Lado B de Brasil

A Série C promete uma rodada final épica, com três acessos e seis times na briga

Só o Brusque conquistou o acesso: um grupo tem a briga entre São Bernardo, São José-RS e Operário-PR; no outro, lutam Paysandu, Amazonas e Volta Redonda

A Série C mudou seu formato há quatro temporadas, desde 2020. O antigo modelo da Terceirona era deveras cruel, com a saída da fase de classificação direto para as quartas de final, que definiam o acesso em duas partidas. Pouco importava se você tivesse arrebentado na etapa anterior: os 180 minutos seguintes seriam cabais. No fio da navalha, grandes épicos foram escritos, mas também aconteceram situações injustas. E a ampliação da segunda fase, com a criação de quadrangulares semifinais, não enterrou a emoção. Pelo contrário, a atual edição da terceira divisão promete uma rodada final alucinante. Seis times permanecem vivos na briga por mais três vagas na Série B de 2024.

A Série C conta atualmente com uma fase de classificação nacional, em que os 20 times se enfrentam em turno único. Não deixou de ser uma disputa parelha para garantir as vagas na etapa decisiva, com os oito classificados divididos em dois grupos de quatro, nos quais apenas os dois primeiros colocados conquistam o acesso. O equilíbrio se manteve alto também neste momento, exceção feita ao Brusque, o primeiro a carimbar sua promoção rumo à próxima Segundona.

O Brusque sobrou no Grupo B da segunda fase. Os catarinenses confirmaram o acesso com duas rodadas de antecedência, graças às quatro vitórias nas quatro primeiras rodadas. Ganharam de São José-RS e Operário-PR fora de casa, enquanto fizeram sua parte em Santa Catarina diante de São Bernardo e também do Operário. A única derrota aconteceu neste final de semana, na visita ao São Bernardo, sem que atrapalhasse as pretensões. A equipe treinada por Luizinho Lopes fez um trabalho excepcional no momento mais importante, a despeito da quarta posição na primeira fase. Por outro lado, no Grupo C, o Botafogo da Paraíba conquistou apenas três pontos nas cinco primeiras rodadas e não tem mais chances de acesso.

A penúltima rodada dos quadrangulares semifinais confirmou os ares de indecisão. No Grupo B, o São Bernardo se firmou na zona de classificação após vencer o Brusque por 2 a 0, enquanto São José-RS e Operário-PR se embolaram com o empate por 1 a 1. Os paulistas dependem apenas de si, com sete pontos. Os gaúchos somam cinco pontos e os paranaenses vêm com quatro. Na rodada final, porém, o São Bernardo vai ter que fazer sua parte na visita ao Operário Ferroviário em Ponta Grossa. Já o Zequinha pegará o Brusque em Santa Catarina, com os quadricolores sem mais objetivos, garantidos até mesmo na liderança e consequentemente decisão.

O Grupo C é o que ficou mais intrincado. O Paysandu parecia pronto ao acesso, com uma festa lindíssima no Mangueirão. Perdeu diante do Amazonas, numa virada por 2 a 1 arrematada por Sassá – aquele mesmo. Já o Volta Redonda destruiu as pretensões do Botafogo da Paraíba ao ganhar por 2 a 1 em João Pessoa. O Papão soma dez pontos, contra nove do Amazonas e sete do Voltaço. Os paraenses poderão jogar pelo empate contra os fluminenses no Raulino de Oliveira, enquanto os amazonenses parecem com o caminho mais aberto diante dos paraibanos em Manaus – mas sem o suspenso Sassá.

Outro destaque é a chance de contar novas histórias e encerrar hiatos. O Operário disputou a Série B até 2022, assim como o promovido Brusque. O Paysandu, por sua vez, está distante da Segundona desde 2018. O Volta Redonda não aparece no segundo nível do Brasileirão desde 1998. São José, São Bernardo e Amazonas perseguem feitos inéditos. São elementos a mais para aumentar a emoção nesta rodada final.

Os horários da rodada final da Série C

  • Sábado, 18h – Volta Redonda x Paysandu
  • Sábado, 18h – Amazonas x Botafogo-PB
  • Domingo, 16h – Operário-PR x São Bernardo
  • Domingo, 16h – Brusque x São José-RS

* Transmissões pelo DAZN e pelo Canal GOAT

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.
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