Dorival conseguiu resolver defesa da Seleção mesmo com muitos desfalques
Após um 2023 desastroso, Brasil sai sem sofrer gol da vitória por 1 a 0 sobre a Inglaterra
Dorival Júnior já não contava com Alisson, depois perdeu Ederson e Marquinhos… Veio também a baixa de Casemiro, e por último Gabriel Magalhães virou desfalque com a delegação brasileira já em Londres. Surgiam desafios de todos os lados para um treinador que já tinha uma missão ingrata: resolver os (muitos) problemas defensivos que a Seleção apresentou em 2023 logo em sua estreia no cargo mais expressivo de sua profissão no país.
E ele conseguiu. O Brasil que vinha de um 2023 desastroso saiu de campo sem sofrer gols pela primeira vez após quatro partidas. Com direito a vitória por 1 a 0 sobre a Inglaterra em Wembley, no último sábado (23). O placar zerado é ainda mais emblemático diante das muitas baixas que reformularam a primeira convocação do treinador.
A Seleção estancou a seca de gols com uma defesa que tinha quatro estreantes na escalação titular. O goleiro Bento, a dupla de zaga Fabrício Bruno e Lucas Beraldo e o lateral-esquerdo Wendell vestiram a camisa do Brasil pela primeira vez em uma partida pela equipe principal. O capitão Danilo foi a única referência restante na formação.
Assim, a seleção brasileira deixa para trás uma 2023 em que sofreu 14 gols em nove jogos. A média de 1,55 gol sofrido por partida é a pior desde 1964 – quase 60 anos! Naquela temporada, o Brasil atuou apenas três vezes e sofreu cinco gols, com uma média de 1,66 por jogo.
Defesa é “dor de cabeça” para Dorival contra a Espanha
O sistema defensivo que deu tão certo contra a Inglaterra é o motivo de maior atenção de Dorival para definir a escalação da Seleção contra a Espanha. Devido ao desgaste da partida em Wembley, o treinador espera uma última avaliação do departamento médico na manhã desta terça-feira para saber que atletas têm condições de iniciar em campo e suportar os 90 minutos.
Com seis substituições à disposição, o técnico não quer ser obrigado a “queimar” alterações com trocas na defesa por problemas médicos durante o amistoso. Por isso, há boa chance de que o treinador mexa em uma ou outra posição do sistema defensivo na escalação titular.
Nesta segunda-feira (24), Dorival trabalhou duas formações durante o treino no CT do Real Madrid. O técnico escalou o mesmo time que iniciou contra a Inglaterra e foi mudando algumas peças no decorrer da atividade de posicionamento.
A decisão sobre quem começa o jogo será tomada apenas após a conversa com os médicos. Há uma preocupação especial também com Richarlison. Mesmo recuperado de lesão, o atacante ainda sente dores musculares. Por isso, inclusive, não entrou em campo em Wembley. Caso o Pombo apresente condições de jogo, ele deve até ser titular da equipe. O desejo do treinador é ter um centroavante na referência do ataque.

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Defesa pagou caro em um dos piores anos da história da Seleção
A fragilidade defensiva foi apenas um dos sintomas de um 2023 que entrou para história como um dos piores anos de todos os tempos para a Seleção. A defesa começou a vazar logo após a Copa do Mundo de 2022, ainda sob o comando interino de Ramon Menezes. O Brasil fez três amistosos e sofreu sete gols – uma média superior a dois gols sofridos por partida. Foram derrotas contra Marrocos (2 a 1) e Senegal (4 a 2), além de uma vitória sobre Guiné por 4 a 1. Até mesmo em uma vitória sobre uma seleção de menor escalão, o Brasil conseguiu sofrer um gol.
Veio Fernando Diniz, chegaram as Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2026… E nada mudou. Em mais seis jogos, o Brasil só não sofreu gol em um, na vitória por 1 a 0 sobre o Peru. Ao todo, foram sete gols sofridos e três derrotas consecutivas – algo inédito na história das Eliminatórias.
E há uma comparação que é ainda mais perversa com a equipe do ano passado. O Brasil de Tite foi vazado menos vezes em 17 partidas nas últimas Eliminatórias, para a Copa do Catar, do que a equipe de Diniz em apenas seis jogos até a demissão. No ciclo para o último Mundial, a Seleção sofreu apenas cinco gols. A média de gols atual na competição é quatro vezes maior.
Escalação provável da Seleção contra a Espanha:
Bento; Danilo (Yan Couto), Fabrício Bruno (Bremer), Beraldo e Ayrton Lucas (Wendell); João Gomes, Bruno Guimarães e Lucas Paquetá; Raphinha, Rodrygo e Vini Jr. Técnico: Dorival Júnior.



