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Cruzeiro tem o que comemorar após empate contra o Atlético-MG na Arena MRV

Cruzeiro sai invicto no estádio do maior rival e com vantagem do empate na volta da final do Mineiro

Os primeiros 45 minutos da final do Campeonato Mineiro foi um baile na Arena MRV. Finalmente, no terceiro confronto da história do estádio contra seu maior rival, o Atlético Mineiro se impôs e começou uma blitz contra a defesa celeste já aos sete minutos. Bruno Fuchs fez uma jogada de gênio, da ponta esquerda para dentro, passou por dois marcadores e marcou após a bola passar debaixo de Rafael Cabral. Depois, foi a vez de Hulk fazer outro belo gol, limpando o goleiro e quase entrando no gol. O Galo voltaria a chegar outras três vezes, a detalhes de transformar o clássico em goleada.

O Cruzeiro de Nicolás Larcamón, que entrou em uma formação com três defensores para se adaptar ao time de Gabriel Milito, melhorou no fim do primeiro tempo e deu mostras do que viria para etapa final. O empate começou a ser construído aos três da etapa final, em gol contra bizarro de Jemerson, que até se recuperaria ao tirar uma bola do pé de Matheus Pereira cara a cara. No fim, com o abafa celeste, Juan Dinenno cravou pelo alto após cruzamento de João Marcelo. O 2 a 2 dá a Raposa a vantagem de apenas empatar no Mineirão no próximo domingo para levar o primeiro estadual desde 2019.

O primeiro tempo desastroso, potencializado pela escolha tática Larcamón ao esvaziar o meio e adicionar um zagueiro e alas, serve como uma lição, mas, ao menos, o torcedor celeste deve ter saído satisfeito com o resultado. A resposta da etapa final, em um estádio preenchido apenas por torcedores alvinegros, é uma amostra do que esse elenco pode apresentar nas mãos do técnico argentino. Melhor, ainda manteve a invencibilidade de três jogos no estádio do rival.

Por que Larcamón mudou a formação do Cruzeiro contra o Atlético?

Mesmo com o retorno de Zé Ivaldo, suspenso no último jogo, o técnico quis manter Lucas Villalba, agora como zagueiro à esquerda, ao lado de Neris e João Marcelo. Com isso, Marlon (esquerda) e William (direita) eram os alas. Lucas Silva foi quem perdeu a vaga no meio, esvaziado e um prato cheio para o time do Galo passear.

Segundo Larcamón, na entrevista coletiva após o jogo, as trocas acontecem porque Zé Ivaldo comprometeu o Cruzeiro na ida da semifinal contra a Tombense, quando foi expulso ainda no primeiro tempo, e o jogador precisa melhorar na questão disciplinar. O argentino também justificou a posição de Villalba para fortalecer os lados do campo com os alas.

– As decisões que tomamos são estritamente táticas. Também tem a ver com gestão de grupo, o manejo de algumas situações individuais. Falam que Zé Ivaldo vinha jogando, mas no último ele foi expulso com 20 minutos. É um jogador que acho excepcional, uma qualidade muito grande, mas também é preciso que melhore esse aspecto, porque não foi só uma vez. É preciso ter clareza de que tem que melhorar, e eu sei que ele está trabalhando para isso. […] É um dos melhores zagueiros [Zé Ivaldo] que treinei na vida, mas é preciso que o jogador tenha essa sequência, porque não pode acontecer o que aconteceu contra o Tombense.

– [Villalba] foi uma decisão de planejamento de jogo, que tem a ver com fazer um time mais sólido pelos lados, tentando fazer um jogo não tão aberto. Os jogadores também podem fazer função de ala, com qualidade ofensiva, mas acho que o Marlon é aquele que tem melhor capacidade defensiva. Foi isso que deixou a série aberta – explicou o técnico, que colocou Zé Ivaldo no lugar de Villalba ainda no fim do primeiro tempo.

Nicolás Larcarmón ainda avaliou o primeiro tempo como ruim, apesar de defender que as decisões estratégicas para o jogo deram certo.

– O primeiro tempo foi de um desempenho ruim, mas acho que muitas decisões de planejamento para o jogo foram positivas, assim como no segundo tempo. […] Sinto que há mais coisas positivas do que marcar uma escolha de uma pessoa, que tem a ver com a gestão de um grupo para um ano que vai ser longo.

O Cruzeiro volta aos gramados já nesta quinta-feira (4), na estreia pela Copa Sul-Americana, contra a Universidad Católica, no Equador, antes de voltar ao Mineirão para receber o rival na volta da final do Campeonato Mineiro.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius é nascido e criado em São Paulo e jornalista formado pela Universidade Paulista (UNIP). Escreveu sobre futebol nacional e internacional no Yahoo e na Premier League Brasil, além de eSports no The Clutch. Além disso, atuou como assessor de imprensa no setor público e privado.
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