Lado B de Brasil

O Frasqueirão pulsou para empurrar o ABC e comemorar o acesso na Série C

Quando o 31 de dezembro chegar e o torcedor do ABC fizer um balanço final sobre o que aconteceu em 2016, não poderá reclamar. O primeiro semestre teve seu ápice em maio, quando, mais do que conquistar o Campeonato Potiguar, o clube enfiou 4 a 0 sobre o América na decisão. E o sonho dos alvinegros se completou nesta sexta, depois de já terem se divertido com o rebaixamento dos maiores rivais à Série D. Os abcdistas confirmaram a volta à Segundona no Frasqueirão lotado, vencendo o Botafogo de Ribeirão Preto por 1 a 0. Para ficar mais perfeito, só mesmo se o título da Série C vier.

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Desde o início da campanha, o ABC apresentou sua força na terceira divisão. O Grupo A era complicadíssimo, com vários clubes tradicionais do Nordeste e do Norte. No entanto, o time começou a pegar embalo a partir da metade final do primeiro turno e só não terminou a primeira fase na liderança porque marcou dois gols a menos que o Fortaleza. Nas quartas de final, o Botafogo se sugeria um adversário difícil, embora tenha alternado momentos na competição. E a confiança dos potiguares aumentou depois do empate por 0 a 0 em Ribeirão Preto. Invictos no Frasqueirão desde março, com seis vitórias e três empates como mandantes na fase de classificação da Série C, os alvinegros confiavam em si.

Como era de se esperar, as arquibancadas se encheram para ver a história acontecer, com o público batendo os 15 mil torcedores. Não tiveram do que reclamar. O jogo foi tenso e o primeiro tempo terminou com dez para cada lado, depois de confusão generalizada que culminou nas expulsões de Filipe e Nando. Já aos nove minutos da etapa complementar, Erivélton venceu Neneca e se tornou o herói do acesso. Justo ele, o único remanescente do rebaixamento que permaneceu entre os titulares. O goleiro Edson, ainda assim, apareceu para confirmar a comemoração dos potiguares.

O ABC volta à Série B apenas um ano após sua queda. Méritos do técnico Geninho, que chegou ao clube em fevereiro e conduziu os sucessos alvinegros. Já em campo, enquanto Jones Carioca encabeçou a artilharia da Terceirona, Lúcio Flávio assumiu o papel de principal liderança. Aos 37 anos, o meia ganhou a braçadeira de capitão e só não esteve entre os titulares em um dos 20 jogos da campanha.

No mais, a menção mais honrosa vai a João Gabriel. O menino de cinco anos, que possui uma má-formação congênita da coluna vertebral e se locomove em uma cadeira de rodas, frequenta o estádio desde que era um bebê. No entanto, durante os últimos meses sua paixão pelo clube se transformou em um símbolo, rendendo até a homenagem em um bandeirão. Pois o talismã mais uma vez se fez presente, empurrando a equipe e comemorando o acesso. Resume um sentimento que se espalha entre os abcdistas e se escancara em forma de orgulho, por todas as emoções que se viveram no Frasqueirão em 2016.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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