‘Não temos esse tipo de camisa 9 no Brasil. Há espaço para Endrick’
Em alta no Lyon, ex-Palmeiras volta ao radar da seleção brasileira, que ainda não tem um centroavante absoluto com Ancelotti
A boa fase de Endrick no Lyon reacendeu o debate em relação a uma eventual vaga do atacante na seleção brasileira, e o ex-zagueiro Cris, que já foi capitão do clube francês, acredita que o jovem de 19 anos merece uma chance.
— Não temos esse tipo de camisa 9 no Brasil. Temos Gabriel Jesus e Richarlison, mas há espaço para Endrick ajudar a equipe com a mobilidade dele e a forma como ele enxerga o jogo — afirmou Cris na “BBC Sport”.
Cris foi projetado ao futebol profissional no Corinthians nos anos 1990 e estava no Cruzeiro quando recebeu a primeira convocação para defender a seleção brasileira, em 2001. Na época, Felipão era o treinador.
Ele voltou ao plantel em 2003, mesmo ano em que seguiu ao futebol europeu para defender o alemão Bayer Leverkusen. Na temporada seguinte, deu início à trajetória no Lyon, onde ficou a maior parte da carreira.
O então zagueiro disputou 310 jogos no time e conquistou quatro títulos do Campeonato Francês, dois da Copa da França e três da Supercopa da França. No período, somou à galeria também um troféu pelo Brasil: o da Copa América de 2004, realizada no Peru.
Cris vestiu as camisas de Galatasaray e Grêmio antes de pendurar as chuteiras no Vasco em 2014. Agora treinador, o brasileiro de 48 anos entende que Endrick tem os atributos necessários para traçar caminho de sucesso na Seleção.
Ancelotti ainda não testou Endrick como camisa 9 da seleção brasileira
Carlo Ancelotti assumiu o comando técnico em maio de 2025 e, desde então, vários atletas estiveram entre os camisas 9 acionados pelo treinador para ser referência no ataque, mas não Endrick. Alguns dos nomes foram Richarlison, João Pedro, Igor Jesus, Kaio Jorge e Vitor Roque.
Nenhum desses jogadores do grupo pode ser inserido em lista de “perdedores” do primeiro ciclo do italiano à frente da Seleção, mas a vaga parece estar em aberto, principalmente com Richarlison, peça de confiança do técnico, lesionado.
Isso abriu margem para outros nomes surgirem. Gabriel Jesus se recuperou de lesão nesta temporada e tem tido boas atuações no Arsenal. Outro destaque do futebol inglês é Igor Thiago, vice-artilheiro da Premier League constantemente associado a uma convocação para defender a Amarelinha.
Em paralelo, as performances impressionantes de Endrick definitivamente o recolocaram no radar depois de período em baixa no futebol espanhol. O jovem soma seis jogos sob o comando de Paulo Fonseca e tem cinco gols marcados, além de uma assistência.

O ex-Palmeiras vê neste empréstimo do Real Madrid ao Lyon uma oportunidade de jogar mais e conquistar mais protagonismo.
Uma coisa leva a outra, e invariavelmente esse ritmo o ajudaria a retornar à Seleção — e à Copa do Mundo –, embora o jogador tenha relativizado o discurso e focado apenas “no presente” ao comentar o assunto em entrevista ao “L’Équipe”.
— É claro que esse é um sonho que tenho, isso não vai mudar. Se Deus quiser, disputarei a Copa, mas a minha missão é jogar bem aqui, porque se não jogarer bem no seu clube, não pode pensar em ir à Seleção. A minha missão é dar o meu melhor pelo Lyon. E depois virão as consequências que isso acarreta, como poder ajudar o meu país a ganhar uma Copa do Mundo — disse Endrick.



