Lado B de Brasil

Gênesis garantiu, nos últimos suspiros, o sufocante acesso do Boa Esporte

Em agosto, a frustração. O Altos surgiu como uma das grandes sensações do futebol nordestino em 2016. O clube chegou à primeira divisão do Campeonato Piauiense neste ano e logo foi vice-campeão. Não conquistou a taça, mas garantiu uma vaga na Série D e apostou alto nisso. Pois o Jacaré fazia uma das melhores campanhas do torneio até cair diante do CSA, nas oitavas de final. Fim da linha para o time, mas também oportunidade de recomeço para Gênesis, um dos destaques do elenco. Autor de seis gols em dez jogos pela Série D, após já ter sido um dos artilheiros no Piauiense, o atacante foi levado pelo Boa Esporte. E não terminou o ano sem o acesso. Neste domingo, o reforço foi o herói dos mineiros em Varginha, garantindo o triunfo na Série C. Marcou o gol decisivo aos 50 do segundo tempo, na vitória por 1 a 0 sobre o Botafogo da Paraíba, após o 0 a 0 da ida.

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Gênesis desembarcou em Minas Gerais em setembro. Assinou contrato até o fim do ano e participou da reta final da fase de classificação, na qual o Boa já vinha bem. Nas quartas de final, contra o Botafogo, o atacante não saiu do banco no empate sem gols no Almeidão – um resultado ótimo para os mineiros, considerando que os paraibanos conquistaram todas as suas sete vitórias da campanha em casa. Neste domingo, porém, Gênesis ganhou uma chance com o técnico Ney da Matta a partir dos 28 minutos do segundo tempo. Evitou o apocalipse dos pênaltis para oferecer um novo princípio ao seu clube, com o acesso à segunda divisão nacional.

A partida no Estádio Melão se manteve tensa por todos os 90 minutos. Os dois times poderiam muito bem ter aberto o placar no tempo regulamentar, mas faltou pouco. Foram três bolas na trave, duas do Botafogo, enquanto os goleiros Michel Alves e Daniel Luiz também fizeram boas defesas. O drama se arrastou para o tempo extra, quando o árbitro Luiz Flávio de Oliveira deu sete minutos de acréscimos. Quando o relógio quase batia os 50 do segundo tempo, Gênesis destoou. Fez um lindo giro fora da área e bateu no cantinho, sem chances de defesa para Michel Alves. Depois disso, bastou segurar a pressão do Belo para festejar.

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O Boa Esporte não costuma provocar muitas simpatias. O clube-empresa surgiu como Ituiutaba, mudou-se para Varginha em 2011 e tem dificuldades para levar público ao Melão. A média de público durante a fase de classificação da Série C não passou de 610 presentes por jogo, enquanto o Botafogo-PB botou 8,6 mil a cada partida no Almeidão. E, mesmo que os mineiros tenham comparecido neste domingo (em público não divulgado até o fechamento deste texto), nem parecia ser um jogo tão importante, pelos enormes espaços vazios nas arquibancadas. Entretanto, no que concerne ao trabalho dentro de campo, o sucesso é inegável.

Foram cinco temporadas consecutivas na Série B, mantendo a estabilidade na maior parte do tempo e até se metendo na briga para subir à elite do Brasileirão. E o retorno do Boa Esporte à segunda divisão acontece apenas um ano depois da queda. Somando os dois grupos, os mineiros tiveram a segunda melhor campanha da Terceirona, donos do melhor ataque e da defesa menos vazada. Sofreram apenas três derrotas e mantêm uma invencibilidade de 12 jogos, que dura três meses. Apesar da torcida apaixonada do Botafogo, o favoritismo no confronto do acesso era mesmo do Boa. Que sofreu, mas celebrou justamente por um desses acertos de seu departamento de futebol. Se Gênesis foi observado e chegou em cima da hora para brilhar, o mérito da gestão aparece. Por mais que, do lado de fora, exista um minguado público para aproveitar e aplaudir isso. Pior para a massa do Belo, que não vê seu time disputar a Série B desde 1989.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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