Brasil

Intensidade do início ao fim: essa é a cara do Atlético-MG de Gabriel Milito

Milito transformou o Atlético em um mês, e alta intensidade do início ao fim comprovou que o time já tem a sua cara

30 dias. Esse foi o tempo necessário para Gabriel Milito deixar o Atlético exatamente com a sua cara e jogando bem próximo do ideal. A mudança para o estilo do treinador foi vista logo no primeiro jogo do argentino, há um mês, mas foi confirmada nas duas últimas atuações, com o Galo mantendo o ritmo do início ao fim, sem perder o gás na etapa final.

O Atlético de Gabriel Milito vem evoluindo a cada dia, e já pode ser considerado um dos melhores do país – mesmo que ainda tenha uma boa margem de melhora. O estilo de jogo intenso é o que mais chama atenção desde a chegada do argentino. Com ele, o Galo começa os jogos com a maior intensidade possível, marcando pressão e atacando, sempre criando, fazendo a bola girar e construindo jogadas. Tudo isso sem parar.

Mas essa alta intensidade estava sendo perdida nos segundos tempos dos jogos, o que é normal para um time que corre e briga tanto. E mesmo esse fator, que poderia demorar a ser ajustado pela sua complexidade, demandou apenas 30 dias.

Depois de oito jogos com o time dominando o primeiro tempo com maestria, mas caindo de produção no segundo, o Atlético de Gabriel Milito conseguiu manter uma boa intensidade no nono jogo, no último sábado (27), quando venceu o Cuiabá por 3 a 0 com atuação constante, do início ao fim. E a confirmação de que o Galo já aguenta o ritmo de Milito foi provada nesta terça-feira (30), na vitória por 2 a 0 contra o Sport.

Penso que a equipe, tanto no primeiro tempo quanto no segundo, fez tudo muito bem, com a regularidade que precisamos. Pudemos, mais uma vez, manter a intensidade que pretendemos, com e sem bola — Gabriel Milito.

Atlético intenso do primeiro ao último segundo

Quem acompanhou a vitória do Atlético contra o Sport viu um time insaciável desde o primeiro segundo. Com três minutos, o Galo já tinha uma série de chances criadas em uma pressão sufocante no rival. Foi assim até os acréscimos do segundo tempo, quando o Alvinegro buscou marcar o terceiro com Vargas e Hulk, que pararam no goleiro e no travessão, respectivamente. O treinador elogiou muito a intensidade do time, mas lamentou a falta de eficácia para marcar mais gols.

O Atlético simplesmente não descansou. Não houve aquele momento em que o time deixa a bola com o adversário e tenta se defender. A todo momento, os atleticanos estavam em cima dos adversários buscando (e, na maior parte, conseguindo) roubar a bola para iniciar contra-ataques. Não à toa, o Galo teve 65% de posse, com 17 finalizações e 521 passes trocados, quase o dobro do Sport (280). Além dos dois gols, o Alvinegro ainda marcou mais dois, anulados por impedimento, acertou duas vezes a trave e exigiu seis defesas do goleiro Caique França — fora as finalizações que chegaram perto do gol.

Até onde vai o Atlético de Milito?

Se em apenas 30 dias, com 10 jogos na conta, ou seja, sem tempo suficiente para treinar, Milito já conseguiu uma evolução significativa, o que podemos esperar do Galo no futuro, com tempo e jogos? Para o treinador, é importante ter calma e trabalhar com paciência, pois o futebol é cheio de altos e baixos.

— Logicamente que todos estamos muito felizes com esse momento. Mas também sabemos como é o futebol. Sei como funciona, que quando vamos ganhando, tudo parece melhor, o treinador, os jogadores. Mas, quando não ganha, os jogadores e o treinador são piores e há críticas. Calma! O caminho é muito longo. Não gosto dos elogios, prefiro… calma, calma, calma e tranquilidade — destacou o argentino.

Estou feliz que a Massa se sinta representada pelos jogadores e por como o time jogo. Mas, calma, pois acabamos de começar, e falta muito — Gabriel Milito

Para Milito, os resultados e desempenhos do Atlético estão atrelados a mentalidade de querer sempre vencer, algo que ele afirmou que iria implementar desde quando chegou ao clube. Para o argentino, não basta jogadores de qualidade, como o Galo tem, sem a mentalidade necessária.

— É um grupo de jogadores que querem ganhar e demonstram isso a cada partida. Nós (comissão), o que fazemos é dar confiança e analisar os rivais, depois, é a qualidade dos jogadores que faz a diferença. Acompanhada, sempre, de uma grande mentalidade. É muito difícil ser competitivo só com um grupo de bons jogadores. Isso é importante, claro, mas deve ser acompanhado de uma grande mentalidade — destacou Milito.

Segundo o argentino, é importante que os jogadores sigam fazendo o que já estão fazendo e, principalmente, que desfrutem de jogar: “No futebol de alto nível, há muitos detalhes importantes, mas o mais importante, para mim, é que os jogadores desfrutem do que vão fazer”. O treinador afirmou ser privilegiado de ter um elenco tão qualificado e com tantos líderes que fazem a diferença, como Hulk, Battaglia, Everson e companhia, que influenciam, principalmente, os mais jovens, algo que facilita o trabalho dele.

Foto de Alecsander Heinrick

Alecsander HeinrickSetorista

Jornalista pela PUC-MG, passou por Esporte News Mundo e Hoje em Dia, antes de chegar a Trivela. Cobriu Copa do Mundo e está na cobertura do Atlético-MG desde 2020.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo