Como nova lesão de ‘protegido’ de Ancelotti liga alerta na Seleção
Militão deve ficar quatro meses fora e perder a próxima Data Fifa, o que impacta planos de Ancelotti para o Brasil
Éder Militão teve nova lesão confirmada nesta segunda-feira (8). “Queridinho” de Carlo Ancelotti na seleção brasileira, o defensor do Real Madrid deve ficar de três a quatro meses fora de ação por conta de um problema no posterior da coxa esquerda sofrida em nova derrota merengue.
“Após exames realizados pelo Departamento Médico do Real Madrid a Éder Militão, foi diagnosticada uma ruptura no músculo bíceps femoral da perna esquerda, com envolvimento do tendão proximal“, confirmou o clube.
Apesar da próxima convocação de Ancelotti ainda estar consideravelmente longe, dado o tempo de recuperação, Militão pode ficar de fora da próxima Data Fifa de março — quando se completam os quatro meses esperados para a recuperação. E isso liga alerta ao italiano e à Seleção.
A preocupação de Ancelotti com Militão
Os problemas do zagueiro ex-São Paulo não são novidade para o técnico do Brasil. Ancelotti conviveu com Militão no Real Madrid justamente em um período em que o brasileiro perdeu muito tempo lesionado.
Aos 27 anos, Militão já perdeu um total de 713 dias lesionado em sua carreira — destes, 706 desde 2020, um ano após chegar à Espanha. Isso equivale a quase dois anos inteiros “desperdiçados” como jogador profissional.

As principais lesões foram no joelho. Em agosto de 2023, rompeu o ligamento cruzado, que o tirou de combate por 232 dias; depois, em novembro de 2024, rompeu parcialmente o ligamento, e foram mais 234 dias de espera.
Desde a Copa do Mundo de 2022, quando, inclusive, foi o lateral-direito titular do time de Tite, Militão foi desfalque constante nas convocações da seleção brasileira. Ele foi titular nos três jogos seguintes ao Mundial, nas Datas Fifa de março e junho de 2023. No entanto, depois disso, a sequência foi ruim:
- Militão perdeu oito jogos seguidos da Seleção por conta do rompimento do ligamento cruzado, entre setembro de 2023 e março de 2024;
- Isso significa que o zagueiro não esteve em quatro convocações seguidas;
- Ele voltou a ser chamado na Data Fifa de junho de 2024 e esteve no time que foi à Copa América daquele ano, entre junho e julho. Foi, inclusive, titular;
- No entanto, logo depois da Copa América, mais lesões musculares e no joelho o tiraram das listas por praticamente um ano;
- Militão ficou de fora de seis convocações seguidas: as Datas Fifa de setembro, outubro e novembro de 2024, bem como as de março, junho e setembro de 2025 — as duas últimas já com Ancelotti.
Ao todo, o defensor do Real Madrid ficou de fora da seleção por praticamente um ano e meio, somando as lesões. E, curiosamente, vinha sendo titular quase que inegociável sempre que esteve disponível.
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O alerta na seleção brasileira que vira ‘esperança’ para concorrentes
Ancelotti sempre teve paciência e deu confiança ao jogador, tanto no Real Madrid quanto agora no comando da seleção. E reforçou em diferentes oportunidades a importância que Militão tem para seu planejamento para a Copa do Mundo.
O zagueiro voltou a ser convocado na Data Fifa de outubro e foi titular na vitória contra a Coreia do Sul. Ficou no banco na derrota para o Japão, dias depois, e voltou a ser elogiado nos jogos de novembro.
🚨🛑 BREAKING: Éder Militão suffers tear in the biceps femoris muscle of his left leg with involvement of the tendon.
Real Madrid defender will be out for 3-4 months, report @AranchaMobile. pic.twitter.com/R15FnLXRgG
— Fabrizio Romano (@FabrizioRomano) December 8, 2025
Contra Senegal, como lateral-direito, reacendeu o debate sobre a posição e foi colocado como a solução de Ancelotti para uma vaga que ainda não está definida — e praticamente carimbou sua ida à Copa por conta da grande versatilidade.
A questão agora é a sua disponibilidade: com a chance de não ser convocado para a Data Fifa de março, isso liga um alerta para o treinador italiano. A última convocação antes da Copa do Mundo será para definir o lateral-direito “principal” e “mais ofensivo” do time.
Quem pode ganhar espaço na Seleção com a lesão de Militão
Militão se mostrou uma opção segura na lateral tanto quanto na zaga. Isso faz com que nomes como Wesley, Vanderson, Vitinho e Paulo Henrique tenham que aproveitar ao máximo as chances que tiverem — se tiverem — em março.
Wesley e Vanderson parecem os que estão mais perto da lista final de Ancelotti. Ambos têm características semelhantes: atacam a profundidade, driblam e chegam à área para criar. E, curiosamente, os dois também alteraram cortes das convocações recentemente por lesão.

O defensor da Roma pode ganhar na versatilidade, uma vez que tem jogado pela esquerda na Itália e pode dar outra faceta para o time de Ancelotti dessa forma. Ainda mais com a indecisão também pelo lado canhoto da lateral.
Danilo é um caso semelhante ao do defensor do Real Madrid. Lateral de origem, se tornou zagueiro e é uma opção menos ofensiva com ultrapassagens e que deve ser usado como construtor e quem apoia mais na defesa. Pode ser considerado o substituto direto de Militão no sentido de versatilidade e de papéis cumpridos, mas está em um nível inferior neste momento da carreira.
É improvável que, caso esteja saudável e 100% fisicamente para a Copa do Mundo, Militão não esteja na lista definitiva de Carlo Ancelotti. Mas também é inegável que a mais recente lesão do zagueiro simboliza uma urgência para o italiano fazer definições.



