Brasileirão Série A

Zubeldía chega a 10 jogos de invencibilidade e persegue recorde de Dorival no São Paulo

Ainda invicto, argentino vive melhor início de trabalho de um técnico pelo clube desde 1986

Luis Zubeldía pode até manter a humildade como tônica de seu discurso expresso sempre em um espanhol pausado, com clareza de ideias. Mas o fato é que o treinador transformou o São Paulo em um time candidato a brigar por títulos nas três competições que disputa em 2024 desde que assumiu o cargo, 39 dias atrás. Tanto, que ele já coleciona marcas emblemáticas pelo Tricolor.

Com a vitória por 2 a 0 sobre o Cruzeiro, no último domingo (2), o argentino chegou a dez jogos de invencibilidade no São Paulo. Em menos de dois meses no Brasil, ele ainda não aprendeu a conjugar o verbo “perder”.

O técnico soma oito vitórias e dois empates em dez partidas pelo Tricolor, com um aproveitamento de 86,6%. Zubeldía vive o melhor início de trabalho de um técnico do São Paulo desde Pepe, em 1986, que conseguiu nove vitórias e um empate em seus dez primeiros jogos. Mas vale lembrar: são ao todo 11 jogos sem perder. O auxiliar Milton Cruz comandou a equipe na vitória por 3 a 0 sobre o Atlético-GO.

Luis Zubeldía pelo São Paulo

  • 10 jogos
  • 8 vitórias
  • 2 empates
  • 19 gols feitos
  • 4 gols sofridos
  • 86,6% de aproveitamento

E os resultados não se limitam à marca histórica. Com Zubeldía, o São Paulo acaba de entrar no G4 do Brasileirão, se classificou às oitavas de final da Libertadores na liderança do Grupo B e também está garantido nas oitavas de final da Copa do Brasil.

“Passamos muitas dificuldades sem nos dar conta. Eu poderia enumerar as dificuldades, mas fiquei em silêncio. São dez jogos. É muito dez jogos. E prefiro seguir assim. Prefiro dizer que passamos muitas dificuldades e ainda assim podemos dizer que estamos em um bom caminho. O teto, só o tempo dirá”. (Luis Zubeldía)

Zubeldía persegue recorde de Dorival

O argentino já pode se orgulhar também de ser o treinador com o segundo melhor início de trabalho pelo São Paulo no século 21, quando o assunto é a sequência de invencibilidade. Zubeldía é o 32° técnico a comandar o Tricolor desde 2001 e está atrás justamente de Dorival Júnior. 

Antes de conduzir o clube ao título inédito da Copa do Brasil, o treinador teve uma arrancada de 12 jogos de invencibilidade. Foram oito vitórias e quatro empates neste período. Aliás: o aproveitamento atual de Zubeldía é superior ao de Dorival no recorte de dez partidas. O agora técnico da Seleção fez 73,3% de aproveitamento.

Em 2023, a equipe de Dorival perdeu a invencibilidade em uma partida que quase resultou na eliminação precoce do São Paulo na Copa do Brasil. Após vencer o Sport por 2 a 0 no jogo de ida das oitavas de final, o Tricolor perdeu no MorumBIS por 3 a 1 e só garantiu a classificação nos pênaltis.

Roteiros de 2023 e 2024 são semelhantes

O curioso é que os inícios de trabalho de Luis Zubeldía e de Dorival Júnior têm semelhanças que vão além dos dez jogos de invencibilidade. Ambos assumiram o cargo em meio de temporada com a missão de dar novos rumos ao São Paulo. Os dois treinadores herdaram times que precisavam resgatar a confiança após momentos de instabilidade.

Além disso, tanto o argentino quanto o atual técnico da seleção brasileira encararam maratonas de jogos fora de casa de imediato. Em 2023, Dorival iniciou seu trabalho com uma sequência de dez jogos em um mês e dois dias — sete deles foram como visitante. Zubeldía, por sua vez, fez quatro de suas primeiras cinco partidas longe do MorumBIS. 

> Os próximos três jogos do São Paulo:

  • Inter x São Paulo — Brasileirão — quinta-feira, 13 de junho, às 20h (horário de Brasília) — Transmissão: Premiere (TV por assinatura);
  • Corinthians x São Paulo — Brasileirão — domingo, 16 de junho, às 16h (horário de Brasília) — Transmissão: TV Globo (TV aberta) e Premiere (TV por assinatura);
  • São Paulo x Cuiabá — Brasileirão — quarta-feira, 19 de junho, às 20h (horário de Brasília) — Transmissão: Premiere (TV por assinatura).
Foto de Eduardo Deconto

Eduardo Deconto

Jornalista pela PUCRS, é setorista de Seleção e do São Paulo na Trivela desde 2023. Antes disso, trabalhou por uma década no Grupo RBS. Foi repórter do ge.globo por seis anos e do Esporte da RBS TV, por dois. Não acredite no hype.
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