Brasil

‘Imagina os outros’: Palmeiras não tem conseguido jogar bem, mas ninguém joga bem contra o Palmeiras

O Palmeiras ainda não conseguiu engrenar, mas tampouco permite que algum adversário consiga se sobressair

O Palmeiras venceu o Botafogo-SP por 1 a 0 e terminou a 1ª fase do Campeonato Paulista invicto e com a melhor campanha. O gol de Rony, com cruzamento de Mayke, na noite úmida de Barueri, no sábado (9), levou o time a um aproveitamento superior a 79% nas últimas três edições do Estadual.

Com o resultado, o time chegou a 28 pontos. Com essa pontuação, só não faz uma possível segunda final em casa se o Santos for à decisão vencendo nas quartas e na semi no tempo normal, com o Palmeiras conquistando alguma das vagas nos pênaltis (o que seria uma enorme surpresa).

— Se reclamam do Palmeiras, imagina os outros — disse um Abel Ferreira bastante tranquilo, após a vitória em Barueri. E não, não é arrogância, se é simplesmente a verdade.

Sobram pontos, falta um pouco mais de bola

Isto posto, os números são superlativos. O futebol, nem tanto. Nos 13 jogos que fez na temporada, o Verdão não empolgou muito. Houve boas notícias, como o despertar de Flaco López, a chegada de Aníbal Moreno e o amadurecimento de Richard Ríos. Mas não houve ainda uma partida de encher os olhos do começo ao fim. A marca do Palmeiras 2024, até o momento, é vencer mesmo sem convencer.

Para não dizer que não houve nenhuma grande atuação, é verdade que o time de Abel Ferreira fez 87 minutos brilhantes contra o Corinthians — em especial no 1º tempo. Mas aquilo que aconteceu nos últimos três minutos regulamentares, somados aos dez de acréscimo, apagaram da memória palmeirense o melhor jogo do time no ano. Com razão.

Se até foi possível encontrar um bom jogo do Palmeiras, apontar um time que tenha jogado bem contra o Palmeiras é tarefa mais complicada.

O Santos teve bons momentos. O Novorizontino foi organizado. A Inter de Limeira foi corajosa. O Corinthians lutou muito. E o São Paulo, tanto na Supercopa quanto no Estadual, jogou o mesmo tanto que o Verdão. Os empates não foram acasos. Melhor que o Palmeiras, ninguém.

Aliás, na série invicta de 18 jogos — cinco do último Campeonato Brasileiro mais os treze deste ano — ninguém jogou melhor que o Alviverde. O último time a ser melhor que o Palmeiras foi o Flamengo de Tite, que mereceu os 3 a 0 que, no fim, de nada serviram para atrapalhar o bicampeonato do Alviverde.

Linhas de cinco

Como bem apontou Abel muitas vezes, todos os adversários encaram o Palmeiras com atenção redobrada dedicando-se ao máximo para, antes de mais nada, impedir o Alviverde de fazer um grande jogo. E no desejo de dificultar ao máximo para o Verdão, acaba não sobrando tempo para jogar.

— Podem reparar, todos os times vêm jogar contra o Palmeiras com uma linha de cinco jogadores — disse o técnico, após a vitória do sábado (9), em Barueri.

O Palmeiras esbarra nas paredes montadas pelos adversários e, por muitas vezes, tem de recorrer aos cruzamentos. Por sorte, Flaco López, mesmo sem marcar há dois jogos, continua tendo um grande ano. Contra o Botafogo, não balançou a rede, mas deu duas cabeçadas perigosas — além de perder um gol quase cara a cara, algo que Abel criticou na sua entrevista coletiva.

Por sorte, Rony, que acabou apontado o melhor em campo mostrou que aquele jogador fundamental na conquista do Brasileiro de 2022, segue no time. Sua cabeçada, se antecipando à defesa, foi um gol típico da sua lavra. Em três meses, o Palmeiras perde Endrick. Não haverá momento melhor para recuperar Rony.

Carlos Belmonte pode ser processado pelo técnico

Abel não se furtou de falar sobre Carlos Belmonte, o diretor do São Paulo que o chamou de “português de merda”. E repetiu tudo que a Trivela havia apurado ser sua opinião sobre o caso: espera punição porque sempre foi punido quando errou.

— Eu não conheço esse senhor (Belmonte), nunca falei com ele, se calhar é uma pessoa espetacular, entendo o calor do jogo, porque quando chutei o microfone ninguém quis saber porque eu não fui o único. Há treinadores que apontam o dedo na cara dos árbitros, fui punido, castigado e cumpri por isso. Ninguém quis saber que aos 94 minutos, numa final, um escanteio claro a nosso favor e o árbitro não viu. Eu sou ser humano, tenho emoções e no calor do jogo. Eu entendo essas emoções.

Disse ainda ter um coração de mãe, onde sempre cabe mais um e a tudo perdoa. Questionado se pretende processá-lo, preferiu ser evasivo.

— Não sei. Há limites para tudo, e na altura certa, vocês saberão.

Foto de Diego Iwata Lima

Diego Iwata Lima

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, Diego cursou também psicologia, além de extensões em cinema, economia e marketing. Iniciou sua carreira na Gazeta Mercantil, em 2000, depois passou a comandar parte do departamento de comunicação da Warner Bros, no Brasil, em 2003. Passou por Diário de S. Paulo, Folha de S. Paulo, ESPN, UOL e agências de comunicação. Cobriu as Copas de 2010, 2014 e 2018, além do Super Bowl 50. Está na Trivela desde 2023.
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