Felipão tem direito de defender Edenilson, mas não pode descredibilizar as manifestações da torcida do Atlético-MG
Ao defender Edenilson (e em outras respostas), Felipão bateu de frente com a torcida do Atlético, que vaiou o jogador e o time
Com um início ruim de temporada, o Atlético-MG e o técnico Felipão estão precisando ouvir muitas críticas, seja da imprensa ou da torcida. No empate em casa contra o Tombense nesta quarta-feira (14), Edenilson, que já não tem muito o carinho da torcida, foi mal e ouviu muitas vaias das arquibancadas. Scolari saiu em defesa de seu jogador, mas não pode descredibilizar as manifestações do torcedor atleticano – algo que ele fez em praticamente todas as respostas e vem fazendo há tempos.
Desde que chegou ao Atlético, Felipão divide a torcida, não só pelo desempenho do time em campo, mas também pela postura dele em algumas coletivas – principalmente quando o time não vence. No pós-jogo contra o Tombense, não foi diferente. Em diversas respostas o treinador fez questão de citar a torcida, afirmando que eles não querem entender a intenção dele e o que está acontecendo com o time.
Apesar de ter citado a torcida em várias respostas, Felipão foi questionado diretamente sobre ela em um: as vaias para Edenilson. O meia, que já não possui muito carinho da torcida, foi mal no gol sofrido pelo Atlético logo no início e não fez uma boa partida depois disso. No fim do primeiro tempo, começou a ser vaiado ao encostar na bola. Mesmo assim, Scolari voltou com ele para o segundo tempo e ainda improvisado na lateral. O jogador seguiu ouvindo muitas vaias, inclusive ao ser substituído, aos 30 da etapa final. O treinador então o defendeu.
– Ele não foi um grande jogador no fim do ano passado e começo desse ano? Fez gol aqui (na Arena MRV) há 10 dias. Vinha muito bem. Tem jogadores, como o Jemerson, que se tivesse hoje e tomasse gol, a culpa seria dele. A torcida acha que tem que pegar um para Cristo, mas ele vinha jogando muito bem, e a nossa torcida, ao invés de incentivar o nosso jogador, coloca ele para baixo. Ainda bem que eu tenho a capacidade de defendê-lo e falar que ele tem jogado muito bem há muitos jogos — afirmou o treinador.
Edenilson muito vaiado no último lance do primeiro tempo. Ao apito final, todo o time também ouviu vaias. A torcida canta: "Eu quero raça, do time todo!".
— Alecsander Heinrick (@alecshms) February 14, 2024
Felipão tem razão ao citar que Edenilson terminou bem o ano. Mas ele não conseguiu jogar bem todo o resto de 2023. Foram cinco jogos finais excelentes, mas outros 38 ruins. Sim, ele marcou na vitória contra o Democrata, mas só isso não faz ele virar intocável. Por sinal, nenhum jogador é. Nem mesmo Hulk. Podem haver nomes mais poupados pelo que já fizeram para o clube, mas o torcedor sempre irá cobrar pelo que está acontecendo no momento.
Felipão parece não entender isso e essa relação da torcida do Atlético com o clube. O torcedor quer ver o time vencer, dar show, golear, principalmente no Mineiro, onde o Galo é amplamente favorito aos demais – principalmente os times do interior. Se ele vai ao estádio e entende não ver isso, é de direito dele, que pagou pelo ingresso, vaiar, cobrar, cantar ou fazer o que for permitido (dentro da lei, claro). E o treinador, nesse caso, pode defender seu jogador, mas não dará resposta para a torcida no microfone, principalmente criticando-a, a resposta precisa vir em campo, e isso Scolari não está conseguindo dar.
Como citado, a relação de Felipão com o Atlético e, principalmente, com a torcida, é conturbada. Após o empate na Arena MRV, o início ruim e as falas do treinador na coletiva, as redes sociais foram tomadas de manifestações de atleticanas destacando a falta de identificação do treinador com o clube em que trabalha e a torcida que o forma.
Eu acompanho o Atlético ha muito tempo. Felipao é um dos técnicos com menor identificacao com o clube e torcida que ja passaram por aqui. Cara nao ta nem ai pra nada ,nao faz o menor esforço pra criar uma afinidade
— Sergio Sadi (@SergioSG) February 15, 2024
O Felipão é uma mancha na história do Atlético.
Não espero que treinadores torçam para o clube que eles treinam. Cada um tem direito de torcer e gostar do time que quiser, mas o mínimo que se espera é um certo 'decoro futebolístico': você tem que, pelo menos, respeitar.
— luisera (@itsluisaalmeida) February 15, 2024
Nunca no @Atletico teve um treinador que criticasse tanto a nossa torcida como o Felipão, ele não gosta da nossa instituição, e nesse embalo está a diretoria que não tá nem aí pra Nós Torcedores, sinceramente estou desanimado com o clube.
— Keiler Sanderson (@keilergalodoido) February 15, 2024
Diferente de Felipão, Caetano entende a torcida
Enquanto Felipão acha que o torcedor do Atlético não tem o direito de reclamar e vaiar os jogadores ou o time, o superior dele, Rodrigo Caetano, ainda diretor de futebol do clube, entende e acha legítimo as manifestações não só dos torcedores como também as críticas da imprensa – outra coisa que Scolari sempre se irrita.
– Acho que os resultados estão abaixo, e é normal em ser avaliado dessa forma. O momento das críticas de vocês são legítimas, bem como as vaias do torcedor. É o momento deles, que vem no estádio, quer ver o time ganhar e convencer, às vezes até golear, e quando isso não ocorre é legítimo que eles se manifestem aqui — disse o diretor.
Caetano ainda deu a entender que, por mais que as críticas e vaias sejam válidas, que o time esteja mal, não haverá troca no comando do Atlético por pressão ou outros fatores externos: “Se existe uma coisa que a gente já passou para vocês é que as decisões serão sempre técnicas, não por conta do externo ou da pressão. Para que busquemos reverter essa situação atual, precisamos de trabalho com convicção”.
Diferente de Felipão, Rodrigo Caetano entende e acha legítima as vaias e as criticas após o jogo de ontem e o início ruim do Atlético. No entanto, garantiu que não vão agir por pressão do externo.
Diretor confia no elenco e na comissão e vê necessidade de ajustes apenas. pic.twitter.com/wz9QZt4JYb
— Alecsander Heinrick (@alecshms) February 15, 2024
Na gestão atual, o Atlético, através do Rodrigo Caetano e também do presidente Sérgio Coelho, já admitiu que errou ao ceder a pressão para a demissão de Turco Mohamed, que estava a frente do time em 2022 com quase 70% de aproveitamento e mesmo assim caiu. Por conta disso, o clube adota esse discurso de não aceitar mais que o externo pese nas decisões internas.



