Brasil

Milito precisará de verdadeiro milagre para fazer Atlético-MG dinâmico e criativo de novo

Sem opções para mudar o time, Gabriel Milito só conseguirá fazer o Atlético voltar a encantar por um milagre

Quem viu o Atlético-MG jogar quando estava completo e agora, recheado de desfalques, nota claramente dois times extremamente diferentes. A falta de dinâmica e criatividade é o que fica mais evidenciado. Perder mais do que a metade dos titulares ajuda a explicar isso, mas o fato de não ter reservas a altura também auxilia nessa explicação.

Pelas opções que tem hoje, o técnico Gabriel Milito teria que promover um verdadeiro milagre para fazer o time encantar de novo.

O Atlético encantou o Brasil nos primeiros 10 jogos de Milito. Com o time completo, o Galo parecia imparável. Mas os desfalques começaram a aparecer, coincidentemente (ou não) na primeira derrota do treinador argentino pelo clube, contra o Peñarol. Naquele momento, a Trivelaalertava sobre o elenco curto do Galo.

As semanas foram passando e os desfalques aumentando. No último mês, o Galo fez vários jogos com sete ou mais desfalques. No penúltimo foram 11, no último, 12, a ponto de ter apenas cinco jogadores no banco de reservas. O tema foi tão recorrente nas coletivas de Milito, que ele chegou a se irritar com as perguntas repetidas.

O problema mais notório que as ausências trouxeram ao Atlético foi a perda da dinâmica e da criatividade do time. Sem os titulares (oito contra o Atlético-GO), os reservas à disposição não conseguem manter esses dois pontos, cruciais para o time de Milito render o esperado.

Time ofensivo sem criatividade não rende

Gabriel Milito não tem outra forma de jogar sem querer fazer seu time ser ofensivo e propositivo. Não importa se tem todos à disposição ou só 11, vai jogar do mesmo jeito. O problema é que, no momento, não há jogadores que façam o time ser criativo a ponto de gerar muitas ações ofensivas como antes.

Com o time completo, o Atlético parecia mais dinâmico, rodava a bola mais rápido, tinha mais tabelas, mais infiltrações e, principalmente, algo diferente. Seja dos pés de Scarpa, Arana, Hulk ou Zaracho, iniciavam-se jogadas ou saiam passes “inesperados” que decidiam os jogos.

Contra o Atlético-GO, Milito só teve Hulk desses jogadores, e a bola ainda não chegou muito aos pés do artilheiro — que também pode ser o fator criativo do time.

— Não é ego. Mas se você olhar, eu tenho que participar do jogo, e quando eu fico muito tempo sem tocar na bola, me tira do jogo. Pedi para darem a bola em mim que eu ia decidir, mas ela não estava chegando — concluiu o atacante.

As opções que Milito tem/teve, como Cadu, Igor Gomes e Paulo Vitor, não tem essas características. É difícil imaginar que um desses “tire um coelho da cartola” e decida o jogo. Contra o Dragão, por exemplo, Hulk deu menos passes que todos eles, o que exemplifica não só como o time foi menos criativo, mas também menos ofensivo, já que a bola, realmente, não chegou, como disse o atacante.

Mais criativo do Galo, Hulk só deu 28 passes no jogo (FootStats)

Dinâmica (e intensidade) bem abaixo do normal

Essas trocas constantes do time, com jogadores que não conseguem manter o mesmo nível técnico, também afetam a dinâmica do Atlético. Nos primeiros jogos com Milito, foi um das questões que mais chamou atenção.

Agora, com tantos desfalques, é notório que a dinâmica do time diminuiu. Antes, a bola rodava de um lado ao outro com mais rapidez, agora, leva mais tempo. É como se os titulares soubessem onde tocar antes de receber, enquanto esses reservas que atuam hoje precisam dominar a bola para ver onde o companheiro está e aí tocar, fazendo o time perder tempo.

Essa falta de dinâmica, decai na queda de intensidade, e afeta também a questão criativa. É como uma bola de neve. Isso tudo ajuda a explicar o rendimento abaixo do Atlético.

Igor Gomes tem sido criticado justamente por não contribuir para a dinâmica e a criatividade do Galo (Pedro Souza / Atlético)

O que Milito pode fazer? Só um milagre

Não é como se o time do Atlético tivesse deixado de render por mudanças feitas por opção de Milito. Em todas ele foi obrigado. Não é simples fazer algumas mudanças agora para o time voltar a render. Até porque, ele nem tem opções.

Scarpa volta no próximo jogo, o que é uma ótima notícia. O mesmo para Bruno Fuchs, que, apesar de zagueiro, contribui muito na criação do time. Eles ajudam, e muito, mas não será por isso que o time vai voltar a voar. Zaracho, Everson e Otávio, lesionados, também podem retornar, mas ainda são dúvidas. Vargas deve chegar após eliminação do Chile na Copa América.

Aos poucos, o elenco vai se encorpando de novo, e é só isso que dá para fazer no momento: esperar por esses retornos. Cabe ao Galo e ao treinador sobreviverem a esse período. Não há como mudar o time da forma necessária, pois não há jogadores à disposição. Os que estão, não são confiáveis ao ponto de resolverem essas questões. Ou seja, só um milagre se Milito conseguir fazer o time encantar de novo antes do retorno dos lesionados e convocados — e dos futuros contratados.

Foto de Alecsander Heinrick

Alecsander HeinrickSetorista

Jornalista pela PUC-MG, passou por Esporte News Mundo e Hoje em Dia, antes de chegar a Trivela. Cobriu Copa do Mundo e está na cobertura do Atlético-MG desde 2020.
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