Brasil

Mais do que o presente, eleições também terão impacto no passado e futuro do Corinthians

Conselheiros do Timão definirão o novo presidente da diretoria e responsável por apurar denúncias contra figuras importantes do clube até o fim de 2026

Não é somente o rumo administrativo do Corinthians nos próximos 15 meses que será definido na noite desta segunda-feira (25). As votações que estabelecerão o novo presidente da diretoria executiva e vice-presidente do Conselho Deliberativo terão papel fundamental para revisar o passado e redesenhar o futuro corintiano. 

Por se tratar de um “mandato tampão”, a eleição presidencial será indireta e o resultado será definido por um grupo de somente 301 pessoas, os conselheiros do clube. 

E justamente por esse cenário restrito que a votação tem o poder de movimentar novamente as articulações políticas do Timão, que terá novo pleito, dessa vez direto, com os associados, em um ano e três meses. 

Já a eleição para a vice-presidência do Conselho terá fundamental importância no processo de apurações internas em relação a denúncias contra dirigentes e ex-dirigentes corintianos. Isso porque o eleito para a função automaticamente também assumirá a presidência da Comissão de Ética do Conselho Deliberativo. 

O órgão é o responsável por realizar as apurações internas em relação a esses requerimentos e emitir um parecer sobre o Conselho, que tem a função de deliberar sobre o tema e levá-los ao plenário para possíveis sanções. 

Entre as denúncias de maior repercussão em aberto estão atualmente os supostos usos de recursos do clube para fins pessoais por parte dos ex-presidentes Andrés Sánchez e Duílio Monteiro Alves. 

No entanto, outros casos também estão parados na Comissão de Ética desde o afastamento e posterior renúncia de Roberson de Medeiros na presidência do órgão. Entre eles está o desmembramento do caso “Vai de Bet”, que levou ao impeachment do ex-presidente Augusto Melo. 

Outros dirigentes e ex-dirigentes do Corinthians, incluindo o vice-presidente em exercício Armando Mendonça, serão avaliados em relação ao assunto. No total, cerca de 30 processos de caráter disciplinar estão parados na Ética. 

Cenários da disputa presidencial do Corinthians

Presidente interino desde o afastamento e posterior impeachment de Augusto Melo, Osmar Stábile é o grande favorito a se manter na função até o fim de 2026. 

A Trivela apurou que Stábile tem o apoio de boa parte dos conselheiros vitalícios e costurou o apoio do Movimento Corinthians Grande (chapa 82), na qual o vice-presidente Armando Mendonça faz parte. 

Essa aliança, porém, foi o que impediu um “acordão” para que Osmar fosse o único candidato nesta eleição indireta. 

Conselheiros que protocolaram o pedido de impeachment contra Augusto Melo, em agosto de 2024, se sentiram desprestigiados com a ausência de espaço durante a interinidade de Osmar Stábile. 

E o incômodo aumentou ainda mais quando o presidente em exercício compôs com a Chapa 82 e o conselheiro vitalício Paulo Garcia, que à época não assinaram a solicitação para a destituição de Augusto. 

Osmar Stábile Corinthians
Osmar Stábile é o presidente interino do Corinthians (Foto: IMAGO / Brazil Photo Press)

Foi nesse vácuo que surgiu a candidatura de Antonio Roque Citadini. Figura experiente nos bastidores do Timão, Citadini tem o apoio de parte dos vitalícios e penetração em outras alas do Conselho. 

Braço direito de Augusto Melo na campanha presidencial, mas um dos primeiros a romper com o ex-presidente, o ex-diretor de futebol Rubens Gomes, o Rubão, é um dos articuladores da campanha de Citadini. 

Nos bastidores corintianos, há uma crença muito grande de que as articulações feitas por Osmar Stábile e o seu grupo político renderão, pelo menos, a metade dos votos no Conselho – número suficiente para que ele seja eleito. 

Por outro lado, há preocupação sobre como esses apoios serão consolidados. 

Durante o período de interinidade, Stábile evitou nomear diretores estatutários, o que deu margem para que essas funções fossem negociadas durante o período eleitoral. 

Ainda assim, aliados de Citadini acreditam que em um cenário de poucos votantes (301 conselheiros), a eleição tende a ser equilibrada e definida com uma margem de 10 a 15 votos. 

Citadini Corinthians
Conselheiro vitalício, Antonio Roque Citadini tenta correr por fora pela presidência corintiana (Foto: Divulgação/TCE-SP)

Neste caso, André Castro surge como fiel da balança. 

A candidatura do conselheiro é tida como piada nos bastidores corintianos, principalmente após ele apresentar uma carta de intenção de uma empresa que opera na compra de créditos (factoring) em aportar até 1 bilhão de dólares (R$ 5,4 bilhões) no Corinthians. 

Inclusive, Castro tem anunciado a instituição como banco, o que não confere. 

André Castro terá o apoio de parte do grupo de Augusto Melo – uma parcela, porém, dá força à candidatura de Cittadini –, além de outros aliados. 

Em um panorama de equilíbrio na eleição, André pode tirar votos importantes de ambos os lados e isso pode ter fator preponderante na apuração final. 

André Castro Corinthians
André Castro corre por fora, mas pode decidir eleição presidencial no Corinthians (Foto: Reprodução/Instagra)

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Eleição para vice do Conselho tem favorito, mas cenário mais equilibrado

Leonardo Pantaleão é o favorito para ganhar a eleição para vice-presidente do Conselho Deliberativo. 

Próximo ao presidente interino Osmar Stábile e a Romeu Tuma Júnior, presidente do Conselho, o atual superintendente de negócios jurídicos tem participado das articulações e alianças fomentadas pelo grupo nas últimas semanas. 

A diferença é que nesta votação, o coletivo de apoio a Stábile não terá consigo a chapa 82.

Isso porque o principal concorrente de Pantaleão na votação para a vice-presidência do Conselho Deliberativo é Rodrigo Bittar, que faz parte do Movimento Corinthians Grande. 

Inclusive, Bittar compõe o atual quadro da Comissão de Ética e foi um dos membros do órgão que se opôs ao movimento realizado no dia 31 de maio que tentou, por meio de um golpe estatutário, alçar o então recém-afastado Augusto Melo de volta à presidência corintiana

Terceira via, o conselheiro Peterson Ruan é um dos grandes apoiadores de Augusto Melo. 

Através dele, inclusive, houve uma série de tentativas de ações judiciais para modificar os resultados do afastamento e, posteriormente, do impeachment de Augusto Melo na presidência corintiana. 

Além disso, Peterson responde como um dos articuladores dos atos realizados no dia 31 de maio. 

Segundo apurou a Trivela, a candidatura dele à vice-presidência do Conselho Deliberativo pegou muitos conselheiros de surpresa e gerou até mesmo uma série de indignações.

Foto de Fábio Lázaro

Fábio LázaroSetorista

Nascido em Santos, criado em São Vicente e entregue a São Paulo. Na Trivela desde junho de 2024, como setorista do Corinthians. Passagem pelo Lance! entre fevereiro de 2020 e maio de 2024, onde cobriu Santos e Corinthians. Por lá, também coordenou pautas e estratégias digitais. Atualmente, também é comentarista no programa Esporte por Esporte, da TV Santa Cecília.

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