Brasil

Presença em apresentação de reforço mostra que São Paulo respalda diretor que ofendeu Abel

Diretor de futebol Carlos Belmonte, que xingou Abel Ferreira após clássico, marca presença em apresentação de atacante André Silva

O São Paulo apresentou oficialmente André Silva como reforço nesta quarta-feira (6), no CT da Barra Funda. Mas o que também chamou atenção na sala de imprensa foi a presença do diretor de futebol Carlos Belmonte, dias depois das ofensas proferidas contra Abel Ferreira no túnel de acesso aos vestiários do MorumBIS após o empate em 1 a 1 com o Palmeiras, no clássico do último domingo (3), pelo Campeonato Paulista. O dirigente chamou o treinador rival de “português de merda”.

O rito do evento seguiu o roteiro habitual de apresentações de jogadores pelo clube. O presidente Julio Casares, foi o primeiro a chegar, seguido de André Silva e de Belmonte e do executivo Rui Costa. O mandatário fez o discurso e inclusive mencionou o nome de Belmonte antes da entrevista do atleta.

Uma amostra de que a rotina do dirigente no São Paulo não mudou depois da nota oficial publicada pelo Palmeiras sobre o assunto, na última segunda-feira (4), e da entrevista da presidente Leila Pereira ao ge, na terça-feira (5). O clube alviverde afirmou estudar “medidas legais cabíveis contra o diretor de futebol do São Paulo, Carlos Belmonte, flagrado xingando de forma xenófoba o técnico Abel Ferreira”.

Carlos Belmonte durante a entrevista de apresentação de André Silva (Foto: Eduardo Deconto)

O Palmeiras cogita inclusive processar Carlos Belmonte, e a presidente aumentou o tom de seu discurso. Em entrevista ao ge, Leila Pereira chamou Julio Casares de histérico e declarou Carlos Belmonte persona non grata no Palmeiras e nos jogos do time como mandante. Ela estuda ainda maneiras de impedir legalmente a entrada de Belmonte nas partidas.

Em nota oficial, o presidente Julio Casares já havia dado o seu respaldo a Carlos Belmonte. O mandatário afirmou que o dirigente não é xenófobo e disse que a fala contra Abel Ferreira foi expressa “de cabeça quente após os erros de arbitragem na partida”. Ele ainda fez alusões a alguns episódios em que o treinador português desrespeitou a imprensa e também a uma confusão entre ele e Calleri. Casares também mencionou que o São Paulo sempre recebeu bem Leila Pereira no MorumBIS e que o mesmo não ocorre no Allianz Parque.

Entenda a cronologia do Choque-Rei que ainda não acabou

  • Ao fim do Choque-Rei de domingo (3), Julio Casares se queixou aos gritos, na zona mista do MorumBis. O dirigente bradava que Abel Ferreira havia “apitado o jogo”, e que isso não mais aconteceria. Pouco tempo antes, em corredores do estádio, Carlos Belmonte, com a mesma queixa, gritou dizendo que Abel era um “português de merda”, conforme imagens publicadas pelo ge.

Além disso, a diretoria de comunicação do São Paulo impediu que Abel Ferreira concedesse entrevista coletiva na sala própria para tal fim no MorumBIS e disse que o treinador poderia falar em outros espaços do estádio. O Palmeiras decidiu que o técnico não concederia entrevista e o clube deixaria o estádio em silêncio, mas Raphael Veiga falou com a imprensa na zona mista — local que também estava à disposição de Abel.

  • Na terça-feira, a presidente do Palmeiras Leila Pereira concedeu entrevista ao ge, na qual comentou o assunto. Chamou Julia Casares de histérico e declarou Carlos Belmonte persona non grata no Palmeiras e nos jogos do time como mandante. Ela estuda ainda maneiras de impedir legalmente a entrada de Belmonte nas partidas.

Leila também afirmou que atitudes como a de Casares são populistas e não contribuem para haver paz no futebol. E que aguarda um pedido de desculpas do dirigente.

  • Ainda na noite de terça-feira, Casares emitiu um comunicado rebatendo a presidente, mais uma vez atacando Abel Ferreira. Relembrou incidentes como a ocasião em que ele tirou o celular das mãos de um produtor da TV Globo. Sobre a encarada que ele deu em Calleri em jogo da Copa do Brasil do ano passado. E o que ele chamou de “atitude homofóbica” na comemoração do Paulista de 2022.

Veja, abaixo, o comunicado de Casares

“Carlos Belmonte não é xenófobo. Conversei com ele sobre o assunto, e ele me explicou que, de cabeça quente após os erros de arbitragem na partida, usou a nacionalidade do treinador como forma de identificação, e não qualificação. E, ele destacou que naquele momento, o próprio treinador não estava no local.

Lamento que em 2022 a presidente Leila não pensou de forma inclusiva e em promover a paz nos estádios. Na ocasião, após o término da final do Paulistão, não houve qualquer comoção ou pedido de desculpas da instituição sobre ato homofóbico em relação ao São Paulo Futebol Clube.

Dirigentes, técnicos, jogadores e demais pessoas envolvidas no futebol não devem agir com violência. Repudio quem maltrata jornalista retirando seu instrumento de trabalho das mãos, quem chuta microfone, quem peita jogador do time adversário mesmo não sendo atleta. Enfim, temos todos juntos de trabalhar para combater esse tipo de situação, tanto dentro como fora de campo.

Respeito ao adversário também deve ser dado com boas instalações em seu estádio próprio, condições para jornalistas trabalharem e segurança. Sempre recebemos bem a Leila, como ela mesma diz, no MorumBIS. Mas não podemos dizer o mesmo do São Paulo no Allianz. Já tivemos diversos incidentes com nossos profissionais por lá. Não podemos viver como dirigentes do passado, mas não podemos deixar de ter o amor por nosso time do coração.”

 

Foto de Eduardo Deconto

Eduardo Deconto

Eduardo Deconto nasceu em Porto Alegre (RS) e se formou em Jornalismo na PUCRS. Antes de escrever para a Trivela, passou por ge.globo e RBS TV.
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