Ausência de 1 mês e lesão nas férias: O que o Corinthians pode fazer com José Martínez?
Venezuelano se reapresentou ao Timão bem depois do prazo marcado com o restante do elenco
O Corinthians já viveu quase de tudo em 2026: oscilações no Paulistão, derrota na estreia do Brasileirão, título da Supercopa do Brasil. Entretanto, José Martínez não esteve presente nesse início de temporada. Após se reapresentar ao Timão com mais de um mês de atraso, o volante venezuelano informou que sofreu uma lesão no joelho.
Segundo apuração do site “ge”, a atitude de Martínez foi mal vista por membros da comissão técnica e da diretoria alvinegra, que desaprovaram a notícia depois da ausência nas primeiras semanas do ano. Por conta disso, o Corinthians estuda uma rescisão contratual do jogador de 31 anos, cujo vínculo vai até final de 2027.
Entretanto, como José Martínez está machucado, a pergunta que fica é: uma eventual quebra de contrato com o volante está resguardada nas leis trabalhistas? Se não, quais as possíveis consequências para o Timão caso prossiga com a liberação imediata do venezuelano?
Para responder a essas e outras perguntas, a Trivela conversou com a advogada Ana Mizuroti, mestre em direito desportivo.
Entenda o imbróglio entre José Martínez e Corinthians

Após o título da Copa do Brasil no dia 21 de dezembro, o elenco alvinegro entrou em férias, com apresentação para a pré-temporada marcada para o dia 3 de janeiro. Martínez, por sua vez, aproveitou o período de descanso para viajar à terra natal.
Entretanto, o atleta alegou que não conseguia voltar para o Brasil a tempo, pois precisava emitir outro passaporte devido à falta de páginas em branco em seu documento para novos carimbos de imigração. O aviso aconteceu no dia 3 de janeiro, data que marcou a invasão dos Estados Unidos em território venezuelano.
Naquela madrugada, tropas estadunidenses atacaram e retiraram do poder o presidente Nicolás Maduro, em Caracas. Como consequência da instabilidade política, o funcionamento de serviços públicos da Venezuela sofreu atrasos, como, por exemplo, a emissão de passaportes.
José Martínez só conseguiu dar entrada no pedido para novo documento no dia 13, mas sem previsão para a retirada do passaporte. O problema é que, de acordo com o portal “UOL”, José Martínez não atendeu ligações e não respondeu mensagens de dirigentes e outros profissionais do Corinthians, causando um desconforto nos bastidores.

O Timão entendia o contexto complicado da política venezuelana, porém, argumentava que a emissão de um novo passaporte poderia ter sido feita com maior antecedência. Além de perder treinamentos, o volante foi desfalque em oito jogos do Corinthians.
Foi somente na última sexta-feira (6) que Martínez obteve o documento e retornou a São Paulo. Contudo, ao chegar no CT Joaquim Grava no dia seguinte, o jogador avisou que sentia dores no joelho esquerdo. Após realização de exames, foi constatado um problema no ligamento cruzado anterior (LCA).
Em casos como esse, o tempo de recuperação é de nove meses, em média. Portanto, o venezuelano pode sequer entrar em campo com o manto alvinegro neste ano. Pelo atraso na reapresentação, José Martínez foi punido com o desconto total de seu salário de janeiro, além de cortes no pagamento de fevereiro e possíveis novas sanções, avançou o jornalista Samir Carvalho.
O Corinthians acionou seu departamento jurídico para averiguar a possibilidade de rescisão contratual, já que, durante as férias, o volante disputou uma partida amadora festiva em Maracaibo, na Venezuela, no dia 26 de dezembro. Em fotos divulgadas nas redes sociais, ele aparece com uma proteção no joelho machucado.
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O que é possível fazer nesse caso?
Mizuroti explica que, no geral, os contratos especiais de trabalho desportivo contêm cláusulas específicas que impõe ao atleta deveres de cuidado, disciplina e preservação da integridade física, contando com o respaldo da Lei Geral do Esporte (Lei 14,597/23).
José Martínez, volante venezuelano agora com lesão no joelho, durante suas férias jogou em partida das estrelas na Venezuela, ato normalmente proibido em contrato.
— Henrique Vigliotti (@_Vigliotti1) February 10, 2026
Fotos encontradas em páginas da Venezuela, todas as publicações datadas em 27 ou 28 de dez/2025.@centraldotimao pic.twitter.com/O19ZnJNaDj
— Em regra, o atleta tem a obrigação de zelar por sua saúde, seguir orientações médicas e de preparação física, manter rotina adequada de treinamento e abster-se de praticar atividades que possam colocar em risco sua integridade física ou comprometer seu rendimento esportivo — declarou a advogada.
Caso o clube consiga comprovar, de forma técnica e objetiva, que Martínez “agiu com culpa, de forma negligente ou imprudente, por exemplo, treinando de maneira inadequada, ignorando recomendações médicas formais, participando de jogos ou atividades recreativas de alto risco sem autorização, ou se expondo deliberadamente a ambientes precários que aumentassem significativamente a probabilidade de lesão”, há legitimidade para encerrar o contrato.
— Se ficar demonstrado que a lesão decorreu de culpa exclusiva do atleta durante o período de férias, esse elemento pode descaracterizar o acidente de trabalho ou situação equiparada, afastando a proteção reforçada e a estabilidade contratual — pontuou Ana Mizuroti.
Para isso, o Corinthians precisa juntar provas robustas, além de fazer uma dupla análise (disciplinar e médica), para garantir que a lesão no LCA foi causada por conduta inapropriada do volante venezuelano fora do ambiente de trabalho.
— Por outro lado, se o atleta comprovar que a lesão se enquadra como acidente de trabalho ou situação a ele equiparada, o contrato permanece plenamente ativo até o seu termo final.



