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Gestão Duílio: Promessa de pagamento de dívidas do Corinthians e quitação da Neo Química Arena com Caixa

Diretor financeiro do Corinthians, Wesley Melo garante que próximo presidente pegará um clube mais organizado

Quando Duílio Monteiro Alves foi eleito presidente do Corinthians em 2020, uma das principais propostas da campanha para o seu triênio de mandato era quitar ao máximo a quantia de dívidas que o clube acumulava depois da saída de Andrés Sanchez (2018-2020), o valor chegava há R$ 956,9 milhões.

E apesar dos erros cometidos durante os anos de mandato como as trocas de treinadores, a falta de títulos, as contrações feitas, e as inúmeras vendas na última temporada, Duílio conseguiu reduzir consideravelmente o valor da dívida alvinegra, e como cartada final de seu mandado entregou uma proposta à Caixa Econômica Federal para quitar a Neo Química Arena.

Na última parte da análise, em retrospectiva, das ações do dirigente durante o seu triênio à frente do Alvinegro, feita pela reportagem da Trivela, vamos falar sobre a situação financeira do Corinthians durante a gestão do até agora atual presidente e como o próximo mandatário encontrará as finanças do clube.

Proposta de quitação da dívida da Neo Química Arena 

Há uma semana do fim do seu mandato, Duílio anunciou a entrega de uma proposta para a Caixa Econômica Federal que tinha como objetivo quitar a dívida do Corinthians com o banco financiador dos valores para a construção do estádio alvinegro em 2014. A ideia da diretoria é assumir precatórios, que são títulos de emissão do poder público. Ou seja, o Timão trocaria a dívida da Arena por outras dívidas que a Caixa possui. Com isso, o clube continuaria com a divida, porém, com um valor menor, já que a compra de precatórios possui desconto.

Na proposta também estão inclusos valores dos naming rights da Neo Química Arena, que iriam direto para a Caixa Econômica, sem nem passar pelas contas do clube. A Hypera Pharma “comprou” o nome do estádio por R$ 300 milhões, arrecadando cerca de R$ 15 milhões por ano.

Só em juros, neste ano o Corinthians deve pagar cerca de R$ 100 milhões. Hoje toda a renda dos ingressos é direcionado a essa dívida. São mais de R$600 milhões a serem pagos até o fim de 2025, a Caixa já considerava os valores a serem pagos como perdidos.

A proposta feita pelo clube agradou o banco, mas segue sob análise. Pessoas dentro do clube garantem que o acordo está praticamente selado, mas precisa passar por processos de aprovação burocrática. Os valores integrais da proposta estão sob sigilo.

Como fica a situação financeira do Corinthians após a saída de Duílio

Hoje a dívida do Corinthians é de R$ 900 milhões, o clube também pode fechar o ano com um superavit maior que R$ 20 milhões, isso por que a receita de 2023 pode chegar a R$ 1 bilhão. A atual diretoria também deve deixar o clube sem nenhuma receita comprometida, com o faturamento alto. Em entrevista ao ”GE”, o diretor financeiro do clube Wesley Melo ressaltou que o clube tem uma folha salarial alta e que o próximo presidente precisará tentar manter o alto valor na arrecadação de receitas:

– Temos uma estrutura parruda, temos um estádio, então quem assumir sabe que terá de trabalhar muito. Não é o clubezinho da esquina. É um clube de folha de pagamento alta, um clube social maravilhoso, mas que tem um custo. Não vai ter uma receita comprometida, mas terá de buscar para manter uma receita alta, pois o clube é gigante.

Outro ponto ressaltado por Wesley foi o tempo que o Corinthians levará para conseguir se livrar de um sufocamento das dívidas. Por isso, a próxima gestão, segundo ele, precisa manter a mesma linha de pensamentos e não se aventurar em negociações incabíveis:

– Acho que vai mais uns quatro ou cinco anos nesta batida. O Flamengo, que para nós é uma referência, levou sete anos para botar a casa em ordem. Conversei algumas vezes com o ex-presidente Bandeira de Mello, não foi fácil, foi um período complicado, e depois o Flamengo deu continuidade. Como fez o Palmeiras com o Paulo Nobre, que fez uma boa gestão, colocou dinheiro com juros mais baixos, depois profissionalizou, depois o Maurício Galliote deu continuidade, agora a Leila Pereira também. O que Palmeiras e Flamengo fizeram têm grande valor. Fizemos em três anos, precisamos de mais tempo também.

Foto de Jade Gimenez

Jade Gimenez

Jornalista, fascinada por esporte desde a infância e transformou a paixão em profissão. Além do futebol, se mantem por dentro de outras modalidades desde Fórmula 1 até NFL. Trabalhou como repórter em TV e rádio cobrindo partidas de futebol, futsal e basquete.
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