Como Dorival amarrou o Flamengo para deixar São Paulo a um passo do título na Copa do Brasil
São Paulo vence o Flamengo por 1 a 0 no Maracanã com atuação de time que parece pronto para ser campeão
O Maracanã, tão imponente e barulhento com suas arquibancadas lotadas por mais de 60 mil flamenguistas, mais parecia o Morumbi neste domingo (17). Ou melhor: o São Paulo fez o palco eterno do futebol brasileiro parecer sua casa com uma atuação de manual na vitória por 1 a 0 sobre o Flamengo, no duelo de ida da final da Copa do Brasil. Uma vitória emblemática tanto por deixar o Tricolor a um passo de um título inédito, quanto pela maneira com que a equipe amarrou e foi superior ao Rubro-Negro nos primeiros 90 minutos da decisão.
Vencer o Flamengo no Maracanã em uma final é para poucos. E Dorival Júnior – atual campeão da Copa do Brasil e da Libertadores pelo clube carioca – sabe disso como ninguém. Tanto que o treinador, de tão orgulhoso, batia na mesa com o dedo durante a sua última resposta na entrevista coletiva de mais de 30 minutos após a partida.
– Eu queria pontuar uma coisa importante. Esse título não está sendo disputado por acaso. Desde a primeira conversa com os jogadores, alguns ficaram surpresos, eu disse que a gente chegaria a uma decisão. Eles não acreditaram. Com os resultados, eles me passaram uma resposta de que poderia dar. Tudo pode acontecer. Mas não podemos deixar de deixar nossa vida lá dentro. Resultado não se administra. Você encurta o nosso caminho. A atitude tem que ser como a de hoje. Te garanto com toda a certeza: estamos preparando esse momento há muito tempo – disse o treinador.
Esse São Paulo preparado há meses por Dorival mostrou que, de fato, estava preparado para fazer um duelo do tamanho de uma final da Copa do Brasil. O Tricolor entrou em campo disposto a enfrentar tudo o que uma decisão exige. E encontrou um rival desorganizado que virou presa fácil à estratégia armada pelo treinador.
“Isso não tem preço. Repetir em campo tudo o que foi treinado, com a convicção, com a confiança que eles executaram. Primeiro, o treinador propões, e o jogador se determina. Confirmar o que foi feito desde a análise das atuações em vídeo. Foi um ponto positivo, mas temos que ter um algo a mais no jogo da volta”. (Dorival Júnior)
Antes de se pensar neste “algo a mais” no jogo da volta, falemos de como Dorival fez para “amarrar” o Flamengo. A estratégia tem tudo a ver com que espaços do campo ocupar nos momentos certos da partida. No primeiro tempo, o Tricolor concentrou seus esforços nas beiradas – tanto para atacar, quanto para se proteger. Foi assim até construir o primeiro gol. Na segunda etapa, com a vantagem, foi a hora de fechar os caminhos na região central e congestionar qualquer possibilidade de empate do Flamengo.
Um primeiro tempo construído pelas beiradas
Tudo isso começa pela escalação. Dorival deixou Luciano no banco para ter Wellington Rato como peça-chave de sua estratégia. O plano era claro: usar o meia-atacante como “trava” para as investidas de Bruno Henrique contra Rafinha pela direita. A dupla foi soberana contra o atacante rival, que pouco fez em campo.
Do outro lado do campo, vem o segundo ponto vital do que o treinador pensou para a partida. O técnico “abriu” Nestor pela esquerda em combinações com Caio Paulista. Havia uma preocupação com o estrago que Gabigol poderia fazer às costas do lateral. Mas foi exatamente o contrário. A dupla de são-paulinos foi a responsável por estragar o domingo dos flamenguistas.
Rato, Nestor e Caio. Guardem os nomes do trio responsável por construir o gol da vitória.
Rodrigo Nestor (23 anos) pelo @SaoPauloFC desde 2021:
⚔️ 163 jogos
⚽️ 10 gols
?️ 23 assistências
? 173 passes decisivos
? Nota Sofascore 6.92• Líder em assistências do time no período.
• Deu passe para gol em 3 finais (Paulistão 21, Paulistão 22 e Copa do Brasil 23).— Sofascore Brazil (@SofascoreBR) September 17, 2023
Isso, porque o São Paulo do primeiro tempo foi meticuloso e cirúrgico. Primeiro, cozinhou o jogo ficando com a posse de bola para esfriar qualquer chance de pressão por parte do Flamengo. Foi assim até a parada técnica para tentar refrescar o calor que castigou o Rio de Janeiro neste domingo. Após amansar o adversário, o Tricolor resolveu ser letal, já no apagar das luzes da primeira etapa.
Wellington Rato dominou pela direita, cercado de muitos rivais, e fez uma inversão para encontrar Caio livre pela esquerda. O lateral avançou em direção ao meio e abriu espaço para Nestor “abrir” pelo lado do campo. O meia recebeu e cruzou na cabeça de Calleri, livre, para abrir o placar.
O gol de Calleri que abriu o placar!
Flamengo 0️⃣ x 1️⃣ São Paulo#VamosSãoPaulo ?? pic.twitter.com/0kZL7U26XY
— São Paulo FC (@SaoPauloFC) September 17, 2023
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Segundo tempo de sobrevivência
Conhecedor das características do elenco do Flamengo, Dorival mudou a estratégia para o segundo tempo. Seriam 45 minutos em que o jargão de “saber sofrer” seria colocado à prova pelo São Paulo. O técnico sabia que o rival voltaria com uma postura mais agressiva – e o fez a partir da entrada de Everton Ribeiro. Cabia à equipe fechar todo e qualquer espaço, em um jogo que foi “oposto” ao dos 45 minutos inicias.
No primeiro tempo, o Tricolor teve 61% de posse de bola, finalizou quatro vezes e não concedeu um chute sequer ao Flamengo. Na segunda etapa, foram apenas 37% de posse. O rival teve seis conclusões a gol, contra apenas uma do São Paulo.
Lucas Beraldo foi o Destaque Sofascore de Flamengo 0-1 São Paulo!
✂️ 5 cortes
⤴️ 2 interceptações
? 1 desarme
? 0 faltas (2 sofridas!)
? 3/3 duelos ganhos por baixo (100%!)
✅ 38/44 passes certos (86%!)
↗️ 6/10 bolas longas certas (60%)
? Nota Sofascore 7.4 pic.twitter.com/g6HiR4E6ga— Sofascore Brazil (@SofascoreBR) September 17, 2023
A estratégia de Dorival foi compactar duas linhas em frente à área e fechar todo e qualquer espaço em que o Rubro-Negro poderia se infiltrar. Calleri, o autor do gol, foi um soldado solitário mais adiante contra a defesa adversária. Era uma estratégia que exigia doação ao extremo e, por isso, o treinador foi empilhando trocas ao longo da segunda etapa. Ele chegou a dizer que precisaria até de mais do que as cinco substituições permitidas para suportar o nível de intensidade.
Mas o São Paulo suportou. Com uma atuação soberana de sua dupla de zaga, Arboleda e Beraldo. E muita entrega, característica comum a todo e qualquer time que se torna campeão. Pablo Maia salvou em cima da linha uma cabeçada de Pedro, na melhor chance do Flamengo no jogo. E ao final da partida, Arboleda e Calleri, exaustos, desabaram em campo. De tão concentrados e sabedores do que os espera no Morumbi, os são-paulinos mal comemoraram uma atuação tão emblemática.
São Paulo chega com moral para conquistar troféu que falta
O São Paulo agora joga por um empate para conquistar o título inédito da Copa do Brasil. As duas equipes voltam a se enfrentar no próximo domingo (17), às 16h (horário de Brasília), no Morumbi, no jogo que decidirá quem será o campeão. Antes, o Tricolor tem pela frente o Fortaleza na próxima quarta-feira (20), às 21h30 (de Brasília), em casa, pelo Brasileirão.



