, eu discuto mais a forma como ela foi construída. Eu cresci no Pacaembu vendo centenas de vezes torcedores que moravam no extremo da Zona Leste saindo correndo e perdendo os últimos 20 minutos de jogo pra tentar pegar o metrô — aponta.

— Poderia ter sido incrível a gente arrendar o Pacaembu, fazer uma concessão como a Allegra fez agora, tinham caminhos, mas eu não gosto de rivalizar os estádios. […] Acho que hoje o Pacaembu pode voltar a ser uma grande praça esportiva, uma praça importante. Eu não sou um grande crítico, a história do hotel [no lugar do Toboã] pode ser bacana. [Mas] sou contra o gramado sintético em sua essência, em sua totalidade.

O torcedor corintiano, porém, não é o único que gostaria de mais jogos no local, nem o único a ostentar glórias no “Paca”. O Palmeiras fez a primeira partida do estádio (6 a 2 sobre o Coritiba) e venceu a primeira final, a Taça Cidade de São Paulo em cima do rival Corinthians, sendo o maior campeão no local: 26 taças.

O Alviverde também é dono do maior público: 73.532 espectadores, em 11 de dezembro de 1977, em uma partida contra o Santos. O Peixe, porém, era o mandante naquele dia. O Pacaembu foi por muito tempo a forma do santista de São Paulo acompanhar e se conectar com o clube do litoral.

O torcedor Bruno Marienberg esteve em boa parte das glórias recentes do time praiano no estádio, palco da Libertadores de 2011, da Recopa Sul-Americana de 2012 e do Paulistão de 2010. “Era o melhor estádio que tinha para ver jogo”, disse à Trivela.

— Já fui na Vila Belmiro, Maracanã, Allianz Parque, Morumbi, Castelão, fora do Brasil, estive em vários estádios na minha vida, não tem igual ao Pacaembu. Era perto do gramado, não tinha ponto cego, era perto para chegar no meu caso e acredito que de muita gente por conta do metrô. O Pacaembu tinha uma vibe, uma atmosfera única. Na final da Libertadores de 2011, eu nunca vi o estádio daquele jeito — contou.

O santista, contra a privatização por entender que “monumentos do futebol não devem ser alterados”, como Cássio Brandão também não tem uma boa visão da grama sintética e não gostaria que o Peixe voltasse a mandar jogos do estádio.

Pacaembu utilizava grama natural antes da concessão
Pacaembu utilizava grama natural antes da concessão (Foto: Imago)

Já o historiador são-paulino Michael Serra também não quer que o Tricolor volte a mandar jogos no Pacaembu por entender que o Morumbi é a casa ideal para o clube. Ele, porém, espera voltar a enfrentar rivais por lá.

— Eu gostaria que outros clubes jogassem no Pacaembu para que o São Paulo pudesse enfrentá-los. Seria legal o Juventus, a própria Portuguesa, outros times jogando no estádio. Ficaríamos muito felizes em poder jogar lá novamente. Claro, também se fosse possível que a nossa torcida também pudesse comparecer ao estádio, não fosse torcida única — detalha o profissional que atua no Arquivo Histórico João Farah do São Paulo FC.

Serra destaca o enorme vínculo que o São Paulo tem com o Pacaembu, o qual teoricamente chegou a ser casa são-paulina nos primeiros anos do estádio. Foi por lá, no desfile de inauguração, que o time ganhou o apelido de “O Mais Querido”, foi também onde viu seu segundo grande time com Leônidas da Silva nos anos 40 e aconteceu o jogo histórico contra o Santos do Pelé que “fugiu”.

— O São Paulo durante muito tempo foi muito identificado com o Pacaembu, […] o São Paulo meio que arrendou oficialmente o Pacaembu, o que na verdade só queria dizer que tinha a prioridade de de jogar lá. […] Há uma relação muito profunda — disse.

— A partir da construção do Morumbi essa relação e o número de jogos obviamente foi caindo. Recentemente, o grande momento que eu lembro é justamente em 2005, aquele 5×1 sobre o Corinthians na estreia de Paulo Autori. É o último grande fato, fora algumas conquistas de Copinha que vieram depois, porque foi um ano marcante que o São Paulo ganhou Libertadores e Mundial — completou.

O Pacaembu ainda continua como a casa do Museu do Futebol e deixa à disposição da população uma pista de atletismo e uma piscina olímpica. Neste ano, há a previsão da inauguração de um edifício com hotel de luxo, centro de reabilitação esportiva e dois restaurantes no local onde o Tobogã, folclórica arquibanda do estádio, foi demolida.

O Pacaembu durante obras
O Pacaembu durante obras (Foto: Imago)

Allegra teria problemas financeiros, diz site

O portal “Metrópoles” publicou no fim de 2025 que a Concessionária Allegra Pacaembu teria dívida de R$ 430 milhões entre um financiamento e uma operação das obras do estádio não pagos. O site ainda revelou que existiam, no começo do mês passado, 468 protestos de mais de R$ 17,3 milhões em cartórios da cidade de São Paulo de 94 empresas contra a concessionária.

A Serasa, que funciona como um histórico bancário de pessoas e empresas, colocava a Allegra como inadimplente, o que foi negado pela dona da concessão do Pacaembu.

Prefeitura defende Allegra, que não se posiciona

A Trivela procurou a Allegra para entender por que a previsão de jogos de 2025 não se concretizou, o que a concessionária planeja para tentar atrair mais jogos, a expectativa de partidas de futebol e de shows em 2026 e se houve uma consideração de que a grama sintética poderia gerar menor interesse dos clubes. Até o fechamento do texto, a empresa que comanda o Pacaembu não retornou.

A Federação Paulista de Futebol (FPF) optou por não se manifestar em relação a queda de jogos no estádio e informou que não há pendências de laudos ou documentos no estádio.

A Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Esportes e Lazer, defendeu os investimentos da Allegra que transfomarão o Pacaembu em “um dos principais equipamentos esportivos da capital, com opções que vão além somente do futebol, disponíveis para a população”.

Segundo a gestão Ricardo Nunes (MDB), os poucos jogos na Arena se justificam porque “São Paulo dispõe de um grande número de estádios que pertencem aos clubes, portanto, é natural que nem todos os jogos de destaque ocorram no Pacaembu”.

— O objetivo da concessão, além de garantir a entrega de um dos mais modernos equipamentos esportivos do país, é assegurar longevidade na manutenção do espaço e serviço de qualidade à população, liberando a municipalidade desses custos — completou.

Sobre a saúde financeira da Allegra, a Prefeitura disse isso que “mantém monitoramento permanente das condições econômicas e das cláusulas financeiras estabelecidas no contrato”.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

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