Como Dorival Júnior deu uma cara ao Corinthians sem precisar de trio ideal completo
Garro perdeu espaço no time com alterações do experiente técnico
A arrancada no fim do Brasileirão 2024 que deu uma vaga na Libertadores seguinte e o título paulista em 2025 firmaram na cabeça de imprensa e torcida que o Corinthians só funcionaria quando Rodrigo Garro, Memphis Depay e Yuri Alberto estivessem juntos. Por muito tempo, essa estatística do trio “GYM” fez sentido.
Aos poucos, porém, o técnico Dorival Júnior foi mudando essa ideia e, hoje, a retórica já não é mais verdadeira. O melhor Alvinegro tem o camisa 9 e 10 juntos, mas sem o meia argentino, que, mal fisicamente, não consegue entregar em intensidade com e sem bola, apesar de muito técnico.
O experiente treinador vem desde as semifinais da Copa do Brasil, que terminou com mais uma taça na galeria alvinegra, testando uma formação mais encorpada com um quarteto de meio-campo sem Garro. Essa linha continuou nos principais jogos de 2026 e mostrou como Dorival deu uma cara sem o GYM em campo.

Como Corinthians ganhou em intensidade e jogo sem bola
Apesar de derrotado no final de semana passado para o rival Palmeiras, 1 a 0, o Corinthians dominou a partida por muito mais tempo e parte da resposta está nessa nova estrutura de Dorival.
Como não tem tantos pontas no elenco e Yuri e Depay são titulares absolutos como dupla de ataque, o técnico brasileiro evoluiu a ideia do 4-3-1-2 que Ramón Díaz implementou entre julho de 2024 e abril de 2025. Assim, ele formou um quarteto mais equilibrado no meio sem Rodrigo Garro.
Breno Bidon tem sido mais diretamente o substituto do argentino. O jovem é um meio-campista com muitas valências: dinâmico, com qualidade no passe, dribla e se entrega sem a bola, como o camisa 8 nunca fez no Corinthians.
Junto da cria do Terrão, costuma atuar Raniele, sempre como mais um “zagueiro” na saída de bola junto aos zagueiros, e com o apoio de Carrillo — que, titular na conquista da Supercopa do Brasil sobre o Flamengo, ficou fora do Dérbi e deu lugar a Matheus Pereira. Com a saída de Maycon rumo ao Atlético Mineiro, André Luiz fica mais à esquerda apoiando ao ataque e fecha o quarteto.
Quando tinha Garro, o Corinthians enfrentava problemas na recomposição por ter “dois a menos”, já que o argentino e Depay não se dedicam tanto no momento defensivo, deixando maior responsabilidade para Yuri Alberto se desdobrar.
Agora, normalmente a equipe se fecha de forma mais equilibrada pelo quarteto no meio em um 4-4-2 com Bidon à direita e André à esquerda. O camisa 9 ainda pode descer por alguns dos lados e formar um 4-5-1, deixando só o holandês mais à frente.


- - ↓ Continua após o recado ↓ - -
O que ganha com a posse de bola?
A estrutura com foco nos meio-campistas corintiana, pela ausência de pontas, dá total liberdade aos laterais, Matheus Bidu e Matheuzinho, a ocuparem os corredores na fase ofensiva.
Com isso, o time tem um meio preenchido com quatro jogadores, o que permite maior controle e poder acalmar a partida em alguns momentos. Foi o que ocorreu na decisão da Copa do Brasil sobre o Vasco e na Supercopa. Depay também pode baixar para apoiar esses meias e André Luiz subir para atacar o espaço à esquerda, enquanto Yuri faz isso por dentro ou à direita.


Dorival vem estruturando essa ideia desde o ano passado e a utilizou em três das quatro partidas finais na Copa do Brasil. A exceção foi a ida da final, com Garro como meia e tendo uma atuação ruim, assim como todo coletivo do Corinthians, que poderia ter perdido a partida que terminou zerada.
A ideia dos quatro meio-campistas deu certo tanto no primeiro jogo contra o Cruzeiro como na volta da final frente ao Vasco, em ambas com muitos momentos de dedicação defensiva extrema, mas também de pequenos períodos de controle para diminuir o ímpeto ofensivo do adversário.
A exceção foi a segunda partida com o Cabuloso, em Itaquera, que Garro saiu do banco para mudar o jogo quando o Alvinegro perdia a partida. O argentino conseguiu ser o meia criativo, participativo e perigoso em finalizações que se notabilizou desde que chegou. É uma prova que o jogador de 28 anos ainda tem seu espaço no time corintiano, mesmo que nem sempre seja titular.



